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Selic cai 0,5 ponto em nome do crescimento

Linha fina
Nova taxa de 8,5% é a menor no país desde 1986 e aciona novas regras para a poupança
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São Paulo – Há tempos o Brasil não experimentava taxas básicas de juros tão baixas. Nesta quarta-feira 30, o Copom (Conselho de Política Monetária) decidiu reduzir em 0,5 p.p a Selic alcançando 8,5% ao ano, a menor desde 1986, quando teve início a série histórica.

Cada corte de 0,5 p.p. gera uma economia de cerca de R$ 9,5 bi para o governo federal, no pagamento da dívida pública do país. Esse montante voltará para a sociedade em programas que têm ajudado a alavancar o crescimento do Brasil. Para o período 2011-14, por exemplo, R$ 9,4 bilhões estão destinados a projetos de transformação de favelas em bairros populares em mais de 300 municípios de 14 estados.

A última vez que o país conheceu taxas de juros nominais em patamares similares foi em julho de 2009, com 8,75%, no auge do reflexo da crise financeira internacional. Mas, a partir de então, o percentual se elevou até chegar a 12,5% ao ano em julho e agosto de 2011, com o argumento de frear a economia e conter a inflação.

As medidas foram muito rígidas e a economia brasileira desaqueceu além do esperado, refletindo também os problemas que abatiam os mercados dos países importadores dos nossos produtos. Em 2011 o crescimento do PIB ficou em apenas 2,7% e os dados do início deste ano também não são animadores, principalmente no setor industrial.

Com a nova taxa, o Brasil passa a ocupar o terceiro posto de melhor pagador de juros reais (já descontada a inflação) do mundo (2,8%), deixando para Rússia (4,3%) e China (3,1%) a primeira e a segunda posição, respectivamente (cálculos da Cruzeiro do Sul Corretora).

A outra novidade desta reunião é que pela primeira vez será obrigatória a divulgação dos votos de cada diretor do Copom. A mudança busca adequar o órgão à lei de acesso a informações públicas, que entrou em vigor em 16 de maio.

Poupança – Com a taxa básica da economia em 8,5% o gatilho para aplicação das novas regras da poupança será pela primeira vez acionado. Os depósitos em caderneta realizados a partir de 4 maio passam a ser remunerados por 70% da Selic (5,95%) mais a Taxa Referencial. A regra antiga, 6,17% mais a TR, remunera somente os depósitos realizados antes dessa data ou quando a Selic estiver acima 8,5% a.a..

No início de maio o governo anunciou essas medidas para alterar a poupança que era considerada a principal “trava” para a redução da Selic, já que a remuneração da caderneta estabelecia um “piso” para as demais aplicações financeiras.


Redação - 30/5/2012

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