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Ivone: Sem golpe, Temer não faria coisas tão ruins

No programa Entre Vistas, presidenta do Sindicato alertou que reforma trabalhista fragiliza o poder de negociação dos trabalhadores: "Você acha que o bancário vai conseguir chegar no banqueiro e falar 'quero um aumento de 11%, se não vou embora'? Não existe isso". Assista à entrevista na íntegra

  • Rede Brasil Atual
  • Publicado em 29/11/2017 17:56 / Atualizado em 29/11/2017 17:57

Ivone criticou a forma de atuação do sistema financeiro a favor da privatização dos bancos públicos. 'É hipocrisia'

Foto: Reprodução TVT

São Paulo – A presidenta do Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região, Ivone Silva, foi a convidada do programa Entre Vistas, da TVT, de terça-feira 28 (o programa vai ao ar às 21h; saiba abaixo como assistir ao canal). A dirigente sindical abordou a luta contra a privatização dos bancos públicos e o desmonte da legislação trabalhista, através da reforma trabalhista. A reportagem é da Rede Brasil Atual.

Ivone criticou a forma de atuação do sistema financeiro a favor da privatização dos bancos públicos e afirmou que o Estado funciona para os bancos, não para a população. "Nós estamos fazendo uma disputa constante pelo Estado. Este problema é global, mas aqui há uma particularidade, pois sofremos um golpe. Nenhum governo, se não fosse pelo golpe, implementaria tantas coisas ruins (para a classe trabalhadora)”. Assista a entrevista na íntegra abaixo.

Nesta edição, Ivone foi entrevistada pela jornalista da Frente Brasil Popular Ana Flavia Marques, a coordenadora de projetos do Ilú Obá De Min, Baby Amorim, o diretor acadêmico da Faculdade 28 de Agosto, Moisés Marques, e pelo professor titular da PUC-SP Luiz Augusto de Paula Souza.  A mediação foi da apresentadora Carol Pinho.

A dirigente também explicou a importância de manter os bancos públicos e falou da luta da categoria para conseguir apoio popular à causa. "Nós realizamos diversas audiências públicas, estamos indo às ruas para explicar a importância dos bancos públicos. A população tem entendido isso e nos apoiado. Hoje, o Banco do Brasil financia 70% dos agricultores familiares, enquanto a Caixa financia a política habitacional".

Sobre a reforma trabalhista, Ivone alerta que o setor bancário pode vir a adotar o trabalho intermitente. "Nos cinco primeiros dias do mês, por exemplo, as agências estão mais cheias, então é possível que contratem caixas por hora. Se vai, é outra coisa. O nosso desafio é que isso não chegue em algumas áreas, como a de serviços, porque depois isso vêm para as categorias mais organizadas", diz.

"A reforma trabalhista fala que o trabalhador tem autonomia para negociar com o empregador. Você acha que o bancário vai conseguir chegar no banqueiro e falar 'quero um aumento de 11%, se não vou embora'? Não existe isso".

Ela também alerta que a reforma trabalhista fere a autonomia dos sindicatos, barra a organização e a sustentação financeira das representações de trabalhadores. "Nós defendemos que os trabalhadores têm de decidir a forma de se organizar e se financiar. Os sindicatos decidem, em assembleias, quanto cobrarão na contribuição, mas o Estado através do Ministério Público proíbe. Então, a gente tem liberdade ou não?", questiona.

O Entre Vistas recebe semanalmente uma personalidade do contexto nacional ou internacional em áreas como saúde, educação, cultura, política e esporte e é gravado no palco do Tucarena, tradicional anfiteatro da capital paulista nas dependências da Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP).

Assista à entrevista de Ivone Silva:

Parte 1

Parte 2

Parte 3

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