Campanha 2018

Mesa de abertura da Conferência destaca importância das eleições

Dirigentes ressaltaram a necessidade de dialogar com bancários e com a sociedade apontando que o resultado das urnas em outubro definirá os rumos do país: se continua no retrocesso e no ataque a direitos trabalhistas e sociais, ou se volta ao projeto democrático e popular

  • Contra-CUT, com edição de Spbancarios
  • Publicado em 09/06/2018 11:30 / Atualizado em 15/06/2018 14:09

Conferência Nacional dos Bancários reúne 696 delegados, representando bancários de todo o pais

Foto: Jailton Garcia/Contraf-CUT

A 20ª Conferência Nacional dos Bancários começou na noite de sexta-feira 8, na Quadra do Sindicato dos Bancários de São Paulo. Até o domingo 10, 627 delegadas e delegados irão definir a pauta de reivindicações da categoria, que será entregue à Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), o sindicato patronal, para dar início à Campanha Nacional dos Bancários deste ano.

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“Nós vivemos um momento bastante difícil. Estamos completando dois anos de golpe e a gente já alertava que o golpe não era contra o PT ou contra a Dilma, mas contra a classe trabalhadora, contra o Brasil e contra a democracia. É um golpe para governar esse país para os ricos” afirmou Juvandia Moreira, presidenta da Contraf-CUT e uma das coordenadoras do Comando Nacional dos Bancários, ao lembrar que depois do golpe, os números do desemprego não pararam de crescer, assim como os números de pobreza e da miséria.

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Para a presidenta da Contraf-CUT, o Brasil está sofrendo um desmonte da sua riqueza. “Nós somos uma categoria que constrói as riquezas do país e não podemos ver tudo isso acontecer sem fazer nada. Por isso, temos de abrir a Conferência Nacional nos preparando para a luta, nos organizando para defendermos a manutenção dos direitos da categoria, defender também a classe trabalhadora, defender o povo brasileiro e defender os interesses do país. É por isso que as eleições são estratégicas nessa campanha. Nós não podemos fazer campanha só pensando no interesse corporativo, nós temos que fazer campanha pensando como reconquistamos a democracia, como acabamos com a miséria desse país.”

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É fundamental eleger um governo democrático e popular

De acordo com Juvandia, é fundamental eleger um governo democrático e popular que pensa na maioria da população. “Ao contrário desses golpistas que tomaram conta do país. É isso que temos que dizer para a categoria, temos que politizar nossa campanha e mostrar que as eleições são fundamentais para o futuro desse país. Nós temos que apontar aos bancários que temos de eleger deputados e senadores comprometidos com nossa pauta. Não adianta fazer campanha nacional pensando no próprio umbigo, nós não vamos conseguir garantir o futuro dos bancários se não vencermos a eleição. Nós precisamos dizer que não é esse país que a gente quer, que governa para apenas 1% da população. Nós queremos um governo que governe para os 100% da população, pois somos os 99% que não detém as riquezas, mas também temos direitos nesse país.”

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Ivone Silva, presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo e uma das coordenadoras do Comando Nacional, exaltou o momento histórico da categoria ao fazer a Conferencia Nacional na Quadra dos Bancários, um local que já recebeu atos tão importantes. “A Conferência faz a abertura de todas as nossas negociações da Campanha Nacional. Ela é também um ótimo ato de democracia. Fazemos o debate com todas nossas divergências e, conseguimos, apesar delas, sempre fechar uma campanha nacional. Para isso, ultrapassamos as nossas diferenças e conseguimos que o Comando faça sempre o melhor para a categoria bancária.”

Segundo Ivone, a categoria fará história em mais um ano, ao fechar a 27ª Convenção Coletiva de Trabalho (CCT). “Quando entregamos a pauta na mesa de negociação, ela vai muito além da nossa categoria. Nós fazemos o debate de gênero, cotas raciais dentro dos bancos e, também, o debate pelo salário digno para o trabalhador. O aumento que o trabalhador tem todo o ano injeta bilhões de reais na economia do país.”

Luta contra o desmonte

O secretário-geral da CUT, Sergio Nobre, lembrou que a central sindical nasceu há mais de 30 anos ao afirmar que as lutas específicas das categorias por salário são muito importantes, mas que é fundamental que elas estejam integradas à luta social mais ampla. “Não dá para fazer uma campanha salarial esse ano e esquecer do desmonte dos direitos trabalhistas, das empresas públicas e dos bancos públicos e dos prejuízos que isso traz para a classe trabalhadora”, disse. Sergio Nobre lembrou ainda da importância da união da classe trabalhadora. “Outras categorias estarão em campanha neste segundo semestre. Teremos que nos unir para lutar contra esse golpe e dar uma basta. Basta ao desemprego, basta à exclusão social”, conclamou.

O presidente da Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa (Fenae), Jair Pedro Ferreira, destacou que, no momento em que as empresas e os bancos púbicos estão sendo atacados, a categoria precisa mostrar para a população a importância das empresas públicas. “Sem os bancos públicos não existirá mais o Minha Casa, Minha Vida e outros tantos programas sociais.”

Conjuntura 

Hermelino Neto, presidente da Central dos Trabalhadores do Brasil (CTB), afirmou que o Brasil está vivendo um momento de ataque às estatais e às conquistas implementadas no país após os governos Lula e Dilma e que é preciso que a categoria bancária esteja preparada para enfrentar duas batalhas: a eleitoral e a salarial. “Nós temos de ter compreensão que a batalha eleitoral é extremamente importante para todos os trabalhadores, pois se formos derrotados em outubro, certamente o golpe será consolidado. A emenda constitucional 95, do teto dos gastos, levou saúde, educação, infraestrutura, segurança para uma questão de caos no nosso país. No processo eleitoral, é importante lançar candidatos para disputar os espaços. Esses espaços são nossos e nós temos que fazer parte dele e alterar essa situação. Nós temos que empolgar a base, trazer a militância, dizer que o golpe foi pra valer e se os bancários não se envolverem nessa luta, a partir de 1 setembro, vamos perder tudo o que conquistamos.”

Para Edson Carneiro da Silva (Índio), secretário-geral da Intersindical, a Conferência Nacional e a Campanha Salarial acontecem no momento mais difícil do nosso país, na qual o desafio é barrar o golpe, revogar a reforma trabalhista, a terceirização, todos os retrocessos, e garantir eleições livres para que possa ser decidido o rumo do país. “Precisamos impedir o desmonte da nossa CCT, politizar o processo e levar a categoria a refletir sobre o que está acontecendo. É fundamental a participação popular e a disposição de luta da classe trabalhadora na derrota do golpe, no reestabelecimento da democracia e no combate às desigualdades.”

 



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