Caixa Federal

Intransigente, Caixa diz “não” aos empregados

Banco vai manter Gestão de Desempenho de Pessoas, ignora pleitos de isonomia e outras propostas específicas da Campanha Nacional Unificada 2015

  • Publicado em 11/09/2015 18:38
São Paulo – A terceira rodada de negociação específica dos empregados e a Caixa Federal para a renovação do acordo aditivo à Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) foi marcada por “nãos” dos negociadores do banco público. A reunião faz parte da Campanha Nacional Unificada 2015 e ocorreu na sexta 11 para tratar de carreira, isonomia de direitos e respeito à organização do movimento sindical.

Dionísio Reis, diretor do Sindicato e integrante da Comissão Executiva dos Empregados (CEE), destacou que a GDP (Gestão de Desempenho de Pessoas) tomou a maior parte do debate, no qual foi relatado aos representantes do banco que este plano coloca em risco a saúde do trabalhador e a própria empresa.

“Na GDP o bancário que vende é enquadrado como ‘excelente’ e quem não vende ‘incipiente’. E isso diante de metas absurdas impostas pela instituição. Assim, há chefias que ameaçam e submetem o trabalhador a situações humilhantes para venderem cada vez mais produtos. Cenário insustentável que levará muita gente ao adoecimento.”

Entre as denúncias de abusos levadas à Caixa constam: os bancários terem de fixar foto pessoal na unidade com a relação da venda; postagem de vídeo de empregado com depoimentos sobre como ele vende produtos; pagamento de refeição do próprio bolso de quem teve o pior desempenho a quem teve o melhor, entre outras.

Mesmo com todas as queixas e abusos relatados, os negociadores da Caixa mantiveram-se irredutíveis e manterão a implantação da GDP – que já atinge gerências gerais e média – em toda a instituição.

“Deixamos claro que não desistiremos até que a Caixa negocie uma nova forma de gestão que priorize o empregado, o ser humano, e não apenas e tão somente o aumento da produtividade que é o objetivo da GDP”, afirma Dionísio, orientando os trabalhadores a denunciar todas as situações de assédio moral por meio do site do Sindicato (clique aqui).

“Caso o banco não mude de postura em relação a essa e outras questões, os empregados têm de estar preparados para uma forte mobilização na luta contra abusos, em defesa dos direitos e novos avanços”, avalia o integrante da CEE.  

Prática antissindical – Os dirigentes voltaram a reivindicar a revogação do corte do ponto de quem participou do dia nacional de luta contra o PL da Terceirização, em 29 de maio. A Caixa também negou o pedido.

“Temos insistido nesse tema nas negociações, pois os trabalhadores têm o direito constitucional de lutar em defesa dos seus direitos. Chegamos, inclusive, a entregar cerca de 1,5 mil assinaturas à presidenta do banco, Miriam Belchior, com esse apelo. Como não está avançando, tomaremos outras medidas”, diz o dirigente sindical.

Quinze minutos para as mulheres – A CEE cobrou esclarecimento sobre a medida que impõe às bancárias intervalo de 15 minutos antes do início da jornada extraordinária. A mudança foi implantada, segundo a Caixa, porque a instituição estaria pressionada de ações judiciais de empregadas.

> Caixa impõe 15 minutos de descanso para mulheres

“As pessoas terem de fazer hora extra é reflexo da falta de bancários na empresa. Logo, tem de haver mais gente e se a pessoa fez hora extra tem de receber integralmente”, reforça Dionísio.

Esse tema também será debatido na mesa geral da categoria com a federação dos bancos (Fenaban) na negociação marcada para terça-feira 15.

Isonomia – A Caixa rejeitou, ainda, a reivindicação de pagar o Adicional por Tempo de Serviço (ATS), o chamado anuênio, e a licença-prêmio a quem entrou no banco após 1998. Também disse não à migração ao Plano de Cargos e Salários (PCS) e ao Plano de Funções Gratificadas (PFG) a quem não saldou o REG/Replan do fundo de pensão Funcef.

“Outras conquistas de campanhas nacionais, como o direito ao Saúde Caixa e ao mesmo PCS, foram garantidas, na luta, para quem entrou no banco após 1998. Logo, não há justificativa de não ser estendido também o ATS e a licença-prêmio a essas pessoas. Reforçamos que Caixa encontrou saída para o anuênio para as carreiras profissionais, como arquitetos e engenheiros. Por que não se empenha para achar solução para os demais trabalhadores?”, questiona Dionísio.

Negociação – Questões relativas ao PSI (Processo Seletivo Interno), melhorias no Plano de Funções Gratificadas (PFG) e Saúde Caixa serão discutidas na negociação marcada para o dia 18, quando também serão abordados os temas: contratações, jornada e condição de funcionamento das agências.


Jair Rosa – 11/9/2015


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