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A vacina para combater o coronavírus não pode ser reservada apenas para quem pode pagar

Em artigo, a presidenta do Sindicato, Ivone Silva, destaca a urgência da vacina e reitera que ela tem que ser gratuita e para todos, e critica decisão do governo federal de permitir que grupos privados importem a vacina

  • Ivone Silva
  • Publicado em 06/01/2021 13:55 / Atualizado em 06/01/2021 15:17

Foto: Seeb-SP

A vacina para combater o Coronavírus não pode ser reservada apenas para quem pode pagar

Estamos em uma corrida contra o tempo, para salvar vidas. Já são quase 200 mil mortos no Brasil, com a previsão de aumento no número de casos nos próximos meses. Enquanto outros países avançam na vacinação contra o coronavírus, o governo brasileiro ainda patina na aprovação e compra de doses, seringas e agulhas suficientes.

Teremos ainda outro problema, típico de um país desigual. Quem terá dinheiro para pagar por uma vacina? O governo permitiu que grupos privados importem a vacina contra a Covid-19 e um primeiro grupo está na Índia para negociar, em nome de empresas brasileiras, cinco milhões de doses do laboratório Covaxin. Como ainda não temos um posicionamento oficial se será garantida a vacinação, pelo SUS, a todos os brasileiros, será que a vacina paga estará disponível antes da vacinação em massa?

A incompetência do governo federal tem se agravado todos os dias. E o Brasil se afunda em uma crise econômica e política. A economia brasileira encolheu cerca de 4,4% em 2020, com 14 milhões de pessoas desempregadas, uma redução de 9,7 milhões na população ocupada e um aumento de mais de 12 milhões de pessoas fora da força de trabalho, ou seja, pessoas que não conseguem sequer procurar emprego impedidas pelo cenário da pandemia e pelo desastre econômico. O auxílio emergencial garantido pelo Congresso Nacional em 2020 propiciou a sobrevivência dessas milhões de famílias e com a retirada desse auxílio pelo Governo federal a partir de dezembro espera-se uma verdadeira situação de caos social no país, ainda mais com a disparada dos preços dos alimentos comprometendo o poder de compra das famílias. Em São Paulo, por exemplo, o custo da cesta básica teve elevação de 35% em 12 meses, de acordo com o DIEESE.

O movimento sindical bancário, logo no início da pandemia, em março de 2020, foi um dos primeiros a se mobilizar conquistando para a categoria medidas de proteção, como o home office para mais da metade dos trabalhadores bancários em todo o país e regime de rodízio de equipes nas agências, além de todos os protocolos de segurança contra o vírus. Também garantimos, por dois anos, a manutenção dos direitos e avanços para os bancários.

Em dezembro do ano passado, com o agravamento da pandemia, o Comando Nacional dos Bancários cobrou da Fenaban a interrupção do retorno da categoria ao trabalho presencial e a volta às medidas protetivas. Neste momento, realizar o teletrabalho é preservar vidas, não apenas dos trabalhadores e seus familiares, mas de todos, uma vez que o isolamento social é a melhor forma de conter a propagação do vírus. Os bancários que trabalham no atendimento direto ao público têm de ter prioridade para receber a vacina contra o coronavírus. Defendemos que os bancários, que desenvolvem atividades consideradas essenciais nesta crise sanitária, sejam incluídos na lista de prioridades, junto com profissionais da saúde, idosos, pessoas do grupo de risco, e outros profissionais que estiveram expostos diariamente ao contágio para garantir o funcionamento de setores econômicos.

 

 

Por fim, é fundamental a união de toda a sociedade. Queremos que as vacinas sejam distribuídas e aplicadas gratuitamente para toda a população. E imediatamente, pelo Estado, por meio do SUS, que é um dos maiores, senão o maior sistema público de saúde do mundo.



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