Capital

Superintendente de SP capital assedia funcionários

Gestor estipula metas e força venda casada por meio de instrumento de gestão que pode gerar inclusive demissão em caso de descumprimento

  • Redação Spbancarios
  • Publicado em 02/08/2017 16:27 / Atualizado em 07/08/2017 13:31

Arte: Freepik

São Paulo – O Superintendente de São Paulo capital do Banco do Brasil emitiu uma Ordem de Serviço (OS) direcionada aos gerentes estabelecendo percentuais mínimos de vendas para produtos como Seguro Prestamista, Tarifa Free, Conta Nova Pessoa Física – Cheque Especial, Cartão, dentre outros.
 
A OS é uma solicitação formal do banco que se não for cumprida pode acarretar em sanções administrativas como perda de função e até demissão. “Estabelecer o cumprimento de metas por meio de uma Ordem de Serviço é claramente uma forma abusiva de pressão e ameaça a fim de obrigar os funcionários a atingirem os resultados”, critica a bancária do BB e dirigente sindical Sílvia Muto.

“A cobrança abusiva e assediadora por meio da OS coincide com as práticas de desmonte do Banco do Brasil, como retirada de clientes das agências, encerramento de unidades e redução de funcionários e funções”, afirma Sílvia. “Cobrar e ameaçar os funcionários sem dar condições para que os resultados sejam atingidos é o mesmo que fraudar provas e situações para justificar possíveis descomissionamento e demissões”, acrescenta.

Os trabalhadores que sofrerem qualquer tipo de pressão devem denunciar ao Sindicato por meio do canal Assuma o Controle, pelo (11) 3188-5200 ou enviando WhatsApp pelo (11) 97593-7749. O sigilo do denunciante é absoluto.

Venda Casada – Um exemplo do abuso contido na OS: o documento determina a meta mínima de 80% de venda de Seguro Prestamista, que garante o correntista em caso de inadimplência. 

“Este índice em muitas agências equivale ao total de crédito realizado pela unidade. A obrigação de cumprir este resultado para a venda de Seguro Prestamista evidencia que o banco quer forçar a concessão de empréstimo mediante a aquisição deste produto, o que caracteriza prática de venda casada. Caso seja denunciado pelo cliente, a venda casada também acarreta em punição ao funcionário”, alerta Sílvia.

Venda casada configura crime contra as relações de consumo. O Banco do Brasil já sofreu ação do Ministério Público do Trabalho por obrigar esse tipo de comercialização de produtos. E o Sindicato já acompanhou casos de sanções a gestores que a praticavam a fim de cumprir metas.

>  Venda casada é prática de assédio no BB

“Será que esse superintendente está emitindo ordens em desacordo com o banco? Ou a instituição financeira faz propaganda enganosa sobre princípios éticos e obriga por meio do assédio seus funcionários a esse tipo de prática de venda casada?”, questiona Sílvia Muto. “E o diretor da Disud [Diretoria de Distribuição do Sudeste] não toma qualquer atitude, afinal, no interior também foi emitido e-mail semelhante cobrando venda casada”, ressalta a dirigente.

O Sindicato recebeu a denúncia e cópia da Ordem de Serviço, mas constatou que o documento foi omitido da intranet do banco. “Cobramos que essa Ordem de Serviço seja revogada, do contrário acionaremos o Ministério Público do Trabalho, o Procon e o Instituto de Defesa do Consumidor”, afirma Sílvia Muto. 



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