Descaso

Gestão Covas coloca ambulâncias do Samu para operar apenas 12 horas por dia

Reorganização realizada pela prefeitura determina que pontos de assistência tenham um veículo durante o dia e outro à noite, enquanto todos deveriam operar 24 horas

  • Rodrigo Gomes, da RBA, com Redação Spbancarios
  • Publicado em 15/03/2019 12:35

Trabalhadores do SAMU protestam contra as mudanças no sistema, que pode afetar o atendimento à população

Foto: Sindsep

A nova escala de atuação do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) na região leste da capital paulista revela que a gestão do prefeito Bruno Covas (PSDB) não está colocando todas as ambulâncias à disposição da população 24 horas por dia, após o processo de reorganização do serviço iniciado em 23 de fevereiro. Algumas bases operam com um veículo durante o dia e outro veículo durante a noite, reduzindo o número de carros em operação de 122 para aproximadamente 80, por turno, segundo os trabalhadores. A prefeitura tem outras 25 ambulâncias que compõem a chamada reserva técnica, para o caso de manutenção dos veículos que atuam no cotidiano.

A reportagem é da Rede Brasil Atual.

Segundo o documento, das 16 bases na zona leste, seis operam com uma ambulância de dia e outra de noite. A Assistência Médica Ambulatorial (AMA) JK, em Guaianases; o Hospital Waldomiro, em Itaquera; o Hospital Municipal Carmen Prudente, em Cidade Tiradentes; o Hospital Municipal Alípio Corrêa Neto, em Ermelino Matarazzo; a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Itaquera; a Unidade Básica de Saúde (UBS) Jardim das Oliveiras; e a Base Descentralizada São Mateus são algumas unidades com ambulâncias operando 12 horas, em turnos alternados.

Trabalhadores do Samu afirmam que essa medida reduz a possibilidade de atendimento à população, já que parte das ambulâncias opera apenas parte do dia. “Isso está relacionado ao déficit de trabalhadores. A prefeitura distribuiu as equipes em mais locais, mas sem aumentar o número de trabalhadores. Hoje faltam 1.650 profissionais no serviço. Então não tem quem opere todas as ambulâncias. Mas como a prefeitura precisa justificar o uso de todos veículos para o Ministério da Saúde, para receber verba, colocam para rodar alternadamente. Chamam isso de espelhamento”, explicou uma trabalhadora que pediu para não ser identificada.

Os profissionais também reclamam que o processo de reorganização os retirou das bases descentralizadas e colocou em locais que não têm condições de trabalho adequado. A gestão Covas fechou 31 bases que tinham toda estrutura para apoio dos socorristas e os transferiu para AMAs, UBS e prontos socorros. “Essas unidades contam com uma condição de trabalho adequada, espaço para alimentação, descanso e banho, conforme determina o convênio do Samu. Quando voltamos de uma ocorrência é comum que a equipe precise se higienizar, por exemplo. Essa estrutura não está garantida em uma Unidade Básica de Saúde (UBS). Há locais que não tem a menor condição de a equipe permanecer”, explicou o servidor.

Imagens encaminhadas à reportagem mostram os trabalhadores alocados em locais apertados, com equipamentos estocados, infiltração de água e até com compressores em funcionamento, fazendo ruídos muito fortes. O objetivo da prefeitura ao fechar as bases foi cortar os gastos com o Samu. Cada base era mantida ao custo de aproximadamente R$ 20 mil por mês. A gestão ampliou de 55 para 71 os pontos de assistência do serviço. Porém, 26 dos novos locais só funcionam em dias úteis, das 7h às 19h, o que pode limitar o período de atuação das equipes médicas. A maior parte das unidades fica nas zonas sul e leste da cidade.

No Diário Oficial do Município constam: AMA Jardim Helena, AMA JK, Caps Itaquera, UBS Inácio Monteiro, UBS Jardim das Oliveiras, UBS Rio Claro, AMA Maria Cecília Donnangelo, CAPS Pirituba, UBS Jardim Japão, UBS Jardim Paulistano, UBS Vila Palmeiras, Caps Itaim Bibi, UBS Jardim Colombo, AMA Ermenegildo, AMA/UBS Chácara Cruzeiro, UBS São Nicolau, UBS Teotônio Vilela, UBS Vila Esperança, AMA/UBS Grajaú, Caps Largo Treze, UBS Jardim Eliane, UBS Jardim Miriam, CECCO Jaçanã, AMA/UBS Anchieta, AMA Vila Constância e UBS Sé.

Mas, na prática, a nova distribuição geográfica das unidades não muda muito a área de cobertura das ambulâncias. Haverá mais veículos ao longo do trajeto da avenida Marginal Pinheiros (aumentando de seis para onze) e na subprefeitura da Sé (de quatro para oito). A região de Marsilac, no extremo sul da cidade, deixará de ter uma base, e, no extremo norte da cidade, em Perus, Anhanguera, Jaçanã, Brasilândia e Cachoeirinha, nada muda. O Grajaú passa a contar com três bases, mas todas relativamente próximas da base atual. A região do Jabaquara passa a ter três bases, e o Sacomã fica vazio.

A gestão Covas não se manifestou.



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