Limite da barbárie

Você quer lutar em uma guerra?

Discurso belicista contra país vizinho ganha espaço nessa campanha eleitoral; Constituição Federal determina que relações internacionais do Brasil devem reger-se pelos princípios da autodeterminação dos povos, da não intervenção externa, e na defesa da paz

  • Redação Spbancarios
  • Publicado em 25/10/2018 18:43 / Atualizado em 26/10/2018 16:15

Cemitério de guerra nos Estados Unidos

Foto: Pixabay

A paz é a única forma de nos sentirmos realmente humanos, declarou certa vez o físico Albert Einstein. Alguém em sã consciência gostaria de ver seu filho, seu irmão ou seu pai ser convocado para lutar em uma guerra provocada pelo governo brasileiro contra outra nação que não infligiu qualquer ataque ao país?

Mas recentemente o deputado que recebeu a maior votação no estado de São Paulo – e familiarmente ligado ao candidato à presidente que lidera as pesquisas – defendeu a deflagração de um conflito militar contra a Venezuela.  Caso fosse convocado, você aceitaria correr o risco de morrer ou acabar gravemente ferido por esse motivo?

Ao defender a intervenção militar (eufemisticamente chamada de "operação de paz') na Venezuela, esse deputado parece ignorar que a Constituição Federal – a lei suprema do país – determina em seu artigo quarto que as relações internacionais da República Federativa do Brasil devem reger-se pelos princípios da autodeterminação dos povos, da não intervenção externa, e na defesa da paz.

A autodeterminação dos povos é o princípio que garante a todo povo de um país o direito de se autogovernar, realizar suas escolhas sem intervenção externa, exercendo soberanamente o direito de determinar o próprio estatuto político.

Há quase 150 anos o Brasil não se envolve em nenhum conflito com os países vizinhos. A última vez que isso ocorreu foi na Guerra do Paraguai (1864-1870), a mais sangrenta do subcontinente sul-americano, tendo vitimado cerca de 400 mil pessoas, das quais 100 mil brasileiros. A última guerra na América Latina foi a Guerra do Chaco, na década de 1930.

Salvo missões de paz tuteladas pela Organização das Nações Unidas, o Brasil não se envolve em um conflito militar desde a Segunda Guerra Mundial, quando tropas da Força Expedicionária Brasileira lutaram ao lado dos Aliados para derrotar o nazifascismo na Itália.

Nunca houve uma guerra boa e nem uma paz ruim, já declarou Benjamin Franklin, diplomata que estampa a nota de 100 dólares.

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