Crise para quem?

Itaú lucra R$ 12,8 bilhões no primeiro semestre e pode atender reivindicações

Resultado representa crescimento de 3,7% em relação ao mesmo período de 2017; Bancários, no contexto da Campanha Nacional 2018, cobram aumento real, fim das demissões e respeito às conquistas históricas da categoria

  • Redação Spbancarios
  • Publicado em 31/07/2018 16:28 / Atualizado em 31/07/2018 16:44

Foto: Anju

O Itaú obteve lucro líquido recorrente de R$ 12,8 bilhões no primeiro semestre de 2018, que corresponde a um crescimento de 3,7% em relação ao mesmo período de 2017, ano em que obteve o maior lucro da história de uma instituição financeira no Brasil. Com isso, a rentabilidade do banco subiu de 21,8% para 22% no período.

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Para Marta Soares, bancária do Itaú e secretária de Imprensa e Comunicação do Sindicato, os lucros sempre crescentes dos bancos no Brasil são a prova de que é possível e justa a valorização dos bancários no contexto da Campanha dos Bancários 2018.

“O lucro do Itaú, assim como os resultados de Bradesco e Santander, que também já divulgaram seus balanços semestrais, evidencia que os bancos podem valorizar seus trabalhadores com aumento real, o fim das demissões e respeito às conquistas históricas da categoria. O setor financeiro segue, com sobras, sendo o mais lucrativo da economia. Nada mais justo que valorizar os trabalhadores, que de fato constroem seus resultados. Teremos negociação com a Fenaban na quarta (1) e esperamos que os banqueiros apresentem proposta nesse sentido”, enfatiza Marta.

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Impactou o resultado do Itaú no semestre principalmente a redução das suas despesas com destaque para a despesa de captação de recursos, com queda de 6,3%; despesas financeiras de provisões técnicas de seguros, previdência e capitalização, com queda de 48,1%; e as despesas de provisão para devedores duvidosos, que tiveram queda de 28%.

Tarifas

As receitas do Itaú com prestação de serviços e tarifas bancárias tiveram elevação de 8,9%, chegando a R$ 18,8 bilhões no semestre. Apenas com essa receita, o banco cobre 166,3% do total de suas despesas de pessoal, ou, em outras palavras, o Itaú paga toda a sua folha salarial, incluindo PLR, e ainda sobram R$ 7,5 bilhões.

Empregos e agências

O número de trabalhadores do Itaú no Brasil chegou a 86,1 mil, aumento de 4,9 mil em relação a junho de 2017. Já o número de agências físicas teve crescimento de oito unidades em relação a junho de 2017. Por outro lado, quando analisado o número de unidades registrado em março deste ano, 56 agências físicas foram fechadas.

O número de agências digitais chegou a 160 em todo o país, crescimento de seis unidades em relação a junho de 2017.

“O aumento no número de trabalhadores advém principalmente da incorporação da área de varejo do Citibank, que trouxe 2.897 novos funcionários. Além disso, o banco afirma no documento que tem contratado mais na área de tecnologia para acelerar o seu processo de transformação digital. O que vemos no banco é justamente um processo agressivo de automação de áreas, inclusive sendo imposto prazo para que os próprios trabalhadores busquem nova colocação para evitar a demissão. Lembrando que o Itaú, ao assinar a Convenção Coletiva de Trabalho 2016/2018, se comprometeu em efetivar o Centro de Requalificação e Realocação Profissional, previsto na cláusula 62”, esclarece Marta, reforçando ainda que o Itaú deveria parar de demitir e contratar mais trabalhadores para atuar em agências físicas e departamentos, reduzindo a sobrecarga de trabalho, combatendo o adoecimento do trabalhador bancário e melhorando o atendimento à população.     

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A diretora do Sindicato lembra ainda que Roberto Setubal, copresidente do Conselho de Administração e ex-presidente do Itaú, foi um dos defensores mais fervorosos da reforma trabalhista e o banco foi o primeiro a adotar pontos da nova legislação como, por exemplo, a retirada das homologações dos sindicatos, prejudicando a conferência do correto pagamento dos bancários.

“A defesa que o Itaú fez da reforma trabalhista, o fato de ser um dos primeiros bancos a aplicá-la, e seus lucros sempre crescentes revelam o tamanho da ambição dos banqueiros. Mesmo faturando como nunca, o Itaú insiste em jogar nas costas dos trabalhadores, dos seus direitos e proteções legais, a `culpa´ por uma crise que não o afeta. Agora, em meio a nossa campanha, é hora dos banqueiros mudarem essa postura injustificável e valorizarem os trabalhadores. Queremos proposta que garanta direitos, empregos e aumento real”, conclui Marta.

Outros números

A carteira de crédito do banco chegou a R$ 623,3 bilhões, elevação de 6,1%, em relação a junho de 2017, sendo que os empréstimos para pessoas físicas cresceram 8,7%, com destaque para o cartão de crédito, que teve aumento de 17,2%.

Já o crédito Pessoa Jurídica apresentou queda 3%, impactado pela queda de 7,4% para grandes empresas. Para as micro, pequenas e médias empresas, houve expansão de 9,8% na carteira de crédito.

A taxa de inadimplência da carteira de crédito caiu de 3,9% em junho de 2017 para 3,4% em junho de 2018.



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