DOR E SOLIDARIEDADE

O luto da perda de um filho foi tema do 'Entre Vistas'

A psicanalista Vera Iaconelli foi a convidada do programa da TVT, que foi ao ar na TVT. "O luto da descendência vai na contramão de qualquer expectativa", diz

  • Rede Brasil Atual, com Redação Spbancarios
  • Publicado em 15/03/2019 12:56

"O reconhecimento social da perda é uma das formas que ajuda o sujeito a elaborar o luto”, diz Vera Iaconelli

No dia seguinte da tragédia na Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano, o programa Entre Vistas que foi ao ar na quinta-feira 14, recebeu a psicanalista Vera Iaconelli. Os temas: como lidar com a morte inesperada de um filho, questões de ódio, direitos humanos e amor ao próximo. Apesar da coincidência, o programa foi gravado na última terça-feira 12, véspera do atentado trágico que resultou em dez mortes. O Entre Vistas pode ser revisto no link abaixo.

Logo na abertura, o jornalista e apresentador Juca Kfouri explica que a ideia do tema é decorrência da morte de Arthur Araújo Lula da Silva, de 7 anos, filho de Marlene Araújo e Sandro Luis, filho do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva com Marisa Letícia.

A reportagem é da Rede Brasil Atual.

“Esse é um programa diferente. Vamos falar dessa coisa antinatural de pais e avós enterrando um filho”, anuncia Juca, que dedica o programa aos pais de Arthur e ao ex-presidente Lula. Na sequência, o apresentador pergunta à psicanalista como é o luto de alguém que está preso, afastado da sociedade e, consequentemente, da família.

“O luto é um processo básico do psiquismo, como se fosse a cicatrização de um tecido do corpo. O luto da descendência, filhos e netos, vai na contramão de qualquer expectativa. Você tem uma descendência para sobreviver à sua morte”, explica Vera Iaconelli.

Ao se referir ao ex-presidente Lula, a psicanalista pondera que, por todo o contexto da sua prisão, os “lutos se acumulam”, por ser uma pessoa que já está em processo de diferentes tipos de perdas.

“O luto passa pelo reconhecimento social. Quando você perde alguém que ama, é muito importante que as pessoas reconheçam esse luto, respeitem. Ninguém espera, por exemplo, que você vá trabalhar no dia seguinte em que se tornou viúvo, seria um absurdo. Então o reconhecimento social da perda é uma das formas que ajuda o sujeito a elaborar o luto”, afirma.

O programa conta com a participação da Iyalorixá Adriana de Naná, educadora social e integrante da frente Dom Paulo Evaristo Arns de Justiça e Paz, e também com Inês de Filippi, assistente social com mais de 30 anos de experiência em políticas públicas voltadas à criança e ao adolescente em situação de risco. Por ter sido muito amiga de Marisa Letícia, ex-esposa de Lula, Juca Kfouri pergunta como a assistente social tem reagido à perda da amiga e, agora, do neto da amiga.

Segundo Inês, o luto não tem tempo para acabar. Ela diz ainda vivenciar a perda de Marisa. “E aí você nem completou esse ciclo e já vem um outro luto. Você passa a perceber como isso afeta a família, os amigos, a sociedade. O luto deixa de ser uma questão individual e passa a ser uma questão coletiva. E dói, dói demais, porque num dia você vê a criança, pensa na avó, depois lembra do avô que está preso, então é uma dor que não cessa.”

Confira o programa:



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