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Chapéu
Greve dos Servidores Municipais

Professora agredida por PM fala da luta contra a reforma da Previdência de Covas

Linha fina
"Me sinto indignada porque somos trabalhadores, não somos marginais. Nós fomos tratados como bandidos", diz a educadora
Imagem Destaque
Foto: Sindsep

Lidiane Brito de 37 anos, a professora que foi agredida por um policial no dia 7 de fevereiro na caminhada dos servidores pela Brigadeiro até a Paulista, conversou com o Sindsep sobre o ocorrido e sobre a reforma da Previdência 2019 dos servidores. 

A reportagem foi replicada no Portal CUT.

Lidiane contou que quando estava na caminhada, na Brigadeiro um carro invadiu a manifestação e queria passar. Os servidores ficaram pedindo para a motorista voltar, como também um policial. Ela não queria. Nisso chegou vários policiais vindos ela não sabe de onde e começaram a empurrar todo mundo. Lidiane estava na calçada e os policiais começaram a jogar o pessoal, as mulheres que estavam ali. 

Ela foi então falar para os policiais não empurrarem as mulheres, pois elas não eram cachorras e sim mulheres. Nisso veio um policial de trás e começou a dar cacetadas nestas servidoras. Lidiane foi a única que ficou sangrando. 

“Fui pedir para um dos policiais socorro e ele falou para pedir nas viaturas. Nenhuma das viaturas quis me socorrer, mandaram passar no Pérola Byington, mas eles não atendem esse tipo de situação, só mulheres que foram vítimas de violência sexual. Fomos andando até o HSPM, fui socorrida pelos meus colegas manifestantes”. Declarou Lidiane.

No hospital ela levou um ponto acima da sobrancelha na testa. Mas também ficou com um olho roxo. No HSPM diz ter sido bem atendida, só não tomou a vacina de tétano, pois a mesma estava em falta no hospital. 

Em relação ao sentimento que ficou depois da agressão, Lidiane declara: “Me sinto indignada, porque somos trabalhadores, não somos marginais. Nós fomos tratados como bandidos. Somos servidores públicos, como eles, os policiais. Eles vieram para machucar, com raiva. Sinto uma indignação muito profunda. Era para confiarmos neles, mas aí você confia e fica com a cara amassada. Mas isso que os policiais fizeram não fere meu caráter e nem a profissional que eu”. 

Servidores em greve contra a reforma da previdência de Covas

A reforma da Previdência municipal que representa um confisco do salário dos servidores para ela é uma injustiça, que tira do trabalhador, mas não tira dos políticos, dos empresários que devem para a Prefeitura. Tudo é em cima do trabalhador, do servidor e não de quem deveria. 

Lidiane ainda complementa que uma aposentadoria digna representa o seu direito e o direito de todo mundo. “A gente realiza um trabalho por longos anos, seja na educação, na saúde, a gente não consegue aproveitar a vida, trabalha muitas vezes em dois empregos, sofre com o transporte público. Por isso, eu acho que a reforma da previdência deveria começar pelos políticos que trabalham 8 anos e se aposentam. O problema está na previdência temos que igualar todo mundo. Não a classe trabalhadora que trabalha mais e ganha menos que todo mundo".

Nova assembleia

Em greve desde o dia 4, os servidores municipais realizam nova assembleia na quarta-feira 13, às 14h, em frente a Prefeitura de São Paulo para definir os rumos do movimento.

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