Até parece

Pedro diz que não vai privatizar a Caixa: quem acredita?

Em comunicado publicado na intranet, o presidente do banco tenta minimizar tentativa de privatização; entretanto, abertura de capital e fatiamento da empresa mostram justamente o contrário

  • Danilo Motta, redação Spbancarios
  • Publicado em 14/05/2019 11:50 / Atualizado em 14/05/2019 11:51

Foto: Valter Campanato / Agência Brasil

Os empregados da Caixa Econômica Federal foram surpreendidos nesta segunda-feira 13 com uma verdadeira piada de mau gosto ao chegar para trabalhar. Logo pela manhã, foi publicado na intranet o comunicado: “Caixa não será privatizada, garante Pedro Guimarães”.

O texto reproduz a declaração dada pelo presidente do banco público à imprensa, afirmando que “a Caixa não será privatizada na atual gestão do presidente”. O comunicado garante, ainda, que, para Pedro, a venda do banco está “fora dos planos e que sua gestão tem trabalhado para reforçar a governança e os pilares da empresa”.

“É muito curiosa essa fala do Pedro quando estamos face ao leilão da Lotex, abertura de capital com oferta de ações da Caixa Seguridade e outros ataques e sucateamentos que estamos observando no banco público. É clara a intenção de desmembrar o banco, de modo a criar uma situação favorável à privatização”, criticou o dirigente sindical Dionísio Reis.

Nesta segunda-feira 13, o jornal Valor Econômico noticiou que a Caixa já iniciou o processo de escolha dos bancos de investimentos que vão coordenar a oferta inicial de ações do Caixa Seguridade. Segundo a reportagem, o banco vai receber em 10 dias as propostas dos interessados em participar da operação, prevista para o segundo semestre.

“Esta abertura de capital nos causa estranheza, uma vez que a própria as próprias demonstrações financeiras do banco mostram um crescimento no resultado do Caixa Seguridade nos últimos anos, ultrapassando a marca de R$ 1 bilhão em 2018”, afirmou Dionisio.

Loterias

Após novo adiamento, o leilão para a entrega da Lotex ao capital privado foi remarcado para o dia 28 de maio. Dionisio Reis ressalta que a venda irá derrubar repasses sociais provenientes da arrecadação das loterias.

Para se ter uma ideia, de 2011 a 2016 as loterias da Caixa arrecadaram R$ 60 bilhões. Desse total, R$ 27 bi foram destinados para áreas sociais. Os dados são do próprio balanço do banco público

Apenas em 2016, as loterias operadas exclusivamente pela Caixa arrecadaram R$ 12,9 bilhões, dos quais R$ 4,8 bi foram transferidos para programas sociais. Desse total, 45,4% foram direcionados para a seguridade social, 19% para o Fies, 19,6 % para o esporte nacional, 8,1% para o Fundo Penitenciário Nacional 7,5% para o Fundo Nacional de Cultura 7,5% e 0,4% para o Fundo Nacional de Saúde.

Em 2017, a arrecadação de cerca de R$ 14 bilhões de forma global. Desse valor, 48% foi repassado para programas sociais. Já no ano passado, as loterias operadas exclusivamente pela Caixa arrecadaram R$ 13,9 bilhões, dos quais R$ 5,2 bilhões (37,4% do total) foram transferidos para programas sociais. O leilão, por outro lado, prevê a que o repasse seja de 16,7%.

“Além de derrubar os investimentos sociais, o fatiamento da Caixa enfraquece o banco, que o torna mais passível de ser vendido para o capital privado, que não tem a mesma responsabilidade social que um banco público sustenta. Na década de 1990 chegou haver assinatura, durante a campanha eleitoral, de um documento em que candidatos se comprometeriam a não privatizar o Banespa, e o que aconteceu depois é de conhecimento geral. Não dá para acreditar no discurso do Pedro, principalmente com esse cenário se desenhando por trás”, completou Dionisio.

 



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