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Por machismo, mulheres cientistas foram ocultas da História

Dos 881 prêmios Nobel de Ciência, entregues até hoje, apenas 48 (5%) foram para mulheres, algumas muitos anos depois de mortas

  • Elenice Santos, Spbancarios com informações do El País Brasil
  • Publicado em 29/03/2018 17:37 / Atualizado em 29/03/2018 19:59

Essas são algumas das mulheres que por machismo, tiveram nomes ocultos na História

Montagem: Tiago Akioka

São Paulo – Maria Kirch, descobridora de um cometa em 1702. Ada Lovelace, filha do poeta Lord Byron, lançou as bases da programação na informática. Mina Fleming entrou para Harvard College Observatory e catalogou mais de 10 mil estrelas. Rosalind Franklin, artista da imagem que mostra a estrutura helicoidal do DNA.

O que essas mulheres têm em comum? Todas deram grandes contribuições para a Ciência e deixaram suas marcas na história do conhecimento e desenvolvimento da humanidade, mas por machismo, ficaram escondidas e ninguém sabe quem são. O hall da fama da Ciência ainda é reservado aos homens. Felizmente, graças ao livro La Ciencia Oculta (A Ciência Oculta), editado pela Fundação Dr. Antonio Esteve, da Espanha,14 grandes pesquisadoras foram tiradas do anonimato. A obra é do professor de farmacologia, Sergio Erill.  

O que essas mulheres descobriram?

Hipátia, que nasceu entre 355 e 370, deu grande contribuição à geometria, à álgebra e à astronomia. Já Maria Kirch, foi quem descobriu um cometa em 1702, mas passou a vida na sombra do marido e depois de outro astrônomo, seu filho. Ada Lovelace, filha do poeta Lord Byron, lançou as bases da programação informática, mas quem ficou famoso foi Charles Babbage.

Mina Fleming entrou para o Harvard College Observatory como empregada do professor E. C. Pickering e catalogou mais de 10 mil estrelas, descobriu outras dez novas, 52 nebulosas e 310 estrelas variáveis. Henrietta Swan Leavitt, cientista, também contratada por Pickering, determinou a distância entre elas, o que anos mais tarde serviu para descobrir que o Universo se expande.

Emmy Noether, que demonstrou uma teoria da física de partículas e teve um papel essencial no campo da álgebra abstrata, trabalhou durante 25 anos sem receber salário. Rosalind Franklin, autora da imagem que mostra a estrutura em formato de hélice do DNA, teve seus dados “roubados” para que Watson e Crick recebessem o Nobel de 1962.  

“O machismo sempre tentou calar e inviabilizar as mulheres. Até hoje, após muitas conquistas ainda recebemos 30% menos que os homens mesmo tendo mais anos de estudo. E na categoria bancária, apesar de termos mais mulheres do que homens, é raro terem mulheres ocupando os cargos de alto escalão e nas áreas de maior impacto nos bancos”, destaca a diretora do Sindicato, Lucimara Malaquias.

“Precisamos recontar a história por uma ótica feminista, isto significa que precisamos trazer a público todas as mulheres que deram grandes contribuições para a evolução da humanidade porque, infelizmente, nossa história é contada a partir de heróis homens”, conclui Lucimara Malaquias.

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Nobel reconhece apenas 5% dos nomes femininos

Segundo dados de uma pesquisa, em 2015, apenas 5% dos quase 881 prêmios Nobel de Ciência foram entregues até hoje às mulheres. 

Segundo dados da Associação de Mulheres Pesquisadoras e Tecnólogas (AMIT, em espanhol), os principais prêmios científicos concedidos até 2015 na Espanha - como Princesa de Astúrias, Nacionais, Jaime I, Frontera-BBVA - foram para homens em 89% das ocasiões.

“As mulheres terão ainda muita luta pela frente para alcançar reconhecimento e visibilidade em todas as áreas de atuação. E elas atuam com competência em todas elas, porque lugar de mulher é onde ela quiser. Ainda estamos longe de ter igualdade de gênero, porque vivemos em uma sociedade com uma herança de séculos de cultura machista. Mas estamos lutando para isso. E as mulheres, mais do que nunca, estão mostrando que não vão se calar e não vão mais aceitar essa lógica perversa", diz Silmara da Silva, dirigente sindical e representante do coletivo de gênero do Sindicato.

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Luta das mulheres é permamente

O mês de março está terminando, mas a luta das mulheres continua. Muitas pautas ainda estarão em evidência compondo a Jornada de Luta das Mulheres em Defesa da Democracia e dos Direitos, que foi lançada em 24 de fevereiro, em São Bernardo do Campo, e que percorrerá cidades do interior paulista até o dia 1º de maio.

 

 



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