Resistência

Se não lutar, reforma trabalhista acabará com seus direitos

Mal começou o ano e os banqueiros já estão colocando as manguinhas de fora: Itaú e Santander anunciaram o fim da homologação no Sindicato e retirada de direitos; reação foi imediata, com paralisação em alguns dos principais centros administrativos dessas instituições

  • Redação Spbancarios
  • Publicado em 05/02/2018 17:15 / Atualizado em 05/02/2018 17:33

Bancários resistiram a hostilidade da Polícia Militar durante ato no Vila Santander

Foto: Seeb-SP

São Paulo - A homologação feita no Sindicato já salvou muito bancário de tomar uma rasteira do banco na hora da dispensa. Mas, protegidos pelas mudanças impostas pela reforma trabalhista de Temer, os banqueiros já estão colocando as manguinhas de fora. Itaú e Santander foram os primeiros a anunciar o fim desse direito dos bancários: a partir deste mês, não mais homologarão as demissões no Sindicato.
 
Com isso, abre-se a possibilidade para que o ato homologatório seja realizado no próprio âmbito da empresa. Dessa forma, o bancário pode acabar assinando, sob pressão, um termo de quitação, informando que os deveres do banco foram cumpridos e podendo até invalidar uma possível futura reivindicação na Justiça do Trabalho.
 
“Essa é a primeira de muitas atitudes que os bancos tomarão, no sentido de retirar direitos dos bancários sob o manto do desmonte trabalhista de Temer”, critica a secretária-geral do Sindicato, Neiva Ribeiro. “Por isso nossa reação foi imediata e assim será toda vez que os bancos tentarem avançar sobre o que os bancários conquistaram com tanta luta”, ressalta a dirigente, lembrando os atos que no dia 31 de janeiro paralisaram as atividades dos call centers do Vila Santander, e em 1º de fevereiro no CA Brigadeiro, CAT, ITM, além do prédio da Rua Jundiái, do Itaú.
 
Mais desrespeito – Em dezembro, o Itaú já havia tentado promover alterações com relação à definição da data e período de férias. E ainda estipulado que seus departamentos Jurídico e de RH definiriam novas regras de acordo com as mudanças da nova lei trabalhista.
No caso do Santander, o banco implantou um sistema para forçar a assinatura em um Acordo Individual de Banco de Horas Semestral. Também sem nenhuma negociação, o banco informou a alteração da data de pagamento dos salários, do dia 20 para 30, e os meses de pagamento do 13º salário, antes março e novembro, agora passam a ser maio e dezembro. Os trabalhadores também sofrem com os aumentos abusivos do plano de saúde, que causa dificuldades para muitos deles bancarem os custos. Os bancários do Santander realizaram um grande protesto contra essas medidas, em 20 de dezembro.
 
“Os bancários precisam estar preparados para muita luta, se não quiserem perder todos os seus direitos”, avalia Neiva. “Devido ao acordo de dois anos, firmado na Campanha de 2016, a categoria tem vários direitos garantidos até 31 de agosto de 2018. A partir daí, nada mais será certeza e se a categoria não se mobilizar agora, logo todos os bancos retirarão nossos direitos. Temos de estar unidos e fortes contra o que vem pela frente.


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