Abertura

Conferência é oportunidade para organização da categoria

Ivone Silva, presidenta do Sindicato, lembrou que esta é a primeira Conferência após o acordo de dois anos e também que acontece em momento trágico da política brasileira

  • Contraf-CUT
  • Publicado em 29/07/2017 11:42 / Atualizado em 30/07/2017 10:43

Mesa da abertura solente da Conferência Nacional dos Bancários

Foto: Jailton Garcia / Contraf-CUT

São Paulo - A 19ª Conferência Nacional dos Bancários é uma oportunidade inédita para a organização das lutas da categoria. "Temos a oportunidade de construir juntos uma campanha sem a necessidade de discutirmos o índice graças ao acordo de dois anos que fizemos no ano passado", disse Roberto von der Osten, presidente da Contraf-CUT e um dos coordenadores do Comando Nacional dos Bancários. "O ataque que estão fazendo contra os sindicatos e os trabalhadores é uma oportunidade para construirmos um movimento sindical mais forte, desatrelado do governo. O Comando Nacional teve a sabedoria de orientar as federações e sindicatos que o que está em jogo é a defesa do emprego e dos direitos. Vamos construir nessa conferência um plano de enfrentamento, com unidade nacional de bancários de todo o país e de todas as forças que atuam na categoria. Uma campanha de luta classista", ressaltou von der Osten, lembrando que muitos dos sindicatos dos bancários tem mais de 80% de sindicalização.

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Ivone Silva, presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, também coordenadora do Comando Nacional dos Bancários, lembrou que esta é a primeira Conferência Nacional dos Bancários após o acordo de dois anos. Mas, também acontece num momento trágico da política brasileira. “O golpe significou o fim da democracia, ao tirar uma presidenta eleita e colocar um golpista no lugar. A partir daí, começaram a roubar nossos direitos com o conjunto de reformas. Nesta conferência vamos ter de pensar como reverter este cenário. Temos de sair daqui com um plano de lutas para defender nossos direitos. São 25 anos de luta de uma categoria que sabe representar seus trabalhadores, por mais amplo que sejam as suas diferenças. Fomos a primeira categoria a se organizar nacionalmente e a conquistar um acordo de dois anos. Agora, seremos a primeira categoria a se organizar para superar todo esta conjuntura adversa", disse Ivone, segundo matéria da Contraf-CUT.

O presidente da Central Única dos trabalhadores (CUT), Vagner Freitas, apontou que uma parcela da categoria defendeu o golpe. "Foram para a rua bater panelas. Acreditaram que a entrada do golpista traria benefícios para a classe trabalhadora. Não perceberam que o golpe era contra os trabalhadores, não contra Dilma e o PT. Agora eles estão vendo isso. Temos a oportunidade de organizar a luta e o crescimento da militância. O momento propicia o crescimento do movimento sindical. Nosso discurso está tendo ressonância entre os trabalhadores", observou o presidente da CUT.

Gilmar Santos, presidente do Sindicato dos Bancários do Pará, representando a CSD também destacou a importância da conjuntura para o movimento. " O fato de não precisarmos debater ponto a ponto de uma minuta, devido ao acordo de dois anos, nos permite organizar categoria dos ataques que estamos sofrendo", disse.

Emanuel de Souza, representante da Central dos Trabalhadores do Brasil (CTB), concorda que a categoria tem a clareza da gravidade do momento. “Temos clareza do impacto estratégico que teve a reforma trabalhista. Mas, sabemos também que a greve-geral que nós realizamos unificou todas as centrais sindicais do país. Ou seja, nós conseguimos construir uma frente de unidade e resistência, mas ainda não foi suficiente. Então, temos de usar eventos como este para aprimorar nossa unidade e nossa luta e dar um salto na defesa dos nossos direitos e dos bancos públicos.”

O secretário-geral da UNI Américas, Marcio Monzane, garantiu o compromisso da entidade ao lado dos bancários brasileiros neste momento difícil. “Não é exclusividade do Brasil, já aconteceu em outros lugares e em alguns continuar a acontecer. Meu compromisso vai no sentido de firmar uma ponte como os países que já passaram por isso e sobreviveram, para aprendermos com essas experiências e construirmos uma luta mais forte.”

O secretário geral da Confederação Nacional de Vigilantes e Prestadores de Serviços (CNTV), Cláudio José de OIiveira, disse que os trabalhadores já estão se organizando contra as consequências dos ataques contra os direitos dos trabalhadores. "Nossa categoria está em todo o Brasil fazendo plenárias para mostrar para nosso segmento o que vai acontecer a partir de novembro, devido à aprovação da reforma trabalhista. Neste momento de destruição da CLT, precisamos nos unir e nos fortalecer. Temos que nos unir para garantir nossos direitos, como diz o tema desta conferência", disse o representante da CNTV.

O Primeiro Secretário da Federação dos Empregados em Estabelecimentos Bancários dos Estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul (Feeb-SP/MS), Reginaldo Lourenço Breda, lembrou que esta é a primeira conferência pós-reforma. "Está uma bagunça política geral. O trabalhador está confuso e a categoria sendo massacrada diariamente. Essa conferência vai nortear o que devemos fazer nos próximos anos. Temos que sair daqui com um plano de luta bem estruturado". disse.

Edson Carneiro, secretário Geral da Intersindical observou que, da última conferência pra cá, tivemos a aprovação do limite de gastos públicos, da reforma trabalhista, da desobrigação de que as plataformas da Petrobras tenham o mínimo de conteúdo nacional e ainda está pautada a reforma da previdência. "Vivemos o período mais grave de nossa história, com um governo constituído a partir de um golpe que foi colocado no poder para acabar com os direitos dos trabalhadores e acabar com o projeto de nação. Não há outra saída a não ser a de realização de eleições diretas para substituir esse governo golpista", disse o dirigente da Intersindical.

Para Nilton Esperança, presidente da Fetrafi RJ/ ES, é o momento de deixar claro para a categoria que precisamos de unidade. “Como o negociado vai sobrepor sobre o legislado, mas mais do que nunca temos de mostrar nossa força de categoria organizada nacionalmente e entrar com tudo na luta. Esse é o momento de união de toda nossa categoria.”

Wilson Ribeiro, membro da executiva da CSP-Conlutas, exaltou a luta para construir uma unidade por nenhum direito a menos. “Queremos juntos construir uma greve-geral para parar todo o Brasil. Acreditamos que a democracia é fundamental para construir a unidade de fato.”

Durante a abertura da Conferência, os delegados prestaram homenagem a Augusto Campos, Sebastião Cardoso (Tião), Jorge Costa Ferreira(Jorginho) e Rebecca Costa Serra Valle, que falecerem recentemente, que, após a apresentação de um vídeo de homenagem foi transmitido lembraram que eles sempre estarão presentes na luta.



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