Mantenha pressão

Mobilização impede votação do projeto Escola Sem Partido

“Com esse projeto iremos colocar mordaças nas escolas e não criaremos pessoas que vão construir um saber, que sempre pressupõe uma resignificação da própria realidade”, critica a deputada federal Érika Kokay

  • Érica Aragão, da CUT
  • Publicado em 05/07/2018 12:37 / Atualizado em 05/07/2018 13:58

Foto: Christian Braga/Jornalistas Livres

A mobilização da sociedade civil, de educadores, estudantes e da oposição parlamentar ao governo ilegítimo e golpista de Michel Temer (MDB-SP) foi determinante para cancelar a reunião marcada para a manhã de quarta-feira 4 da Comissão Especial que trata do Projeto de Lei 'Escola Sem Partido', programa que proíbe conteúdos de "gênero" e de "orientação sexual" em escolas brasileiras. 

A avaliação é da deputada federal, Érika Kokay (PT-DF), membro da comissão que trata do assunto e autora do requerimento ao projeto de lei que exige um debate público sobre o tema antes da votação. A reportagem é da CUT.

“A mobilização da sociedade, do conjunto de educadores e de alunos, foi fundamental e é muito importante que a comunidade escolar sensibilize o conjunto da população sobre os riscos que estamos correndo”, disse a deputada.

A apresentação de um substitutivo, o voto separado de inconstitucionalidade do PL e o pedido de requerimento de audiência pública para discutir de forma mais ampla a proposta foram as justificativas para o cancelamento da reunião, que tinha grandes chances de aprovar o projeto ainda nesta quarta. Não há previsão de uma nova data para tratar do PL.

Segundo Érika Kokay, a oposição, que é minoria na comissão, vai utilizar todos os instrumentos possíveis de obstrução, mas a força maior é o respaldo da sociedade civil.

“Quando a sociedade se coloca em movimento e pressiona os parlamentares, nós, que somos minoria, nos tornamos maiores. Foi assim que nós conseguimos cancelar a reunião de hoje [quarta-feira 4], tirar a reforma da Previdência da pauta de votação e impedir as privatizações”, disse a deputada.

O professor Fernando Penna, que é do movimento “Professores Contra o Projeto Escola Sem Partido”, que combate diariamente o projeto, disse, em entrevista à Carta Maior, que as pessoas que não sabem do que se trata ouvem “Escola Sem Partido” e pensam: “isso é bom, escola não deve ser dominada por nenhum partido”.

“O nome caiu muito bem. Os movimentos conservadores sabem utilizar a linguagem das redes sociais e do senso comum. Um vereador, inclusive, disse que havia assinado o projeto sem ler. Temos, portanto, que mostrar aos legisladores que existe uma forte resistência contra.”

O professor também contou que foi lançada a Frente Nacional contra o ‘Escola Sem Partido’, no Rio de Janeiro.

“Essa Frente está sendo criada agora e conseguiu uma adesão muito grande, com a participação de entidades de educação, sindicatos, movimentos sociais e parlamentares. Sem dúvidas, a Frente será um instrumento importante para que possamos conseguir uma mobilização mais organizada pelo Brasil inteiro”.

Barrar o Projeto Escola Sem Partido

O PL 7180/2014 prevê a alteração da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) com intuito, segundo os autores do projeto, de ter uma escola mais neutra e eliminar a ‘doutrinação ideológica nas escolas’. Os defensores do ‘Escola Sem Partido’ dizem que basta ler o projeto para saber do que se trata, mas, segundo especialistas, parlamentares e professores que estudam o tema, não é bem assim.

Para a secretária de Mobilização e Relação com os Movimentos Sociais, Janeslei Albuquerque, o ‘Escola Sem Partido’ é um projeto de pensamento único para impedir o debate democrático sobre temas fundamentais, como preconceito e o machismo.

“Esse movimento quer criminalizar os comportamentos chamados de transgressores, para impedir o debate sobre preconceito e o machismo e ignorar o aumento do fascismo e da violência contra mulher”, afirma Janeslei, que também é professora no Paraná.

Ela alerta ainda que é preciso analisar quem está por trás dessa proposta. “Os mesmos movimentos e organizações que apoiam este projeto ditatorial são os que tiveram na formulação da reforma do ensino médio, que tira matérias como filosofia, arte e sociologia e coíbe o pensamento crítico sobre as relações sociais”, denuncia.

“A ideia deles é impedir que se façam críticas às desigualdades e injustiças produzidas pelo capitalismo. Eles defendem valores como propriedade privada, responsabilidade individual, meritocracia.”

Para a deputada federal Érika Kokay, essa proposta, conhecida como “Lei da Mordaça”, afronta qualquer possibilidade de uma educação que desenvolva uma humanidade e uma consciência crítica.

“Com esse projeto iremos colocar mordaças nas escolas e criar reprodutores de conteúdo e não pessoas que vão construir um saber, que sempre pressupõe uma resignificação da própria realidade”, avaliou a parlamentar.

“A educação é ferida mortalmente quando se estabelece que na escola haverá apenas a transmissão de conteúdo, ignorando a troca de saberes, e ainda trata o aluno como um receptor vazio, que tem que engolir um conteúdo imposto de forma hierarquizada.”

Pressione deputados da comissão especial a votarem contra o projeto 'Escola Sem Partido':

RODRIGO MAIA – DEM/RJ
Presidente da Câmara dos Deputados
(61) 3215-5308 | [email protected]

 ALAN RICK MIRANDA – DEM/AC (titular)
(61) 3215-5650 | [email protected]

ANTONIO BULHÕES – PRB/SP (titular)
(61) 3215-5327 | [email protected]

BACELAR – PODE/BA (titular)
(61) 3215-5381 | [email protected]

DARCÍSIO PERONDI – MDB/RS (titular)
(61) 3215-5518 | [email protected]

EDUARDO BOLSONARO – PSL/SP (titular)
(61) 3215-5481 | [email protected]

HILDO ROCHA – MDB/MA (titular)
(61) 3215-5734 | [email protected]

JOÃO CAMPOS – PRB/GO (titular)
(61) 3215-5315 | [email protected]

JOSUÉ BENGTSON – PTB/PA (titular)
(61) 3215-5505 | [email protected]

LINCOLN PORTELA – PR/MG (titular)
(61) 3215-5615 | [email protected]

MARCOS ROGÉRIO – DEM/RO (presidente)
(61) 3215-5930 | [email protected]

PASTOR EURICO – PATRI/PE (titular)
(61) 3215-5906 | [email protected]

ARNALDO FARIA DE SÁ – PP/SP (suplente)
(61) 3215-5929 | [email protected]

CARLOS ANDRADE – PHS/RR (suplente)
(61) 3215-5758 | [email protected]

JOSÉ CARLOS ALELUIA – DEM/BA (suplente)
(61) 3215-5854 | [email protected]

JUNIOR MARRECA – PATRI/MA (suplente)
(61) 3215-5537 | [email protected]

JEFFERSON CAMPOS – PSB/SP (titular)
(61) 3215-5346 | [email protected]

PAULO FREIRE – PR/SP (titular)
(61) 3215-5416 | [email protected]

JOAQUIM PASSARINHO – PSD/PA (suplente)
(61) 3215-5339 | [email protected]

FÁBIO SOUSA – PSDB/GO (titular)
(61) 3215-5271 | [email protected]

FLAVINHO – PSC/SP (relator)
(61) 3215-5369 | [email protected]

ROGÉRIO MARINHO – PSDB/RN (titular)
(61) 3215-5446 | [email protected]

IZALCI LUCAS – PSDB/DF (suplente)
(61) 3215-5602 | [email protected]

RICARDO IZAR – PP/SP (titular)
(61) 3215-5634 | [email protected]

LEO DE BRITO – PT/AC (titular)
(61) 3215-5619 | [email protected]

PEDRO UCZAI – PT/SC (titular)
(61) 3215-5229 | [email protected]

PROFESSORA MARCIVANIA – PCdoB/AP (titular)
(61) 3215-5338 | [email protected]

POMPEO DE MATTOS – PDT/RS (titular)
(61) 3215-5704 | [email protected]

DELEGADO FRANCISCHINI – PSL/PR (titular)
(61) 3215-5265 | [email protected]

JUNIOR MARRECA – PATRI/MA (suplente)
(61) 3215-5537 | [email protected]

MARCO FELICIANO – PODE/SP (suplente)
(61) 3215-5254 | [email protected]

ROBERTO ALVES – PRB/SP (suplente)
(61) 3215-5946 | [email protected]

SÓSTENES CAVALCANTE – DEM/RJ (suplente)
(61) 3215-5560 | [email protected]

ERIKA KOKAY – PT/DF (suplente)
(61) 3215-5203 | [email protected]

JOAQUIM PASSARINHO – PSD/PA (Suplente)
(61) 3215-5339 | [email protected]

SORAYA SANTOS – PR/RJ (suplente)
(61) 3215-5352 | [email protected]

ÁTILA LIRA – PSB/PI (suplente)
(61) 3215-5640 | [email protected]

EZEQUIEL TEIXEIRA – PODE/RJ
(61) 3215-5210 | [email protected]

GLAUBER BRAGA – PSOL/RJ (titular)
(61) 3215-5362 | [email protected]

JEAN WYLLYS – PSOL/RJ (suplente)
(61) 3215-5646 | [email protected]



Voltar para o topo