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Pesquisa: metade dos professores estaduais já foi agredida

Levantamento feito a pedido da Apeoep constatou que 85% dos entrevistados souberam de casos de violência nas escolas onde trabalham e 51% afirmaram que já foram vítimas no ambiente escolar

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  • Publicado em 27/09/2017 12:57 / Atualizado em 27/09/2017 13:53

Reportes apontam ataques verbais, físicos, discriminatórios e bullying

Foto: Paulo Pinto / Agência PT

São Paulo - Agressão verbal ou física, furto, discriminação e bullying são tipos de violência que, infelizmente, estão presentes no dia a dia da maioria das escolas estaduais de São Paulo. Uma pesquisa realizada pelo Instituto Locomotiva, a pedido da Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo), aponta que 85% dos professores souberam de casos de violência nas escolas estaduais onde trabalham e 51% afirmaram que já foram vítimas de violência no ambiente escolar. O estudo inédito, de acordo com matéria da CUT-SP, será apresentado na quarta-feira 27, em São Paulo.

Entre as situações de violência que mais da metade dos professores afirma já ter sofrido, 44% falaram em agressão verbal, 9% em discriminação, 8% em bullying e 5% em agressão física. O problema não é de hoje e tem aumentado no decorrer dos últimos anos, atingindo índices alarmantes. O percentual de professores que declara ter sofrido algum tipo de violência na escola em que trabalha passou de 44%, na pesquisa de 2013/2014, para os atuais 51%. Já o número de alunos vítimas de violência saltou de 28% para 39%.

Além de professores e estudantes da rede estadual de ensino de São Paulo, a pesquisa ouviu também pais de estudantes e a população do Estado de São Paulo, que demonstram grande preocupação em relação ao aumento da violência nas escolas públicas estaduais. Para 87% da população, 79% dos pais, 73% dos estudantes e 84% dos professores, a violência nas escolas estaduais aumentou nos últimos anos. A sensação de insegurança nas escolas estaduais também é alta, sendo que 45% dos pais, 48% dos estudantes e 37% dos professores não se sentem seguros dentro da própria escola. 

“O quadro é gravíssimo. Se é verdade que se trata também de um reflexo da violência que existe na sociedade, não basta constatar esta realidade. É preciso saber como as autoridades educacionais e a comunidade vão lidar com uma situação que ocorre dentro das próprias unidades escolares”, destaca a professora Maria Izabel Azevedo Noronha, a Bebel, presidenta da Apeoesp.

Outro dado que chama a atenção é que aumentou a percepção de estudantes e professores que classificam suas escolas como violentas. Em 2013/14, 70% dos estudantes e 57% dos professores disseram que suas escolas eram violentas. Em 2017, o índice subiu para 72% e 61%, respectivamente.

“A pesquisa deixa claro que infelizmente, a escola, que deveria ser um espaço seguro e acolhedor, é hoje um ambiente tão ou mais violento que as ruas do nosso estado. A violência é hoje uma epidemia na rede pública de ensino. Se não for tratada, poderá comprometer o futuro educacional e profissional de toda uma geração”, explica Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva e autor da pesquisa.

Causas da violência - Para a população, pais e estudantes, drogas e álcool, o conflito entre estudantes e a falta de policiamento são as principais causas que contribuem para a violência nas escolas estaduais de São Paulo. Já os professores acreditam que a educação em casa é fator preponderante para as situações de conflitos.

Soluções - O Instituto Locomotiva também ouviu a opinião dos entrevistados em relação às medidas que poderiam ser tomadas para ajudar na redução dos casos violências nas escolas estaduais de São Paulo. Todos os públicos apontam que é preciso investir em cultura e lazer e aumentar o policiamento ao redor da escola.

Metodologia - A pesquisa Violência nas escolas estaduais de São Paulo ouviu 2.553 pessoas, sendo 649 entrevistas com a população maior de 18 anos, 600 pais e mães de estudantes, 602 estudantes e 702 professores da rede estadual de ensino de São Paulo. As entrevistas foram realizadas entre os dias 1º e 11 de setembro de 2017, em todas as regiões do Estado de São Paulo.



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