Mais desmonte

Bancários do BB não podem sofrer com fim do Banco Postal

Atividades serão encerradas em 1.800 agências dos Correios em 12 estados; 137 mil aposentados e pensionistas serão atingidos, 56,7 mil deles passarão a receber os benefícios no Banco do Brasil onde trabalhadores vivem sobrecarregados após a reestruturação

  • Redação Spbancarios, com informações do Valor Econômico
  • Publicado em 29/09/2017 17:35 / Atualizado em 29/09/2017 18:49

Banco Postal funciona nas agências dos Correios

Foto: Kelsen Fernandes/ Fotos Públicas

São Paulo – Desde que o governo Temer tomou o Brasil de golpe, não tem um dia que não apareça uma notícia ruim para os trabalhadores e para a população em geral. Agora é o fechamento de 1.880 agências do Banco Postal em 12 estados do país. Os mais atingidos serão Bahia, Piauí, Rio Grande do Norte e Ceará.

Mais de 137 mil aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) devem ser afetados com a migração do pagamento de seus benefícios para outras agências bancárias e até para outros municípios. Do total, 56,7 mil passarão a receber os benefícios em agências do Banco do Brasil, que detém o contrato de operação do Banco Postal.

“O Sindicato sempre insistiu que os serviços bancários repassados aos Correios fossem feitos pelos bancos. Agora, milhares de brasileiros que necessitam desse atendimento ficarão desassistidos. Isso é inaceitável”, critica João Fukunaga, diretor executivo do Sindicato.

O dirigente manifesta também preocupação com os bancários do BB, já sobrecarregados, e que terão de assimilar mais essas tarefas. “O banco promoveu uma reestruturação que reduziu o quadro em 10 mil funcionários e fechou mais de 400 agências. Como será agora que milhares de cidadãos terão de voltar a ser atendidos no Banco do Brasil?”, questiona.

“Cobramos concurso público, novas contratações e que o BB reveja o fechamento das agências, pois a não contratação e fim das unidades está prejudicando o atendimento e sobrecarregando os trabalhadores”, destaca o dirigente.

O presidente dos Correios, Guilherme Campos, disse em audiência pública no Senado ter consciência de que o fechamento do Banco Postal afeta de maneira profunda vários municípios em que não há agências bancárias. “Não temos condições de subsidiar o Banco Postal em localidade que não seja lucrativa.”

Para Fukunaga, essa é mais uma faceta do desmonte das empresas públicas pelo governo Temer. “Essa lógica do lucro a todo custo não cabe nas empresas estatais, que devem estar a serviço da população”, critica.

Sem condições – Os Correios alegam não ter condições de arcar com o custo dos serviços de vigilância e equipamentos de segurança determinados pela Justiça em diversas cidades.

“Pelo contrato vigente entre BB e Correios, os custos para contratação de vigilantes são responsabilidade dos Correios. Entretanto, o BB e Correios mantêm negociações para encontrar alternativas que permitam a manutenção de parte dos pontos de atendimento”, informou o Banco do Brasil ao jornal Valor Econômico, por meio da assessoria. Segundo o BB, o contrato com os Correios permanece vigente e permitirá o atendimento em mais de 4 mil pontos que permanecerão abertos: “os pagamentos do BB referentes ao contrato do Banco Postal serão reduzidos proporcionalmente ao número de pontos encerrados”.

O Banco Postal foi assumido pelo BB em janeiro de 2012, no lugar do Bradesco, em um contrato que terminaria no ano passado. Diante do desinteresse de outras instituições, banco e Correios assinaram acordo por mais 36 meses.



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