Pular para o conteúdo principal
Chapéu
Mesa de Igualdade de Oportunidades

Sindicato cobra da Fenaban melhoria no canal contra assédio e valorização das mulheres

Imagem Destaque
Da esquerda para direita: Neiva Ribeiro (de branco), Ivone Silva, Juvandia Moreira e Fernanda Lopes

Em mesa sobre Igualdade de Oportunidades, o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região cobrou da Fenaban (Federação dos Bancos) que aprimorasse o canal de acolhimento a bancárias vítimas de violência e o canal de combate ao assédio sexual. Cobrou ainda políticas de valorização das mulheres no setor, que continuam ganhando menos que os homens e ocupando menos cargos de liderança. A mesa, entre Fenaban e o Comando Nacional dos Bancários, ocorreu na tarde dessa terça-feira 14.

“Assinamos o programa de acolhimento às bancárias vítimas de violência com a Fenaban há três anos, e cobramos o aprimoramento desse canal. Outro ponto que levantamos foi a questão da ascensão de bancárias, principalmente na área de TI. Essa área está crescendo nos bancos, mas os cargos ainda são ocupados em grande maioria por homens [veja dados abaixo], e queremos mais bancárias nesses postos. Nossa reivindicação, inclusive, vai ao encontro de uma das diversas medidas anunciadas pelo governo Lula no 8 de Março, que institui o Programa Empreendedoras Tec, para empresas e projetos tecnológicos liderados por mulheres”, destacou Ivone Silva, presidenta do Sindicato e uma das coordenadoras do Comando.

“Ficou acertado que vamos construir um encontro para discutir os balanços das políticas debatidas em conjunto nessa mesa, como por exemplo, ações de combate à violência de gênero para além da categoria, visto que esse é um problema que tem aumentado na sociedade, como mostram os dados de feminicídio no Brasil”, ressaltou Neiva Ribeiro, secretária-geral do Sindicato.

Segundo o Fórum Nacional de Segurança Pública, uma mulher foi assassinada a cada 6 horas no Brasil, no 1º semestre de 2022. Isso corresponde a uma alta de 10,8% em relação ao 1º semestre de 2019 e de 3,2% em 12 meses. Foram, ao todo, 699 vítimas de feminicídio no período.

Mulheres seguem ganhando menos

O movimento sindical apresentou na mesa dados da Rais (Relação Anual de Informações Sociais), do Ministério do Trabalho e Emprego, que mostram que as mulheres ganham, em média, 21% menos que os homens no Brasil. No setor bancário, essa desigualdades se aprofunda: a remuneração média das bancárias é 22,2% inferior à remuneração média dos homens. E se aprofunda mais ainda com o recorte racial: as mulheres pretas nos bancos ganham, em média, 40,6% menos do que os homens brancos.

Saldo de emprego para mulheres é negativo nos bancos

O Comando também destacou na mesa outro dado preocupante: na movimentação do emprego bancário, em 2022, houve favorecimento do sexo masculino, com abertura de 3.933 vagas para eles e a eliminação de 1.106 postos de trabalho entre as mulheres.

As admissões de mulheres foram 19,1% menores que a dos homens. E os desligamentos 5,4% superiores entre as mulheres, resultando assim no saldo negativo.

Bancárias são minoria nas áreas de TI

O levantamento também revelou que apesar do aumento de 70,4% de profissionais da Tecnologia da Informação (TI) contratados pelos bancos, entre 2012 e 2021, a proporção de mulheres na área caiu de 31,9% para 24,9% no mesmo período.

“Desde a pandemia, principalmente, houve expansão da área de tecnologia dos bancos e isso impactou no crescimento de profissionais de TI no setor. Entretanto, o número de mulheres, em relação aos homens, diminuiu em tecnologia. Isso reflete uma questão estrutural, porque, historicamente, as mulheres sempre foram menos incentivadas a atuar nas áreas tecnológicas”, observou a presidenta da Contraf-CUT, Juvandia Moreira, também coordenadora do Comando.

A dirigente também lembrou que no Dia Internacional da Mulher, o governo federal lançou uma série de medidas, incluindo recursos para capacitar mais de 40 mil mulheres em situação de vulnerabilidade, na educação profissional e tecnológica, além da criação da Política Nacional de Inclusão, Permanência e Ascensão de Meninas na Ciência, Tecnologia e Inovação, com a destinação de R$ 100 milhões para chamadas públicas do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Basta! Não irão nos calar!

A secretária da Mulher da Contraf-CUT, Fernanda Lopes, reforçou a cobrança de dados sobre o programa de combate à violência doméstica, assinado com a Fenaban em 2020.

Fernanda destacou que a categoria bancária, sozinha, desenvolveu o “Basta! Não irão nos calar!”, programa de atendimento para mulheres vítimas de violência doméstica e familiar, com assessoria jurídica. “O ‘Basta!’ foi criado em dezembro de 2019, no Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região. Hoje, existe em dez sindicatos e, neste mês, será lançado em outros dois, completando 12 canais. Atualmente, temos um saldo de 360 atendimentos, com 256 ações judiciais e 164 pedidos de medida protetiva de urgência obtidos com a assessoria dos sindicatos às vítimas”, completou.

Compromissos da Fenaban

A Fenaban se comprometeu a acolher as pautas de reivindicação da categoria para o combate à violência de gênero e contra a desigualdade entre homens e mulheres no trabalho.

Os bancos afirmaram que vão aprimorar os canais de acolhimento às vítimas de violência na família ou no ambiente de trabalho. “Vamos levar o resumo desta reunião à direção dos bancos, ainda neste mês de março. Em sequência, marcar uma reunião com as áreas de recursos humanos para discutir a questão da queda na contratação de mulheres, especialmente nas áreas de TI. E nosso terceiro compromisso é um encontro, no dia 30 de março, com representantes dos bancos, do movimento sindical e com as ONGs contratadas para implementar as propostas contra assédio”, anunciou Adauto Duarte, diretor de Relações Trabalhistas da Fenaban.

Para o dia 30 de março, ele destacou ainda que serão apresentadas as medidas para combater a diferença de oportunidade entre homens e mulheres. Na data, as três ONGs contratadas pelos bancos para atender a demanda de formação no combate à cultura de violência de gênero (Papo de Homem, Me Too Brasil e IMP Instituto Maria da Penha) também devem mostrar seus planos de trabalho.

seja socio