Assessoria

Mudanças na regra TJLP prejudicam o país

  • Publicado em 03/04/2017 16:12 / Atualizado em 03/04/2017 18:08

Arte: Seeb-SP

O governo Temer anunciou  sexta feira (31/03) uma mudança na taxa de juros de longo prazo (TJLP), que serve de referências para os empréstimos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

A medida do governo vai substituir a TJLP pela TLP (Taxa de Longo Prazo) a partir de 1º de janeiro de 2018. Essa nova taxa (TLP) será definida pela inflação efetiva medida pelo IPCA e mais uma taxa de juro real definida mensalmente no mercado financeiro, tendo como parâmetro a rentabilidade de um título público especifico (NTN-B). Com isso pretende-se retirar o subsídio do tesouro fazendo com que a taxa cobrada pelo BNDES se aproxime dos valores das taxas de mercado. Atualmente a rentabilidade deste título público encontra-se acima de 10% ao ano, o que indica que teremos elevação da taxa cobrada pelo BNDES.

A medida faz com que o financiamento de longo prazo para indústrias, máquinas, equipamentos e infraestrutura seja encarecido, reduzindo os investimentos na economia brasileira, e, consequentemente o emprego e a renda. É uma mudança que prejudica a indústria, em beneficio do rentismo.

O aumento do custo financeiro das empresas será repassado aos consumidores finais gerando aumento do nível geral de preços. Além disso, o Estado abre mão de um instrumento de política econômica fundamental para o país. A partir da mudança proposta, o “mercado” é quem irá definir as taxas de juros do BNDES para privilegiar o sistema financeiro e isso se contrapõe ao desenvolvimento da indústria, que precisa de financiamento com taxas baixas e crédito farto para auxiliar na geração de emprego.

A mudança de cálculo da TJLP faz parte de um conjunto de medidas e reformas que visam diminuir a atuação do Estado na promoção do desenvolvimento econômico e social, entregando para o mercado inclusive a gestão das politicas públicas, como no caso da reforma da previdência e no congelamento dos gastos públicos em saúde e educação. O desmonte dos bancos públicos é mais uma peça deste quebra-cabeça.

O Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região defende que o sistema financeiro tenha uma função social, em especial de financiar o desenvolvimento econômico do país e propiciar a geração de emprego e distribuição de renda.

 

 

Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região



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