Assessoria

Rodada de negociação frustra trabalhadores

Fenaban chega à mesa sem resposta sobre proposta de pré-acordo para garantir validade da CCT após 31 de agosto, que foi apresentada já na entrega da pauta de reivindicações, em 13 de junho; próxima rodada será dia 12 de julho

  • Publicado em 04/07/2018 13:13 / Atualizado em 04/07/2018 13:17

São Paulo, 28/06 - Na primeira rodada de negociação, a Federação dos Bancos (Fenaban) não garantiu direitos dos trabalhadores, nem a manutenção da negociação nacional, como estabelece a Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), que completa 27 anos. A reunião aconteceu nesta quarta-feira (28) entre os representantes dos bancos e o Comando Nacional dos bancários, em São Paulo.

Uma próxima reunião acontece no dia 12/07 e os trabalhadores aguardam a assinatura de pré-acordo garantindo a ultratividade, princípio que garante a manutenção das clausulas da CCT  até a assinatura da nova convenção.  Esse pré-acordo é necessário em função da nova legislação trabalhista, que precariza as relações de trabalho.

“Estamos mobilizados pelo fortalecimento da democracia. Vamos manter a nossa reivindicação, mobilização e luta para manter nossos direitos e esperamos que os bancos tenham maior responsabilidade social, para contribuir com o desenvolvimento e a geração de empregos do país”, disse Ivone Silva, presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região e uma das coordenadoras do Comando Nacional.

“Viemos para a mesa com disposição total de negociação e a expectativa de sair com um pré-acordo assinado e garantir os direitos dos trabalhadores, como vales refeição, alimentação, auxílio-creche/babá, mas isso foi frustrado pela postura dos bancos que não deram resposta nenhuma ao assunto”, afirma a presidenta da Contraf-CUT, Juvandia Moreira, coordenadora do Comando. “Queremos negociação com seriedade. Nossa CCT está em risco, assim como todos os direitos da categoria, inclusive nossa PLR e a mesa unificada nacional entre bancos públicos e privados”, alerta a dirigente” .

 

Campanha – Os bancários são uma das poucas categorias no país que possui Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) com validade nacional. Os direitos conquistados têm legitimidade em todo o país. São cerca de 485 mil bancários no Brasil, sendo 140 mil na base do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, o maior do país. Representa trabalhadores dos bancos públicos e privados que atuam nos seguintes municípios: São Paulo, Osasco, Carapicuíba, Barueri, Caucaia do Alto, Cotia, Embu, Embu Guaçu, Itapecerica da Serra, Itapevi, Jandira, Juquitiba, Pirapora do Bom Jesus, Santana do Parnaíba, São Lourenço da Serra, Taboão da Serra, Vargem Grande Paulista. A categoria conseguiu aumento real acumulado entre 2004 e 2017 de 20,26% e 41,6% no piso.

Consulta – Na Consulta Nacional dos Bancários, a categoria definiu como prioridades o aumento real (25%), manutenção de direitos (23%), combate ao assedio moral (18%) e manutenção do emprego (15%). Este ano, 60% dos entrevistados afirmaram estar dispostos a fazer greve para defender seus direitos, destacaram também que a aprovação da reforma Trabalhista foi péssima para o trabalhador (73%).

Lucro dos bancos – A lucratividade do setor bancário é a mais elevada da economia brasileira, quando comparada a outros setores de atividade. De acordo com estudo da consultoria Economatica que avaliou as empresas de capital aberto, o setor bancário com 21 instituições tem o maior lucro consolidado no primeiro trimestre de 2018 com R$ 17,59 bilhões. Crescimento de 14,18%, em relação ao mesmo período de 2017. O levantamento foi elaborado com base nos demonstrativos financeiros padronizados entregues à CVM.



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