Entrevista

Terceirização irrestrita pode acabar com emprego da classe média no país

É a devastação máxima da proteção via mercantilização do trabalho, diz professor da USP que prevê a generalização da contratação de trabalhadores terceirizados e como PJs, sem direitos, sem proteção

  • CUT, com edição da Redação Spbancarios
  • Publicado em 10/09/2018 16:32 / Atualizado em 10/09/2018 19:32

Foto: Reprodução/CUT

Totalmente descolados da realidade do mercado de trabalho e das condições de vida dos trabalhadores, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiram, no dia 20 de agosto, aprovar a terceirização para as atividades-fim das empresas. Alguns usaram como argumento a modernização, o que é uma falácia, segundo análise do professor Ruy Braga, do Departamento de Sociologia da Universidade de São Paulo (USP) em entrevista a Luís Eduardo Gomes, do Sul21 e replicada pelo Portal da CUT.

De acordo com o sociólogo, a terceirização irrestrita, considerada constitucional pela maioria dos ministros do STF, vai aumentar o subemprego, achatar a renda das famílias e dificultar a retomada do crescimento. Ele diz ainda que há poucas chances de grandes modificações para o atual cenário de desemprego recorde no país que, segundo o IBGE, atinge quase 13 milhões de trabalhadores, e que está próximo o desaparecimento do chamado emprego protegido.

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As previsões que Braga faz não são nada favoráveis ao trabalhador, confirmando que a CUT estava correta ao lutar contra a aprovação e alertar os trabalhadores que o objetivo principal da ampliação da terceirização sempre foi reduzir salários, aumentar o número de horas trabalhadas e ignorar os riscos de acidentes e mortes dos terceirizados.

 “Você não vai ter mais esse último bastião de contratação de classe média, via concurso público, com algum tipo de proteção, carreira ou algo do estilo. O que você vai ter é a generalização da contratação de trabalhadores terceirizados, profissionais terceirizados, PJs, ou via cooperativas ou via empresas de intermediação de mão de obra, empresas de trabalho temporário”, diz o sociólogo.

Leia a íntegra da entrevista.



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