Luta

Sindicato paralisa agência do Itaú contra assédio moral e homofobia

Conduta assediadora e antissindical de gestora da unidade localizada na região de São Miguel Paulista levou a demissão arbitrária de duas bancárias; entidade reivindica que trabalhadoras sejam reintegradas e gestora reorientada

  • Redação Spbancarios
  • Publicado em 12/06/2018 16:49 / Atualizado em 12/06/2018 18:03

Foto: Seeb-SP

“Use roupas mais femininas”. “Passe maquiagem”. “Coloque um salto alto”. “Se você não mudar esse jeito, não vai vender”. Frases como essas eram cotidianamente ditas por uma gestora a uma bancária de uma agência do Itaú localizada na região de São Miguel Paulista. A conduta assediadora, denunciada ao Sindicato, ao invés de prejudicar quem a praticou, levou à demissão da vítima. Para protestar contra os abusos cometidos na unidade, o Sindicato paralisou as atividades do local durante toda a terça-feira 12.

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“Ao exigir que a bancária adotasse um ´estilo` mais feminino, a gestora não apenas adotou uma conduta que configura assédio moral, mas também incorreu em homofobia. Depois de massacrar a bancária com as cobranças quanto ao seu visual, a gestora, que não queria a trabalhadora no quadro de funcionários da sua agência, conseguiu a transferência para outra unidade. Porém, antes fez uma avaliação ruim da trabalhadora, o que a levou a ser demitida um mês após ser transferida. Uma prática comum no Itaú, utilizada de forma que a demissão não seja relacionada com uma possível perseguição por parte de determinado gestor”, esclarece o dirigente do Sindicato e bancário do Itaú, Júlio César.

Demitida com atestado

Outra denúncia que chegou ao Sindicato envolve a mesma gestora. Mesmo com uma cirurgia no punho marcada para dali quinze dias, uma bancária da unidade foi demitida no momento em que foi entregar o seu atestado médico.

“Com uma lesão no punho, possivelmente ocasionada por esforço repetitivo em suas atividades laborais, a bancária procurou ajuda médica, marcou o procedimento cirúrgico, mas soube da sua demissão no momento em que foi entregar o atestado médico para a gestora. Uma crueldade e um desrespeito sem tamanho”, critica Júlio.

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O dirigente lembra ainda que a unidade possui histórico de práticas antissindicais. “Lá existe um problema recorrente de falta de água, mas os gestores pressionam os trabalhadores para que não acionem o Sindicato. O mesmo em relação aos problemas com o ar-condicionado. Para eles, bancário nenhum pode falar com o Sindicato. Uma postura antissindical e mais uma vez assediadora, que coloca em risco a saúde dos trabalhadores.”

“Paralisamos as atividades da agência durante toda a terça 12 e estamos estudando a possibilidade de levar a paralisação por mais dias, até que os problemas sejam sanados. Reivindicamos a reintegração das duas bancárias demitidas, que a gestora seja reorientada e que cessem definitivamente as práticas antissindicais adotas na agência”, conclui Júlio.



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