Cadê a solução?

Gestão Dória não conclui obra e crianças ficam sem creche

Aulas iniciaram na segunda-feira,5, mas pelo menos cinco unidades de ensino que tiveram crianças matriculadas não têm como recebê-las

  • Rede Brasil Atual, com Redação Spbancarios
  • Publicado em 08/02/2018 16:35

Foto: Arquivo RBA

São Paulo – As 200 crianças matriculadas pela gestão do prefeito da cidade de São Paulo, João Doria (PSDB), na creche privada conveniada Maria de Lourdes, no Jardim Bonfiglioli, zona oeste da capital, estão sem aulas desde a segunda-feira 5, quando teve início o ano letivo. É que a obra não foi concluída. 

Na mesma situação estão outras 200 crianças da creche particular conveniada Rio Claro, na Chácara Enseada, região do Jardim Ângela. Nessa, as obras estão paradas há anos, mas foi descredenciada. Com isso, famílias que esperavam ter filhos atendidos na rede municipal não sabem o que fazer. A reportagem é da Rede Brasil Atual que já havia noticiado essa situação em janeiro. Passado um mês, não há previsão clara de quando as obras serão concluídas.

No caso da creche Maria de Lourdes, muitas paredes já foram levantadas, mas o local ainda está longe de ter a obra concluída. Nenhuma placa identifica a construção de uma creche no local. Toda a área é murada e o teto ainda é de um antigo galpão, com telhas metálicas.

De acordo com imobiliárias que administram a locação do espaço – e que ainda mantêm placas de "aluga-se" no imóvel –, a conclusão da obra está prevista para o final de março. O local tem 800 metros quadrados e é ofertado para locação por R$ 20 mil mensais.

A Secretaria da Educação da gestão Doria informou que todos os alunos matriculados no CEI Maria de Lourdes serão atendidos em fevereiro. “As aulas começam dentro do cronograma de implantação dos convênios novos. A diretoria regional já está em contato com as famílias e segue à disposição para qualquer esclarecimento”, diz a nota.

Já as 200 crianças matriculadas na creche Rio Claro não têm perspectiva de quando terão a vaga. A pequena Heloa da Silva Santos, de 1 ano e 3 meses, foi designada para a unidade. A mãe dela, Nayara da Silva Assunção, ficou sabendo ao consultar o sistema de acompanhamento de vagas da secretaria. "Não tinha o nome da escola. Eu fui no CEU Vila do Sol e me disseram que era essa unidade. Mas quando cheguei, não tinha nada, só a obra parada. Eu não fiz nenhum procedimento de matrícula e não sei o que fazer", contou. A criança está ficando com as avós materna e paterna, em esquema de revezamento.

Outras unidades encontram-se em situação semelhante. Os Centros de Educação Infantil (CEI) Cantinho da Fabiana, Cantinho da Tia Lila e Jorginho, na Cidade Ademar, zona sul da cidade, também estão em obras. Todas essas unidades tiveram convênios firmados no final do ano passado, com a previsão de atender mil crianças de 0 a 3 anos, no total.

A pressa em contabilizar as matrículas no sistema pode estar relacionada à promessa de Doria de zerar a fila da creche até 30 de março deste ano. O prefeito contabiliza déficit de apenas 65 mil vagas, mas o número é referente ao dia 31 de dezembro de 2016 – o último dado da fila de espera por uma vaga em creche na capital paulista, de setembro do ano passado, registrava déficit de 132 mil crianças.

A gestão já eliminou salas de leitura, de informática e períodos integrais de algumas escolas de ensino infantil para ampliar o número de vagas. E parou de publicar os dados da fila de espera na página da Secretaria Municipal da Educação.

 



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