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Votação na Sé define paralisação contra fim da aposentadoria

Cerca de 20 mil trabalhadores reunidos em ato no centro de São Paulo na sexta-feira 10, protestaram contra desmonte trabalhista e decidiram por paralisar suas atividades se o governo Temer insistir na "reforma" da Previdência

  • Rede Brasil Atual com edição da Redação Spbancarios
  • Publicado em 10/11/2017 15:18 / Atualizado em 10/11/2017 16:11

Cerca de 20 mil trabalhadores tomaram a Praça da Sé contra as "reformas" de Temer que na verdade são desmonte dos direitos

Foto; Paulo Pinto/AgPT

São Paulo – Em dia de protestos por todo o país, cerca de 20 mil trabalhadores decidiram, em votação no ato da Praça da Sé, paralisar as atividades caso o governo insista na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 287, de “reforma” da Previdência.

A mobilização da sexta-feira 10 foi promovida pelas centrais sindicais e movimentos sociais contra a Lei 13.467, que muda a CLT e entra em vigor no sábado 11. Aprovada em julho deste ano, o desmonte trabalhista de Temer retira direitos conquistados pela classe trabalhadora brasileira ao longo de sete décadas, desde 1943, na primeira edição da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho). 

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O ato também debateu a importância de eleger, em 2018, uma maior representação parlamentar aliada dos trabalhadores para, inclusive, reverter medidas do governo Temer, informa reportagem da Rede Brasil Atual.

“Precisamos eleger uma bancada de deputados e senadores, e um presidente da República, que nos representem. Esses golpistas não nos representam”, afirmou o presidente da CUT, Vagner Freitas (foto abaixo), que citou pesquisa encomendada ao instituto Vox Populi em que os entrevistados manifestam repúdio às reformas e dizem que não votarão em candidatos favoráveis a elas. “Essa é a nossa luta”, disse Vagner.

Roberto Parizotti/CUT

Ele também criticou o presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), favorável a Lei 13.467, afirmando que a posição dele não é majoritária na magistratura. “Grande parte dos juízes, ao contrário do Ives Gandra, que é pau-mandado do patrão, é contra a reforma.”

O deputado espanhol Rafa Mayoral, do Podemos, também subiu no principal carro de som, para manifestar “solidariedade à luta da classe trabalhadora contra a precarização”.

Bancários na luta – As atividades em São Paulo começaram logo cedo. Os bancários retardaram a abertura de dezenas de locais de trabalho para debater a importância de se mobilizar contra a retirada de direitos.

“Essa reforma não vai ser benéfica para o trabalhador. Eu acho que vão terceirizar o prédio inteiro. Por que eles vão querer pagar PLR e salário maior se agora vão poder terceirizar?”, questionou um bancário do Bradesco lotado no prédio do Telebanco.

“Todo mundo sabe que a gente vai perder direitos importantes, como a questão da carga horária, que poderá aumentar, a terceirização, que vai ferrar a gente, o acesso à Justiça do Trabalho vai ficar mais difícil. O povo não quer isso, mas eles estão afirmando que vai ser bom para a população. Não dá para ficar parado, alguma coisa tem que ser feita. A greve geral é a saída”, opinou uma colega.

A secretária-geral do Sindicato, Neiva Ribeiro, ressalta que a saída é mobilização e luta. “Se havia alguma dúvida de que esse golpe foi contra os trabalhadores, essa dúvida deve ter acabado de vez”, afirmou. “Quando foi eleito, em 2014, o pior Congresso Nacional da nossa história, com deputados e senadores na sua maioria representantes dos mais ricos, nós avisamos. Quando houve o golpe, nós avisamos. Agora estamos avisando: os trabalhadores precisam estar próximos de seus sindicatos e da luta por seus direitos, para resistir contra esse desmonte todo das conquistas que levamos décadas para alcançar. Tem muita luta pela frente. Os juízes do Trabalho não concordam com essa retirada de direitos. Nós entregamos um termo de compromisso aos bancos cobrando respeito à nossa CCT. E tem a luta em defesa dos bancos públicos e da aposentadoria. Só juntos, trabalhadores e sindicatos, teremos capacidade de resistir”, reforça a dirigente, convocando todos os bancários a participar. “Nesse momento de resistência é importantíssimo todos os trabalhadores se sindicalizarem pra fortalecer mais nosso Sindicato. Vamos ser vitoriosos, mas vamos precisar de todo mundo pra fazer frente ao desmonte e fazer a resistência ao que vem por aí. Sindicalizar é o primeiro passo.” 

Resistência ao “assalto” – “Estamos às vésperas do maior assalto à classe trabalhadora”, afirmou o presidente da CTB, Adilson Araújo. “Os trabalhadores não podem ter medo. Não podemos aceitar que o patrão nos submeta a condições insalubres”, acrescentou, referindo-se a um dos pontos da lei trabalhista. Ele também fez referência à política de privatizações de Temer: “O Brasil está sendo liquidado. Este governo lesa-pátria acaba de liquidar o pré-sal”.

Adilson lembrou que o governo está tentando reorganizar a base para votar a “reforma” da Previdência e disse que é preciso organizar a resistência. “Para isso, vamos ter de fortalecer a nossa unidade.”

“Amanhã se consolida uma das faces do golpe”, disse o secretário-geral da Intersindical, o bancário Edson Carneiro, o Índio. “Querem dizimar com direitos dos trabalhadores, dos aposentados, querem vender o país. Temos de revogar essa reforma que só beneficia o capital e o sistema financeiro. Precisamos mudar a agenda deste país”, afirmou, defendendo uma reforma tributária que inclua taxação de grandes fortunas. “Precisamos devolver o Brasil para os trabalhadores, para o povo”, disse Índio, também defendendo uma greve geral.

Cecília Brito foi à Praça da Sé lutar por democracia que, disse ela, é bastante limitada devido à concentração dos veículos de comunicação nas mãos de poucas famílias e grupos econômicos que conseguem impor seus interesses à população.

“A Globo não é democrática, está inteiramente no golpe, foi uma grande apoiadora da derrubada da presidenta Dilma, induzindo as pessoas a ficarem contra uma presidenta honesta, fazendo chamadas a cada 5 minutos nas manifestações. Ela tem um lado, um partido, ajudou a colocar no poder esse governo ilegítimo e apoia essa agenda de retirada de direitos que prejudica a população”, criticou.

A diretora de escola municipal Dilma Corrêa foi ao protesto em defesa da educação pública, que, segundo ela, enfrenta uma série de ataques dos governos municipal, estadual e federal.

Para ela, o motivo que está causando a retirada de direitos da classe trabalhadora é a crise estrutural do sistema econômico capitalista. “É mais abrangente. Foi implantado um modelo econômico neoliberal para salvar o capitalismo e esse modelo tem que implementar medidas de destruição dos direitos dos trabalhadores para garantir as benesses da burguesia, que está se unindo cada vez mais. E o caminho para enfrentar isso é o povo ir para a rua. É ação direta. Ocupação, bloqueios”, afirma Dilma.   



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