Mobilização

Metalúrgicos vão à Câmara e questionam incentivos dados à Ford

Trabalhadores da montadora fizeram nova assembleia na quinta-feira 14. Eles querem informações sobre possíveis interessados na compra da fábrica

  • Publicado em 14/03/2019 16:11 / Atualizado em 14/03/2019 16:13

Montadora lucrou com políticas de incentivo do governo brasileiro e agora quer fechar fábrica de São Bernardo

Foto: Adonis Guerra/SMABC

Os metalúrgicos da Ford em São Bernardo do Campo, na região do ABC paulista, questionam no Legislativo a política de incentivos que beneficiou a montadora, que anunciou a fechamento da fábrica até o final do ano. Na quinta-feira 13, representantes do sindicato da categoria se reuniram com os presidentes da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), e da Assembleia Legislativa de São Paulo, Cauê Macris (PSDB). Eles também querem informações sobre possíveis interessados na compra da unidade. 

A reportagem é da Rede Brasil Atual.

"Apresentamos toda a situação da empresa e ressaltamos que ela recebeu muito dinheiro do Estado em incentivos fiscais, cerca de 7 bilhões de reais, só nos últimos cinco anos", relatou o coordenador do comitê sindical da Ford, José Quixabeira de Anchieta, o Paraíba, durante assembleia realizada na manhã de quinta-feira 14.

"O Estado tem a prática de dizer que não se mete com capital privado, mas dada a quantidade de dinheiro que a Ford recebeu no Ceará, com a Troller, e em Camaçari, na Bahia, podemos considerar que ela é uma empresa de capital misto. O governo tem sim de se envolver", acrescentou, informando que Maia "se comprometeu a analisar todo o histórico".

A Ford, que detém a marca Troller, reinaugurou a fábrica localizada em Horizonte (CE) em 2014. Já a unidade da montadora em Camaçari foi inaugurada em 2001 – ali são fabricados os modelos Ka e EcoSport. A fábrica de São Bernardo produz o Fiesta e caminhões.

Paraíba afirmou que a empresa não forneceu mais informações sobre possíveis compradores. Durante reunião dos sindicalistas com a direção mundial da Ford, quinta-feira 7, nos Estados Unidos, os executivos da montadora afirmaram que haveria três interessados, sendo dois com mais possibilidades. "Estamos cobrando a Ford sobre isso. Não sabemos até o momento de nenhum nome. Queremos a participação dos trabalhadores nesse debate. Queremos saber se os interessados são sérios e se têm propostas concretas para a manutenção dos empregos", ressaltou o metalúrgico.

Na reunião em Brasília – da qual participaram o presidente e o secretário-geral da CUT, Vagner Freitas e Sérgio Nobre –, os sindicalistas pediram ao presidente da Câmara para interceder no sentido de que o assunto Ford faça parte da pauta do encontro entre os presidentes Jair Bolsonaro e Donald Trump, na semana que vem. Eles também reivindicaram que um representante dos trabalhadores participe da delegação. A bancada do PT na Câmara também quer enviar um deputado.

Na Assembleia paulista, com a presença do deputado Teonílio Barba, ex-funcionário da Ford, Macris disse que considera o assunto prioritário. "Ele nos garantiu que o Legislativo fará tudo o que for necessário, enquanto atuação no poder público", afirmou o diretor do sindicato Alexandre Colombo. "Disse, inclusive, que se houve incentivos fiscais do Estado, os deputados vão cobrar." Na sexta 15, durante a cerimônia de posse dos novos deputados estaduais, os metalúrgicos devem participar de manifestação.

 



Voltar para o topo