Violência

Doria manda GCM e Tropa de Choque agredirem trabalhadores que protestavam por direitos

Servidores são contra aumento da contribuição previdenciária; bombas de gás e balas de borracha foram jogadas e muitos ficaram feridos

  • Rafael Silva, da CUT São Paulo, Marize Muniz e Luciana Waclawovsky, da CUT Nacional, com edição da Redação Spbancarios
  • Publicado em 14/03/2018 16:07 / Atualizado em 15/03/2018 14:09

Servidores municipais foram atacados com cassetetes, spray de pimenta, bombas de gás: muitos foram feridos

Foto: Divulgação

São Paulo - Na tarde da quarta-feira 14, servidores de diversas categorias foram agredidos pela GCM (Guarda Civil Metropolitana) e pela Tropa de Choque da Polícia Militar enquanto protestavam contra a proposta de reforma da Previdência de João Doria (PSDB) na Câmara Municipal, no centro de São Paulo.

GCM e PM foram acionadas para acabar com a manifestação utilizando cassetetes. Bombas de gás-pimenta foram jogadas e tiros de borracha atingiram servidores.

Muitas pessoas ficaram feridas e tiveram de ser socorridas no local. Sindicatos próximos à Câmara serviram de abrigo. Relatos e vídeos que circulam nas redes sociais apresentam um cenário de guerra.

Cerca de 300 servidores conseguiram entrar na Câmara antes de a Casa ser fechada para o acesso ao público. Mais de 5 mil servidores ficaram do lado de fora. Participam do ato professores, servidores de áreas como saúde, cultura e assistência social.

As palavras de ordem competem com o barulho das bombas de efeito moral e balas de borracha: "Se votar, não vai voltar", dizem os servidores, referindo-se às eleições que podem mandar para casa todos os vereadores que traírem a classe trabalhadora aprovando o projeto.

Enquanto protestavam do lado de fora, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara aprovou, a portar fechadas, o projeto que dificulta o acesso à aposentadoria para servidores municipais.

Servidores debatem PL da Previdência de Doria: 'Extremamente nefasto'

Protesto - “A Câmara começou controlando a entrada do público. Quando conseguimos colocar cerca de 300 pessoas lá dentro, fecharam a porta”, contou João Batista Gomes, secretário de Imprensa do Sindsep e de Mobilização da CUT-SP.

O presidente da CUT-SP, Douglas Izzo, estava no ato e condenou a atitude do prefeito. “Esse governo trata os trabalhadores como caso de polícia, algo totalmente condenável. Ao invés de abrir um canal de discussão, prefere impedir a entrada dos trabalhadores na Câmara Municipal, jogando a polícia contra nós. A CUT repudia toda essa truculência que ocorreu hoje.”

Sergio Antiqueira, presidente do Sindsep, afirma que não haverá intimidação dos servidores. “Amanhã (quinta), teremos um ato ainda maior. Vamos colocar todos os servidores públicos na rua para impedir que esse projeto passe. Mesmo com as bombas, o pessoal não dispersou do local.”

Veja fotos e vídeos da repressão aos servidores:

PL do Extermínio - O funcionalismo municipal está em greve desde a sexta-feira, 9, contra o projeto de lei 621/2016. Conhecido como PL do Extermínio, o projeto foi encaminhado à Câmara no fim de 2017, incluindo um aditivo de Doria, que prevê aumento na contribuição dos trabalhadores, de 11% para até 19%.  Além disso, o PL irá privatizar parte da Previdência do funcionalismo, com a criação da Sampaprev.

O prefeito, que já anunciou que abandonará o cargo no próximo mês para disputar o governo, não abriu nenhuma frente de diálogo com os trabalhadores e ainda pediu urgência na tramitação do PL.

A expectativa do tucano é ter o projeto aprovado até 31 de março, conforme reuniões da das Comissões de Constituição, Justiça e Legislação Participativa (CCJ) e de Finanças e Orçamento da Câmara Municipal.

Para o funcionalismo público, que sobrevive sem valorização salarial (o último reajuste dos servidores foi de 0,01%), a renda mensal ficará ainda mais comprometida com o aumento da contribuição.



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