Superando a meta para quê?

Lucro do Santander cresce 24,6% em 2018

Bancários ultrapassam a meta de crescimento de 20% cobrada por Sérgio Rial em 2017 e como “prêmio” ganharam aumento abusivo no plano de saúde, demissões, rotatividade com salários mais baixos, mais cobrança de metas, desrespeito e retirada de direitos

  • Redação Spbancarios
  • Publicado em 31/01/2019 15:49 / Atualizado em 31/01/2019 18:20

Matriz do banco espanhol no Brasil; grande parte dos lucros da instituição é remetida para fora do país sem pagar impostos

Foto: Divulgação

O Santander obteve lucro líquido gerencial de R$ 12,398 bilhões em 2018, crescimento de 24,6% em doze meses e 9,5% em três meses encerrados em dezembro. O lucro obtido no Brasil representou 26% do lucro global, que foi de € 7,810 bilhões (crescimento de 18% no período).

“No fim de 2017, o Santander promoveu uma festa suntuosa com direito a show da Ivete Sangalo, na qual o presidente do banco, Sérgio Rial, fez uma aparição espalhafatosa, deslizando de rapel, e cobrou dos trabalhadores meta de crescimento de 20% no lucro em 2018. A meta foi superada em quase 5% e o que os bancários ganharam? Demissões, rotatividade com diminuição de salário, aumento abusivo no plano de saúde, crescimento das metas e retirada de direitos por meio da implantação de medidas da reforma trabalhista que prejudicaram os trabalhadores. E além de tudo, em 2018, a festa de fim de ano foi apenas para alguns poucos privilegiados”, critica Maria Rosani, diretora executiva do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região e bancária do Santander.

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Segundo o balanço do banco, as receitas de prestação de serviços e tarifas bancárias somaram R$ 17,269 bilhões em 2018, aumento de 10,6% em doze meses encerrados em dezembro. 

Apenas com essas receitas, o Santander cobre 185,4% das despesas de pessoal (folha de pagamento, PLR, treinamentos etc.). Um incremento de 13,7 pontos percentuais em relação a 2017, que foi de 171,71%.

A despesa de pessoal, incluindo PLR, totalizou R$ 9,313 bilhões em 2018, crescimento de 2,4% em doze meses. Dentro da despesa de pessoal, se for considerado apenas o item remuneração (salário pago aos empregados), houve uma queda de 1,89% em 2018. No mesmo ano a categoria bancária teve reajuste de 5%. 

“Se compararmos a queda na remuneração com o reajuste de 5% da categoria bancária em 2018, podemos concluir que o banco está demitindo trabalhadores e recontratando novos empregados com salários mais baixos”, afirma Maria Rosani. 

Durante 2018, foram abertos apenas 608 postos de trabalho. O aumento se deveu à internalização dos empregados das empresas de tecnologia do banco Isban e Produban, que antes eram vinculados diretamente à matriz espanhola. 

A sobrecarga de trabalho aumentou, pois o banco espanhol passou de 836 clientes por empregado, em 2017, para 895 clientes por bancário em 2018. Crescimento de 7%.

“Essa relação leva em conta o total de empregados do banco, por isso a relação na área de atendimento é muito maior. São números que ajudam a explicar por que o Santander sempre figura entre os bancos com maior número de reclamações de clientes no Banco Central”, avalia Maria Rosani.

“É uma instituição que lucra muito com tarifas, serviços e juros altíssimos, e não oferece aos seus clientes atendimento satisfatório e condizente devido ao número insuficiente de funcionários, que por sua vez, enfrentam adoecimentos por causa da sobrecarga de trabalho e da cobrança abusiva de metas”, acrescenta a dirigente. 

A carteira de crédito atingiu R$ 386,736 bilhões no final de dezembro de 2018, crescimento de 11,2% (ou alta de 9,8% desconsiderando o efeito da variação cambial). O destaque continua sendo o de segmentos de pessoa física e financiamento ao consumo, com alta de 22,6% e 19,5% em doze meses, respectivamente.

Houve variação positiva no número de agências bancárias. Em dezembro, o banco possuía 2.283 agências, 23 a mais do que dezembro de 2017 (2.255).

“Um lucro de R$ 12,6 bilhões é um verdadeiro insulto em um país no qual grande parte da população vive na pobreza e está desempregada. E o Santander ainda contribui com o desemprego quando demite todos os anos milhares de pais e mães de família apenas para recontratar novos empregados pagando salários mais baixos. É uma lógica perversa que beneficia somente os acionistas e meia dúzia de diretores executivos com suas remunerações cada vez maiores”, protesta a dirigente sindical e bancária do Santander Lucimara Malaquias.

“Cobramos responsabilidade social dessa empresa estrangeira que lucra tanto no Brasil e nada contribui para o desenvolvimento econômico e social do pais, já que grande parte dos lucros são direcionados para a Espanha, sem pagar um centavo de imposto, em uma reprodução autêntica da relação colônia e metrópole que explorou e lesou a América Latina por séculos”, afirma a dirigente.



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