Não à retirada de direitos

Atos de 1º de Maio ecoam repúdio a reformas

Em São Paulo, organizadores estimam em 200 mil o número de pessoas que participou do ato da CUT, CTB e Intersindical, na Paulista. Centrais vão a Brasília nesta terça-feira

  • Rede Brasil Atual com edição da Redação Spbancarios
  • Publicado em 02/05/2017 11:52 / Atualizado em 02/05/2017 14:22

Presidenta Juvandia fala aos trabalhadores no ato do 1º de Maio, na Paulista

Paulo Pepe

São Paulo – Os atos de 1º de Maio tornaram-se manifestações de repúdio ao governo Temer, com mais intensidade no protesto convocado pela CUT, CTB e Intersindical em São Paulo, com presença das frentes Brasil Popular e Povo sem Medo. Mesmo com dificuldades com Prefeitura, que queria proibir o ato na Avenida Paulista, os organizadores estimaram em 200 mil o número de participantes que seguiram em passeata pela Rua da Consolação até chegar à Praça da República, na região central, no final da tarde, palco de apresentações musicais, que seguiram até a noite. Os shows começaram com a apresentação do grupo As Bahias e A Cozinha Mineira. “Todos juntos contra a reforma da Previdência”, afirmaram, também com homenagens ao cantor e compositor Belchior, que morreu neste final de semana. Depois vieram Leci Brandão, MC Guimê e Emicida.

Sindicalistas e ativistas responderam ao governo Temer, que teve alguns porta-vozes falando em “fracasso” da greve geral da última sexta-feira. “Fracasso é o seu Temer, é o golpe que ele deu e já está indo por água abaixo”, reagiu o coordenador da Frente Povo Sem Medo e do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos. “Com mais de 90% de rejeição, (o governo) quer aprovar reformas infames.”

Boulos lembrou três manifestantes presos durante a greve de sexta. “Foram presos com acusações absurdas, sem nenhuma prova. Ordem pública é o povo com casa, é trabalhador com direito. Nós é que defendemos ordem pública”, disse fazendo referência às acusações contra os militantes que já são considerados presos políticos.

A presidenta da União Nacional dos Estudantes (UNE), Carina Vitral, condenou a violência policial e citou a agressão ao estudante  Mateus Ferreira da Silva, da Universidade Federal de Goiás (UFG), integrante do Centro Acadêmico, sexta-feira, em Goiânia. “Ele foi barbaramente espancado e gravemente ferido. Nós lutamos pelo futuro do Mateus e pelo direito de lutar.”

A presidenta do Sindicato, Juvandia Moreira, também falou aos trabalhadores e destacou, além desses dois episódios, a invasão ocorrida à sede da entidade, na noite de sexta.

Censura – O ato da CUT, CTB e Intersindical ocorreu em clima tranquilo, mas teve alguns incidentes. Pela manhã, os sindicalistas não puderam estacionar o carro de som diante do vão livre do Masp, como previsto. Tiveram de parar alguns quarteirões adiante, na esquina da Paulista com a Rua Haddock Lobo, perto de um prédio residencial, o que provocou reclamações dos moradores. “Eu disse ao síndico que isso é culpa do Doria (o prefeito João Doria, do PSDB), não é culpa nossa”, afirmou o presidente da CUT, Vagner Freitas. Durante a manifestação, o prefeito foi várias vezes “lembrado” nos discursos.

Outro incidente ocorreu já na passeata pela Rua da Consolação, após os manifestantes deixarem a Paulista, rumo à Praça da República. No início do percurso, a Polícia Militar impediu o acesso de um caminhão de som. Sindicalistas tentaram negociar, chegaram a anunciar um acordo, mas depois informaram que a PM “confiscou” as chaves do veículo, que permaneceu parado, enquanto a marcha continuou.

Mídia – Em seu discurso, Vagner destacou a importância do movimento de sexta-feira contra as reformas e o papel da imprensa. “A greve geral foi pauta no mundo inteiro, em toda a mídia mundial. E a mídia golpista escondeu. Precisamos imediatamente voltar a ter democracia no Brasil e fazer o marco regulatório dos meios de comunicação. Acho que a greve geral foi a gota d´água.”

Segundo ele, a paralisação mostrou apoio popular e reprovação da sociedade contra as “reformas” da Previdência e trabalhista. “Estamos na ofensiva e temos de continuar. Vamos ocupar Brasília integralmente e não permitir que haja votação de retirada de direitos.” Na próxima quinta-feira, representantes de todas as centrais e de movimentos sociais vão se reunir para discutir os próximos passos. Mas amanhã uma comitiva de sindicalistas vai a Brasília conversar com o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), e com a bancada do partido, para articular a resistência na Casa, para onde seguiu o substitutivo de mudança da legislação trabalhista.

Os discursos também defenderam a antecipação das eleições gerais de 2018 para este ano. “Nada funciona no Brasil porque não há credibilidade”, disse o presidente da CUT.



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