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Greve nos Correios é suspensa após proposta de acordo do TST

Movimento previsto para começar no dia 8 foi suspenso depois de mediação do tribunal. Mas categoria ainda mantém "estado de greve" até novas assembleias, marcadas para o dia 14

  • Rede Brasil Atual, com edição da Redação Spbancarios
  • Publicado em 09/08/2018 11:57 / Atualizado em 09/08/2018 11:58

Trabalhadores trazem uma reivindicação central, a manutenção do acordo coletivo do ano anterior

Foto: Heitor Lopes/Fentect-CUT

Os trabalhadores dos Correios decidiram pela suspensão da greve, depois que o Tribunal Superior do Trabalho (TST) apresentou uma proposta de acordo que os sindicalistas consideraram positiva. A decisão foi tomada em assembleia realizada na noite do dia 7.

A reportagem é da Rede Brasil Atual.

“Diante dos ataques da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) ao acordo de trabalho, a proposta sinaliza um avanço, preservando as conquistas históricas”, afirma em nota a Fentect, federação nacional da categoria.

Mas os sindicatos ligados à Fentect mantiveram o "estado de greve", com novas assembleias programadas para o dia 14. A ideia é marcar, até lá, uma reunião com o vice-presidente do TST, ministro Renato de Lacerda Paiva, que tenta costurar o acordo. “O tribunal precisa ouvir os trabalhadores, por isso lançamos um informe para dialogar com a Federação Interestadual dos Sindicatos dos Trabalhadores dos Correios (Findect, outra federação) na busca de unidade”, ressaltou o secretário-geral da Fentect, José Rivaldo da Silva.

“Não quero dizer que o ministro vai mudar a situação, mas precisa ouvir e saber como é nossa realidade”, completou Rivaldo. A categoria se queixa de problemas relacionados com o sucateamento da estatal, que consideram proposital como parte de um plano do governo Michel Temer (MDB) de privatizar a empresa. Mesmo a proposta de acordo do TST leva em conta condições difíceis em que se encontram os trabalhadores dos Correios, especialmente em decorrência de cortes recentes.

O principal corte foi no custeio do plano de saúde. Desde o início do ano, a direção da ECT tenta alterar a cobrança do plano, que os trabalhadores consideram uma conquista histórica. Custeado em 95% pela empresa, a direção quer que os funcionários arquem com 50%, além de não poder incluir pais e mães. “Entendo que os trabalhadores ecetistas se encontram razoavelmente fragilizados, em função do recente ônus decorrente do custeio do plano de saúde”, afirmou o ministro do TST no texto da proposta. 

Para evitar cortes e precarização, os trabalhadores trazem uma reivindicação central: a manutenção do acordo coletivo. A proposta do TST contempla a exigência e ainda garante outro ponto importante, a reposição salarial da inflação do período medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). O IBGE informou hoje que o INPC acumulado em 12 meses, até julho (véspera da data-base, é de 3,61%). Em duas rodadas anteriores de negociações, a direção da empresa, propunha a quebra do acordo coletivo, além de reajustes abaixo da inflação.

Em nota, a direção da ECT atesta que todas as unidades funcionam com normalidade e que possui um plano de contingência em caso de greve próxima. A empresa também se pronunciou sobre a proposta do tribunal. "Os Correios já se manifestaram favoráveis à proposta do TST (...) O tribunal condicionou a proposta à não realização de greve por parte dos trabalhadores. Além disso, solicitou, que a proposta fosse levada às assembleias e que uma resposta fosse dada pelas federações."



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