Pós-golpe

São quase 28 milhões querendo trabalho. E 4,6 milhões desistiram

Taxa recorde de desemprego e dificuldade para conseguir recolocação no mercado de trabalho fazem quase 5 milhões de pessoas desistirem de procurar emprego; o número é 194% maior que em 2014

  • Tatiana Melim/CUT, com edição Redação Spbancarios
  • Publicado em 17/05/2018 15:46 / Atualizado em 17/05/2018 15:53

Brasil viveu situação próxima ao pleno emprego anos atrás; após o golpe amarga números recordes de desemprego e altos índices de desalentados, que já não conseguem mais procurar trabalho

Foto: EBC

A taxa de subutilização da força de trabalho, que inclui desempregados, pessoas que gostariam e precisam trabalhar mais e aqueles que desistiram de procurar emprego, bateu recorde histórico no primeiro trimestre de 2018, chegando a 24,7% – é mais alta taxa da série iniciada em 2012.

Se comparado com o primeiro trimestre de 2014, antes do golpe de Estado que tirou do poder a presidenta eleita Dilma Rousseff, a população subutilizada cresceu 73%, ou 11,7 milhões de pessoas.

Ao todo, são 27,7 milhões de pessoas com força de trabalho subutilizada. Desse total, 13,7 milhões estão desempregados, o que corresponde a 13,1%. Se comparado com 2014, o número de desempregados cresceu 94,2%, o que significa que há 6,6 milhões de pessoas a mais procurando emprego no país desde o golpe por meio do qual Michel Temer (MDB-SP) assumiu o governo.

Os dados de subutilização da força de trabalho, divulgados na quinta-feira 17 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que foi recorde também a taxa de desalento da força de trabalho. Aumentou em 194,9% o número de pessoas que desistiram de procurar emprego no primeiro trimestre de 2018 em comparação com o mesmo período de 2014.

Assim, o Brasil tem hoje 4,6 milhões de trabalhadores que sequer têm forças para procurar uma vaga no mercado de trabalho, depois de meses e meses de tentativas frustradas. A maioria (60,6%) vive na região Nordeste, onde 2,8 milhões dos desalentados.

Entre os que desistiram de procurar emprego, pretos e pardos são a maioria, representando 73,1%. Do total, 23,4% têm entre 18 e 24 anos e 38,4% ensino fundamental incompleto.

Para o presidente nacional da CUT, Vagner Freitas, o governo golpista e ilegítimo de Temer é "o que a gente sabia que seria: um desastre para a classe trabalhadora brasileira”.

"Não há geração de emprego, milhões de brasileiros desistiram de entregar currículos e outros tantos milhões estão trabalhando por conta própria ou sendo explorados com contratos temporários. O retrato do Brasil pós-golpe é miséria, desalento, desesperança.”

Com o usurpador Temer, diz Vagner, o Brasil tem taxas recordes de desemprego e geração de trabalho precário e informal.

E as pesquisas confirmam a afirmação do presidente da CUT. No primeiro trimestre 2018, o país atingiu o menor número de trabalhadores com carteira assinada desde 2012.

Norte e Nordeste mais penalizados

As regiões Norte e Nordeste são as mais penalizadas com o desemprego e o subemprego. Com uma taxa de desemprego de 15,9%, o Nordeste é a região que atingiu o pior índice.

Já o estado do Amapá registrou a maior taxa (21,5%). Na sequência vêm os estados da Bahia (17,9%) Pernambuco (17,7%), Alagoas (17,7%) e Maranhão (15,6%), todos no Nordeste.

Ainda no Norte e Nordeste o percentual de pessoas que trabalharam por conta própria, sem direitos, em condições precárias e sem renda fixa, também foi maior do que nas demais regiões. São 32,4% de pessoas no Norte e 29% no Nordeste.

Também nessas regiões foram registrados os menores percentuais de empregos com carteira assinada: Norte (62,9%) e Nordeste (59,7%).

O Sul apresentou o maior índice de trabalhadores com registro em carteira (83,3%), assim como também o menor número de desempregados (8,4%).

As menores taxas de desemprego foram registradas nos estados do Sul e Centro-Oeste: Santa Catarina (6,5%) Mato Grosso do Sul (8,4%), Rio Grande do Sul (8,5%) e Mato Grosso (9,3%).

População ocupada

A população ocupada, estimada em 90,6 milhões de pessoas, era composta, no primeiro trimestre de 2018, por 67,4% de empregados, 25,3% de pessoas que trabalharam por conta própria, 4,8% de empregadores e 2,5% de trabalhadores familiares auxiliares.



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