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PM agride manifestantes; Temer põe exército nas ruas

Marcha Ocupa Brasília foi duramente agredida durante a tarde; no final do dia, envolvido em denúncias de corrupção, Temer baixou decreto que coloca tropas nas ruas por uma semana

  • Redação Spbancarios com informações da Rede Brasil Atual e do UOL
  • Publicado em 24/05/2017 19:19 / Atualizado em 24/05/2017 20:05

Exército nas ruas de Brasília a pedido do cambaleante Michel Temer

Foto: Mídia Ninja

São Paulo – As manifestações contra reformas que retiram direitos dos trabalhadores, pela saída de Michel Temer e em favor das diretas já, o Ocupa Brasília foi duramente reprimido em Brasília na quarta-feira 24. Não contente e envolvido em graves denúncias de corrupção, pressionado por renúncia e pelo menos 12 pedidos de impeachment, Temer baixou decreto colocando o exército nas ruas para "garantir a lei e a ordem".

O anúncio do chamamento das tropas federais foi feito pelo ministro da Defesa, Raul Jungmann, que havia flertado com a intervenção militar em fevereiro de 2016. Jungmann, que assina o decreto junto com Temer, também foi o primeiro apoiador que o presidente chamou para uma reunião após a divulgação do áudio de conversa comprometedora entre ele e um dos donos do frigorífico JBS, Joesley Batista. Após a divulgação da conversa, diversos setores da sociedade passaram a exigir sua saída da Presidência da República.

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Apesar da justificativa da convocação do exército ser por conta do Ocupa Brasília, que começa e acaba nesta quarta 24, Temer determinou que as tropas fiquem nas ruas do Distrito Federal "no período de 24 a 31 de maio de 2017". O decreto também não limita o local onde o exército pode atuar na capital federal (leia abaixo).

A convocação dos militares gerou confusão entre os governistas. Jungmann alegou, em declaração pública, que o pedido de intervenção foi feito pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), declaração que gerou grande revolta durante sessão que comandava na Casa, quase virando uma briga generalizada. Maia deixou o plenário sem deixar claro se realmente havia chamado os militares e, minutos depois, deu uma declaração à imprensa esclarecendo que havia pedido a Força Nacional de Segurança e não o exército. Exigiu, ainda, que Jungmann "reponha a verdade" e se posicionou contra o período de convocação.

Mídia Ninja

A medida repercutiu no Supremo Tribunal Federal. O ministro Marco Aurélio opinou sobre a medida antes de iniciar seu voto em um dos processos julgados na sessão do dia. "Presidente [do STF, Cármen Lúcia], voto um pouco preocupado com o contexto e espero que a notícia não seja verdadeira. O chefe do poder Executivo [Temer] teria editado um decreto autorizando o uso das Forças Armadas no Distrito Forças Armadas no Distrito Federal, no período de 24 a 31 de maio", disse o ministro, segundo o UOL.

Era esperado que as Forças Armadas ocupassem a Esplanada dos Ministérios ainda na noite de quarta 24.

Tiro, porrada e bomba Do lado de fora do Congresso, a Polícia Militar do Distrito Federal usava de violência desmedida contra os manifestantes, ferindo gravemente alguns deles, na tentativa de dispersar o ato que reuniu mais de 200 mil pessoas, segundo a CUT. Dezenas de parlamentares da oposição alegaram terem sido agredidos.

A ação teve início quando o ato se aproximou do Congresso, por volta das 14h. De acordo com a organização, um homem teve um olho perfurado e um morador de rua foi atingido por balas de borracha no pescoço e na barriga. Os feridos foram levados ao Hospital de Base. A violência nas ruas fez com que a sessão do Congresso fosse encerrada.

"Isso faz lembrar os piores tempos da ditadura", afirmou o secretário-geral da CUT, Sérgio Nobre. "Mal a marcha chegou ao parlamento e já começou a ser reprimida com bombas em mulheres, crianças e trabalhadores que estão aqui só para defender seu direito de trabalhar livremente, ter seu direito trabalhista garantido, o acesso à Previdência. Mas se acham que vão nos intimidar, não vão. Vamos reconquistar a democracia neste país", acrescentou.

 



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