Crise para quem?

Lucro do Bradesco não para de crescer

Lucro no 1º semestre de 2018 cresceu 9,7% em relação ao mesmo período do ano anterior e alcançou R$ 10,263 bi; mesmo assim, em 12 meses cortou 7.460 empregos. Bancários estão em Campanha Nacional e exigem valorização

  • Redação Spbancarios
  • Publicado em 26/07/2018 16:18 / Atualizado em 27/07/2018 18:02

Foto: Mauricio Morais

O Bradesco obteve, no 1º semestre de 2018, lucro líquido recorrente de R$ 10,263 bilhões, crescimento de 9,7% em relação ao mesmo período do ano passado. Mesmo apresentando resultados cada vez maiores, o banco não se constrange em cortar postos de trabalho. Em 12 meses (junho de 2017 a junho de 2018) já são 7.460 vagas a menos. 

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“O Bradesco, assim como todo o setor financeiro, não tem qualquer justificativa para demitir. Os lucros e o número de clientes são cada vez maiores. Em 12 meses, o banco ganhou 2,1 milhões de novos clientes. Apenas no setor de previdência, foram 400 mil clientes a mais”, critica a secretária de Formação do Sindicato dos Bancários de São Paulo e trabalhadora do Bradesco Erica de Oliveira.

“Por outro lado, o Bradesco, no mesmo período, reduziu em 368 o número de agências. Menos bancários, menos agências e mais clientes. O resultado dessa equação não poderia ser outro: mais sobrecarga e adoecimento para os trabalhadores e um atendimento cada vez mais precarizado para os clientes. Não é por acaso que todos os dias recebemos denúncias dos bancários da rede de agências e também dos departamentos alertando sobre a falta de pessoal cada vez mais acentuada. Já cobramos solução do banco para este problema”, acrescenta.

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Apenas com a receita de prestação de serviços e tarifas bancárias, que tiveram alta de 6,1% e alcançaram R$ 12,4 bilhões, o Bradesco cobre 132% do total das suas despesas com pessoal.

“Estamos em meio a nossa Campanha Nacional Unificada e uma das nossas reivindicações é justamente o fim das demissões e mais contratações para combater a sobrecarga de trabalho, o alto nível de adoecimento da categoria e melhorar o atendimento à população. O Bradesco precisa ter responsabilidade social e não colaborar para aumentar ainda mais a já altíssima taxa de desemprego no país”, conclui Erica.

Outros dados

Contribuiu para o resultado semestral do Bradesco a queda nas despesas de intermediação financeira, com destaque para as despesas de captação (queda de 36,4%) e despesas de provisão para devedores duvidosos (queda de 39,6%). Além disso, as despesas de pessoal também apresentaram queda de 0,8% no primeiro semestre, em relação ao mesmo período do ano passado. 

A rentabilidade do Bradesco chegou a 18,5%, aumento 0,3 ponto percentual em relação ao 1º semestre de 2017. A carteira de crédito cresceu 4,5% nos últimos 12 meses, sendo 3,5% no crédito Pessoa Jurídica e 6,3% no crédito Pessoa Física. Os destaques em pessoa física foram o crédito consignado (13,1%) imobiliário (8,2%) e veículos (13,9%).

O índice de inadimplência caiu pelo quinto trimestre consecutivo e chegou a 3,92%, ante 4,9% em junho de 2017.



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