Campanha 2018

Bancários querem proposta decente

Fenaban se comprometeu a apresentar respostas às reivindicações nessa sexta 17; Expectativa é que bancos, com lucros cada vez maiores, apresentem proposta com aumento real, garantia de empregos, manutenção de direitos e compromisso de não adoção das novas formas de contratação da reforma trabalhista

  • Redação Spbancarios
  • Publicado em 16/08/2018 16:29 / Atualizado em 17/08/2018 15:17

Arte: Fabiana Tamashiro

Atualização: Terminou a negociação. A Fenaban não apresentou nova proposta. CLIQUE AQUI e saiba mais.

Na sexta-feira 17 será realizada mais uma negociação, a sétima da Campanha Nacional 2018, entre Comando Nacional dos Bancários e Fenaban (federação dos bancos). Os banqueiros assumiram o compromisso de apresentar nova proposta à categoria. A expectativa da categoria é que os bancos tragam proposta que contemple aumento real; garanta empregos; mantenha direitos; e traga o compromisso de não adoção, sem negociação, das novas formas de contratação da reforma trabalhista como terceirizados em atividade-fim, intermitentes, jornada 12x36, por tempo parcial, e autônomos; além de melhorias nas cláusulas de saúde da CCT (Convenção Coletiva de Trabalho), já que os bancários são uma das categorias que mais adoecem. 

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Na última negociação, realizada em 12 de julho, a Fenaban apresentou proposta com apenas a reposição da inflação, medida pelo INPC, para salários, pisos e demais verbas, como PLR, VA, VR e auxílio-creche/babá. Além disso, o setor mais lucrativo da economia não trouxe respostas a outras reivindicações importantes da categoria, como manutenção dos empregos e a não adoção das novas formas de contratação previstas na reforma trabalhista. Pela proposta da Fenaban, o acordo seria de quatro anos, com reposição da inflação a cada data base  (1º de setembro). Para este ano, o reajuste seria de 3,90% (projeção do INPC entre 1º de setembro de 2017 e 31 de agosto de 2018).

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“Por isso, essa proposta que não garante os empregos dos trabalhadores, não oferece nem um centavo de aumento real por quatro anos e não dá resposta a outras reivindicações é inaceitável. E os bancários de São Paulo, Osasco e Região deixaram isso claro ao rejeitarem a proposta por unanimidade em assembleia”, afirma Ivone Silva, presidenta do Sindicato e uma das coordenadoras do Comando Nacional dos Bancários.

“Esperamos que, nessa nova negociação, a Fenaban e os bancos públicos apresentem proposta que respeite o esforço dos bancários, responsáveis pelos lucros sempre crescentes do setor”, acrescenta.

Bancos lucram alto

Mesmo na crise, os bancos ganham, e muito. Em 2017, os cinco maiores bancos que atuam no país (Itaú, Bradesco, Santander, BB e Caixa), que empregam em torno de 90% da categoria, lucraram juntos R$ 77,4 bilhões, aumento de 33,5% em relação a 2016. Só no primeiro trimestre deste ano, eles já atingiram R$ 20,3 bi em lucro, 18,7% a mais do que no mesmo período de 2017. E os balanços do semestre já divulgados pelo Itaú, Bradesco, Santander e Banco do Brasil apontam que o ritmo de crescimento se manterá. 

Entre 2012 e 2017, o lucro líquido das maiores instituições financeiras no país teve uma variação real positiva de 12%. E o volume das atividades também apresentou crescimento nesse período: a carteira de crédito aumentou 25% acima da inflação e o número de clientes com conta corrente e conta poupança apresentou alta de 9% e 31%.

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“Os dados deixam claro que os bancos não têm nenhuma desculpa para não oferecer aumento real aos bancários. Também não dão margem para qualquer justificativa para os cortes de postos de trabalho que o setor vem promovendo. Lembrando que no balanço dos reajustes salariais do primeiro semestre deste ano, 78,8% das categorias tiveram reajuste acima da inflação. E a proporção de reajustes acima do INPC em 2018 foi maior do que em 2017 (2,8% e 5,0%, respectivamente). O setor mais lucrativo do país não pode deixar de valorizar os trabalhadores que constroem resultados cada vez mais expressivos”, conclui Ivone.

Saiba como foram as negociações com a Fenaban

> 1ª rodada: Bancos frustram na primeira rodada de negociação
> 2ª rodada: Calendário de negociações foi definido
> 3ª rodada: Categoria adoece, mas Fenaban não apresenta proposta 
> 4ª rodada: Em mesa de emprego, bancos não se comprometem contra contratações precárias
> 5ª rodada: Bancos não apresentam proposta
> 6ª rodada: Bancos lucram bilhões e não querem dar aumento real

Saiba como foram as negociações com o Banco do Brasil

> 1ª rodada: BB mostra disposição para negociar com funcionários
> 2ª rodada: Segunda mesa com BB define abrangência do acordo
> 3ª rodada: Terceira negociação com BB traz poucos avanços
> 4ª rodada: Banco do Brasil propõe reduzir prazo de descomissionamento e não avança na pauta
> 5ª rodada: Mesa de negociação com BB fica zerada na pauta econômica
> 6ª rodada: BB apresenta proposta insuficiente e incompleta

Saiba como foram as negociações com a Caixa:

> 1ª rodada: Empregados e Caixa definem calendário de negociação
> 2ª rodada: Direção da Caixa não garante direitos dos empregados
> 3ª rodada: Governo quer impor o fim do Saúde Caixa
> 4ª rodada: Caixa não avança nas negociações
> 5ª rodada: Caixa apresenta proposta inaceitável



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