O quarto deste ano

Novo ministro do Trabalho tem irmão juiz crítico da 'reforma'

Advogado de empresas e consultor de escritório que tem como sócia a mulher de Gilmar Mendes, Caio de Mello foi desembargador no TRT de Minas e é irmão de desembargador contrário a projeto que mudou a CLT

  • Rede Brasil Atual, com edição da Redação Spbancarios
  • Publicado em 10/07/2018 17:46 / Atualizado em 10/07/2018 18:33

Escolhido por Temer, ministro defende empresas e tem como sócio mulher de Gilmar Mendes

Foto: Marcos Corrêa/PR/ Fotos Públicas

Depois de um vaivém de nomes desde janeiro, o advogado Caio Vieira de Mello tomou posse na terça-feira 10, como ministro do Trabalho. Formalmente, é o quarto ministro neste ano, considerando a nomeação fracassada da deputada Cristiane Brasil (PTB-RJ), o interino-efetivo Helton Yomura, afastado por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), e o ministro tampão por cinco dias Eliseu Padilha

O novo titular é irmão do ministro Luiz Philippe Vieira de Melo Filho, do Tribunal Superior do Trabalho (TST), um crítico da "reforma" trabalhista e da terceirização.

Caio Luiz de Almeida Vieira de Mello formou-se em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Entre 2008 e 2009, foi vice-presidente judicial do Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região (TRT-3), em Minas. Reportagem do jornal Valor Econômico mostrou que o novo ministro advogou "para grandes empresas em causas trabalhistas processadas no Supremo Tribunal Federal (STF)". 

Seu nome aparece como consultor do tradicional escritório de advocacia Sergio Bermudes, fundado em 1969, com sedes em Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo. Entre as 15 especialidades do escritório, citadas em sua página na internet, não aparece o Direito do Trabalho. Entre seus clientes, estão empresas como Vale, Bradesco e Odebrecht.

Outra consultora é Elena Landau, ex-analista do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e da Confederação Nacional da Indústria (CNI), além de assessora econômica do PSDB e diretora de desestatização do BNDES durante as privatizações da era Fernando Henrique Cardoso. Em evento em janeiro último, ela afirmou que deveria ser "proibido" criar estatais.

A advogada Guiomar Feitosa Lima Mendes é sócia do escritório. Ela é casada com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes.

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