Defesa dos bancos públicos

Atos reforçam que a vida de todos vai piorar sem bancos públicos

Protestos simultâneos integram campanha nacional dos bancários e sintetizam reação do movimento sindical contra ataques do governo Temer a essas empresas responsáveis pelo desenvolvimento econômico e social do país

  • Redação Spbancarios
  • Publicado em 30/08/2017 18:48 / Atualizado em 31/08/2017 11:32

Protesto em defesa dos bancos públicos diante da prefeitura de São Paulo

Foto: Seeb-SP

São Paulo – Representantes dos trabalhadores deflagraram atos simultâneos na região metropolitana de São Paulo na quarta-feira 30 para reforçar à população que sem os bancos públicos o preço dos alimentos vai aumentar, o sonho da casa própria e de um diploma universitário serão inviabilizados, o setor produtivo terá mais dificuldades para abrir novas vagas de emprego. Resumindo, a vida de todos será pior sem o financiamento público no desenvolvimento. A mensagem se faz necessária diante dos ataques que a Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, BNDES e demais bancos públicos vêm sofrendo do governo Temer.

Os protestos integram a campanha nacional dos bancários, na qual um dos eixos é a defesa dos bancos públicos, e foram realizados em frente à prefeitura de São Paulo, nos bairros paulistanos Vila Clementino, Campo Limpo, Lapa e Penha, e no município de Embu das Artes.

“O papel dos bancos públicos é fundamental no financiamento da indústria nacional, na aquisição da casa própria, na agricultura familiar e na melhoria da infraestrutura” reforça a presidenta do Sindicato, Ivone Silva, acrescentando que somente os bancos públicos aumentaram sua participação no crédito, passando de 36% para 56% do total concedido entre 2008 e 2016. "Os bancos privados, por outro lado, tiveram redução de 3% no saldo de crédito nos últimos dois anos. Atualmente, o Banco do Brasil representa 19,6% do total de crédito no Sistema Financeiro Nacional (SFN) e 58,4% de crédito no agronegócio", informa. 

Durante os protestos, dirigentes sindicais fizeram reuniões em agências da Caixa e do BB alertando os bancários sobre os riscos que pairam sobre as condições de trabalho nessas instituições. Eles também coletaram assinaturas da população em defesa dos bancos públicos e distribuíram material informativo sobre a importância dessas empresas para a sociedade e o país. 

A prefeitura de São Paulo foi escolhida como um dos palcos do protesto em razão de declarações recentes do prefeito de São Paulo (e provável candidato a presidente) de que, se dependesse dele, privatizaria o BB ou a Caixa. A Vila Clementino foi outro local designado porque uma agência da Caixa localizada no bairro será fechada já em setembro – o movimento sindical apurou que a direção do banco pretende fechar mais de 100 unidades em todo o país.

Em 2015, a Caixa foi responsável por cerca de 70% do crédito para compra da casa própria e, junto com o Banco do Brasil, financiou mais de 2,2 milhões de bolsas de estudo em universidades particulares.

O Banco do Brasil, junto com o Banco do Nordeste (outro banco público) são os dois maiores ofertantes de crédito via Programa Nacional de Fortalecimento à Agricultura Familiar (Pronaf), que cobra taxa de juros de 2,5% a 5,5% ao ano. Sem o Pronaf, o agricultor teria de pagar 70% de taxa de juros ao ano. A agricultura familiar produz 70% dos alimentos consumidos pelos brasileiros.

Encolhimento – A informação apurada pelo movimento sindical de que a direção da Caixa pretende encerrar as atividades de 122 agências consideradas deficitárias soma-se ao fechamento de mais de 400 unidades do Banco do Brasil e a eliminação de milhares de postos de trabalho em ambos os bancos, por meio de programas de demissão voluntária. No Banco do Brasil foram cortados 10 mil vagas de trabalho.

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Na Caixa foram outras 4,7 mil, mas o governo está forçando a demissão de mais 5 mil empregados por meio da reabertura do Programa de Desligamento Voluntário Extraordinário (PDVE).

Ainda na Caixa, uma reestruturação iniciada em julho está reduzindo o número de empregados e de funções nos departamentos responsáveis pela administração de programas sociais, crédito imobiliário e FGTS.

“A Caixa administra e paga diversos benefícios sociais, algo impossível de ser calculado pela lógica de mercado, portanto não podemos aceitar que a direção do banco determine a viabilidade das agências de acordo com o retorno financeiro. É um trabalho mais profundo de desenvolvimento social que a população precisa defender a todo custo sob o risco de ter a sua condição de vida deteriorada”, alerta Dionísio Reis, coordenador da Comissão Executiva dos Empregados (CEE/Caixa). “O fechamento de agências representa não só um ataque à população, mas também à economia local, porque grande parte dos benefícios acaba sendo gasto na região onde as agências estão situadas”, acrescenta o dirigente. 

O BNDES é outro banco público que sofre ataques do governo Temer. No final do ano passado, o governo federal determinou o repasse ao Tesouro Nacional de R$ 100 bilhões que estavam destinados a fomentar o setor produtivo. Além disso, a Câmara dos Deputados aprovou, na quinta-feira 24, Medida Provisória que acaba com a taxa de juros subsidiada concedida pela instituição

O movimento sindical bancário costura o apoio de prefeituras e câmaras de vereadores na campanha de defesa dos bancos públicos.

“Estamos reforçando não só aos bancários e à população, mas também aos seus representantes eleitos que o enfraquecimento do investimento público no desenvolvimento social não interessa a ninguém a não ser aos bancos privados, que terão ainda menos concorrência em um setor já extremamente concentrado e que poderão cobrar juros ainda mais caros da população e do setor público”, alerta João Fukunaga, representante de São Paulo na Comissão de Empresa dos funcionários do Banco do Brasil. “Estamos denunciando que a diminuição dos bancos públicos representará a piora da economia dos municípios e da condição de vida dos seus cidadãos”, acrescenta o dirigente. 



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