Avenida Paulista

População se levanta contra o fim da aposentadoria

Dimensão do Dia Nacional de Paralisação deixou claro que trabalhadores não aceitarão reforma da Previdência proposta por Temer

  • Andrea Ponte Souza e Felipe Rousselet, Spbancários
  • Publicado em 15/03/2017 19:32 / Atualizado em 16/03/2017 11:35

Foto: Juca Varella

São Paulo – Uma Avenida Paulista totalmente tomada por trabalhadores de diversas categorias e uma infinidade de movimentos sociais, reunidos para dizer não a reforma da Previdência (PEC 287) proposta pelo presidente Michel Temer, que eleva a idade mínima da aposentadoria para 65 anos, igualando homens e mulheres, e estabelece o mínimo de 49 anos de contribuição ao INSS para acesso ao benefício integral, entre outros retrocessos. 

“Essa reforma é um golpe. É ridículo porque os trabalhadores só vão poder se aposentar aos 65 anos, e os mais prejudicados são pessoas como eu, que começaram  a trabalhar cedo. Eu vou trabalhar praticamente minha vida inteira se essa PEC passar no Congresso”, afirmou a metalúrgica Graziela Rodrigues, de 36 anos, presente ao ato realizado na quarta-feira 15. 

Já Daniel, bancário do BB de 39 anos, lembrou que o governo Temer não obteve a legitimidade das urnas para retirar os direitos dos trabalhadores. 

"Sou contra todo esse pacote de maldades que esse governo golpista está enfiando goela abaixo do trabalhador. Querem retirar, em alguns meses, o que os trabalhadores levaram um século pra conquistar. E estão fazendo isso de forma ilegítima. Tomaram o poder de assalto. É um governo sem votos", criticou.

Por sua vez, a professora Silvia Oliveira, 47 anos, lembrou que a reforma da Previdência acaba com a aposentadoria especial para a sua categoria, que assegura uma idade mínima de 50 anos para mulheres e 55 anos para homens. Com a PEC 287, os educadores, homens e mulheres, terão idade mínima de 65 anos.

"Essa reforma vai acabar com a aposentadoria especial dos professores, que é justa porque é uma profissão muito desgastante. Um professor chega a fazer jornada tripla porque os salários são baixos. Aí tem que trabalhar no Estado e na Prefeitura. E a maioria da categoria é mulher, que vai ser ainda mais prejudicada. A gente não pode ter igualdade nesse aspecto da idade quando sabemos que a sociedade é desigual, que são as mulheres que ficam cuidando da casa e dos filhos, que têm essa jornada dupla", enfatizou a educadora. 

A estudante universitária Dayara Cardoso, de 20 anos, além de também criticar a proposta de igualar a idade mínima de homens e mulheres, lembrou que principalmente na periferia as pessoas vão morrer sem se aposentar. 

“Estou preocupada com as mulheres, a periferia, a negritude. São os que mais vão sofrer se essa reforma passar. Se você pega periferias como Capão Redondo, Jardim Ângela, Cidade Tiradentes, a expectativa média de vida é de 53 anos. Essas pessoas vão morrer sem se aposentar. Você pega as mulheres por exemplo. Elas vão se aposentar com a mesma idade dos homens, mas os homens vão passar a dividir a jornada dupla que a mulher faz em casa?”, questiona Dayara.

“É uma reforma proposta por um homem, que se aposentou com 55 anos, ganhando R$ 30 mil. E o mais absurdo é que está sendo feita com uma rapidez enorme, sem dar tempo da população perceber o prejuízo. É impressionante a massificação do propaganda do governo, com cartazes nos metros, nos ônibus, campanha na tv", concluiu a estudante.



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