Trabalhadores perdem mais

Orçamento de 2018 não prevê correção da tabela do imposto de renda

Defasagem entre 1996 e 2017 chega a 88,4%; se tivesse sido reposta, faixa de isenção, atualmente em R$ 1.903,98, chegaria a R$ 3.556,56; Receita Federal não quis comentar cálculos do Sindifisco Nacional

  • Agência Brasil, com edição da Redação Spbancarios
  • Publicado em 12/01/2018 12:48 / Atualizado em 12/01/2018 13:06

Arte: Arquivo Seeb/SP

São Paulo - Sem correção há três anos, a tabela do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) passará mais um ano sem reajuste, informou na quinta-feira 11 a Receita Federal. Para este ano, a faixa de isenção continuará em vigor apenas para quem recebe até R$ 1.903,98.

De acordo com cálculos do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Nacional (Sindifisco Nacional), a defasagem acumulada da tabela do Imposto de Renda entre 1996 e 2017 chega a 88,4%, se a correção pela inflação oficial pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) tivesse sido aplicada todos os anos.

De acordo com o Sindifisco Nacional, se toda a defasagem tivesse sido reposta, a faixa de isenção para o Imposto de Renda seria aplicada para quem ganha até R$ 3.556,56. O desconto por dependente subiria de R$ 2.275,08 para R$ 4.286,28 por ano. O valor deduzido com gastos de educação chegaria a R$ 6.709,90, contra R$ 3.561,50 atualmente.

“Os trabalhadores são os que mais perdem, já que pagam muitos impostos sobre o consumo e ainda são tributados na fonte, enquanto os mais ricos não precisam pagar impostos sobre os dividendos de suas ações, por exemplo”, critica a secretária de Imprensa do Sindicato, Marta Soares. “São absurdos perpetuados por esse governo que só agravam a desigualdade social e a injustiça fiscal no Brasil. A não correção da tabela do IR acaba revertendo parte dos ganhos reais conquistados nas campanhas salariais.”

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Em nota, o Sindifisco Nacional informou que a defasagem de quase 90% da tabela do Imposto de Renda achata a renda do trabalhador. “Se a faixa de isenção atual chega aos contribuintes que ganham até R$ 1.903,98, corrigida, livraria todo assalariado que ganha até R$ 3.556,56 de reter imposto na fonte. Representa dizer que essa diferença de R$ 1.652,58 pune as camadas de mais baixa renda. Importante lembrar que a tabela do IRPF não é reajustada desde 2016 [ano-base 2015]”, destacou a entidade.

Para a entidade, o achatamento só não foi maior porque o IPCA de 2017 ficou em 2,95%, um dos valores mais baixos em 20 anos.

A Receita Federal não quis comentar os cálculos do Sindifisco Nacional.



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