Protestos

Tsunami da educação toma escolas e ruas do país

Greve nacional da educação tem ampla adesão e apoio popular. Ministro da Educação teve de prestar depoimento na Câmara. Conselhos de reitores de SP apoia movimento

  • Rede Brasil Atual, com edição da Redação Spbancarios
  • Publicado em 15/05/2019 11:27 / Atualizado em 16/05/2019 12:15

Foto: Reprodução / Twitter / Vagner Freitas

dia nacional de greve na educação, ocorrido nessa quarta 15 de maio, começou com paralisações em escolas e promessas de manifestações em dezenas de cidades pelo país todo. O movimento foi integrado por trabalhadores no setor de ensino, professores, pesquisadores, alunos e pais de alunos. A tag #TsunamiDaEducação já se posiciona no topo do Twitter. A reportagem é da RBA.

A greve também tem apoio das centrais sindicais e de movimentos sociais, que veem na mobilização uma preparação para a greve geral de 14 de junho. O Sindicato dos Bancários de São Paulo também apoia a mobilização dos trabalhadores da educação e esteve em diversos locais de trabalho na manhã desta quarta 15, conversando com bancários e protestando contra os cortes na área e contra a reforma da Previdência do governo Bolsonaro.

Em São Paulo, o ato de protesto começou às 14h diante do Masp, na Avenida Paulista.

Em outras capitais, como Brasília, Belo Horizonte e Curitiba, as manifestações lotaram as ruas logo pela manhã. No Rio de Janeiro, Belém, Salvador, Caruaru (PE), Dourados (MS), Campinas (SP) e centenas de outras cidades também há protestos.

> TEMPO REAL: Acompanhe, no site da CUT, o Dia Nacional de Greve da Educação em todo o país

A expectativa de que a primeira grande greve nacional sob o governo de Jair Bolsonaro se confirme em uma das maiores mobilizações do setor na história do país levou o Palácio do Planalto a bater cabeça na terça-feira 14. Na Câmara, com votos contrários apenas de deputados do PSL e do Novo, os parlamentares aprovaram requerimento de Orlando Silva (PCdoB-SP) convocando o ministro da Educação Abraham Weintraub para dar explicações sobre a política de cortes e sua conduta movida a rancor ideológico contra as universidades federais.

Enquanto isso, o líder do governo na Câmara, Delegado Waldir (PSL-GO), revelou que, durante reunião com Bolsonaro, acompanhado de vários colegas deputados, o presidente teria telefonado para o ministro da Educação para pedir a suspensão dos cortes. A notícia acabou sendo negada por ordem da Casa Civil. Teria sido mais um recuo de um recuo na curta história desde governo.

Mas o deputado Capitão Wagner (Pros-CE), aliado de Bolsonaro e que esteva presente à reunião de onde partiu o telefonema, foi à tribuna e desmentiu o desmentido: “Quem criou o boato? Foi o governo, que voltou atrás e depois voltou atrás de novo. Recuou duas vezes. Ou ministro está mentindo, ou o presidente não ligou para ele. Será que o presidente forjou a ligação na nossa frente?”

Em São Paulo, o conselho de reitores das universidades estaduais (USP, Unicamp, Unesp) divulgou nota em apoio ao movimento.

"No Brasil, como em todos os países desenvolvidos, a pesquisa nas universidades é financiada majoritariamente pelo governo (...) Interromper o fluxo de recursos para estas instituições constitui um equívoco estratégico que impedirá o País de enfrentar e resolver os grandes desafios sociais e econômicos do Brasil", diz o documento.

Na contramão do desenvolvimento

A presidenta do Sindicato, Ivone Silva, destaca que, ao atacar as universidades, o Brasil caminha na contramão de países desenvolvidos como a Alemanha, por exemplo, que acaba de anunciar investimentos de 160 bilhões de euros na educação, ao longo de 2021 e 2030. Ao justificar a medida, a ministra da Educação alemã disse: “Com isso estaremos garantindo a prosperidade de nosso país no longo prazo.”

“E é exatamente isso: os países desenvolvidos percebem que pesquisa resulta em avanços na medicina, avanços tecnológicos, melhoras na indústria, na agricultura e geração de empregos. Aqui estamos indo na direção contrária, acabando com o Estado, atacando a pesquisa acadêmica, atacando a Previdência pública e a seguridade social, precarizando contratos de trabalho e aumentando o desemprego e a desigualdade social. Mas vai ter resistência. Neste dia 15 estaremos nas ruas ao lado dos trabalhadores da educação, e rumo à greve geral do dia 14 de junho.”



Voltar para o topo