Banco do Brasil

BB lucra R$ 6,3 bilhões no primeiro semestre

Resultado representa crescimento de 21,4% em relação ao mesmo período de 2017; mesmo assim, banco corta postos de trabalho e fecha agências, prejudicando bancários, clientes e o país

  • Felipe Rousselet, Spbancarios
  • Publicado em 09/08/2018 17:45 / Atualizado em 09/08/2018 18:10

Foto: Seeb-SP

O Banco do Brasil registrou lucro líquido ajustado de R$ 6,3 bilhões no primeiro semestre, crescimento de 21,4% em relação ao mesmo período do ano passado. Com isso, a rentabilidade do banco público subiu de 12,4% para 13,3%. O resultado foi impactado, principalmente, pela redução de despesas de intermediação financeira, como captação e provisão para devedores duvidosos, que caíram, respectivamente, 26% e 20% em relação ao primeiro semestre de 2017.

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Mesmo com o excelente resultado, o BB cortou 1.928 postos de trabalho entre junho de 2017 e junho de 2018. Além disso, o banco fechou 305 agências tradicionais, enquanto abriu 179 novas agências digitais nesse período, chegando a 648 unidades sem atendimento presencial.   

“Mais uma vez, o balanço do Banco do Brasil aponta para um crescimento construído com base na exploração da sociedade e dos bancários, e do próprio sucateamento da instituição. Um aumento de lucratividade em detrimento do atendimento, com sucateamento das agências, aumento das tarifas e redução do número de funcionários”, critica o diretor do Sindicato e integrante da Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil, João Fukunaga.

Agências digitais

“O balanço também evidencia a ampliação agressiva do atendimento digital no Banco do Brasil. Não somos contra a tecnologia, mas ela não pode servir apenas para maximizar resultados. A tecnologia deve servir às pessoas: bancários e clientes. O BB deve levar em consideração que boa parte da população não está incluída digitalmente. Não pode direcionar todos os investimentos para escritórios digitais, enquanto fecha agências físicas. Como banco público, o BB deve atender todo o conjunto da população. Quem deve escolher o canal de atendimento é o cliente. Não deve ser imposto pelo banco” diz o diretor do Sindicato.

João destaca ainda que denúncias de bancários sobre as péssimas condições de trabalho nas unidades digitais são recorrentes. "A sobrecarga de trabalho nos escritórios digitais é enorme, a quantidade de ligações é desumana. Os bancários alocados nessas unidades estão adoecendo." 

> Vendidos como sonho, escritórios digitais são verdadeiro pesadelo

Em negociação com o BB, no contexto da Campanha dos Bancários 2018, os representantes dos funcionários conseguiram o compromisso do banco público em instituir mesa de negociação sobre as condições de trabalho nas agências digitais, que será efetivada após a assinatura de novo Acordo Coletivo de Trabalho.

BB sob gestão Temer

As receitas de tarifas e prestação de serviços apresentaram elevação de 6% e chegaram a R$ 13,3 bilhões. Apenas com essa receita, o BB cobre 122% do total das despesas de pessoal do banco, incluindo PLR.

Chama a atenção também no balanço do BB o fato do banco ter reduzido em 10% suas despesas administrativas, com destaque para a queda de 17% nas despesas com aluguéis e 6% nas despesas com vigilância, resultado da redução no número de agências físicas, enquanto as despesas com serviços de terceirizados tiveram crescimento de 8% no primeiro semestre.

“A ampliação do atendimento digital, o fechamento de agências, o corte de postos de trabalho e a ampliação das despesas com terceirizados, assim como a redução na carteira de crédito, evidenciam o processo de encolhimento da instituição enquanto banco público, uma opção da atual direção, sob ordens do governo Temer, de aproximar o BB de uma lógica exclusivamente de mercado, em detrimento da sua função social de fomento à economia e inclusão bancária da população de menor renda. Com isso, perdem bancários, clientes e todo o país”, denuncia Fukunaga.

A carteira de crédito do BB apresentou redução de 1,5% em relação a junho de 2017. As linhas para Pessoa Jurídica caíram 6,2%, principalmente em função da queda de quase 30% nos empréstimos para micro e pequenas empresas, enquanto a carteira de Pessoa Física apresentou elevação de 2,2%, com destaque para o crédito consignado, imobiliário e cartão de crédito. A participação do BB nas operações de crédito do Brasil caiu de 19,7% em junho de 2017 para 19,1% em junho de 2018.

Campanha dos Bancários 2018

“Estamos em meio a Campanha Nacional dos Bancários e a Fenaban apresentou proposta oferecendo apenas a reposição da inflação. O resultado do BB, assim como do ItaúBradesco e Santander, que também já divulgaram seus balanços semestrais, mostra que os bancos não têm qualquer justificativa para não valorizar os bancários com aumento real, garantia de emprego, compromisso de não retirada de direitos e proteção contra contratações precárias permitidas pela reforma trabalhista”, enfatiza Fukunaga.

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“No caso específico do BB, ainda temos a questão da Cassi. O banco apresentou uma proposta, aprovada no Conselho Deliberativo, com a traição de diretores eleitos, que onera o associado e quebra o princípio da solidariedade. Uma afronta de um banco que lucra cada vez mais e ainda assim quer limitar o direito à saúde dos trabalhadores. Vamos fazer campanha para que essa proposta não seja aprovada pelo corpo social da Cassi. O BB fugiu da negociação com as entidades representativas, mas não terá como fugir do debate com os associados”, conclui o diretor do Sindicato .

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