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Chapéu
Conquista do Sindicato

Programa de prevenção à violência contra mulher avança com lançamento de cartilhas educativas

Imagem Destaque
As dirigentes Fernanda Lopes, Neiva Ribeiro e Juvandia Moreira, no lançamento das cartilhas

O movimento sindical bancário está na vanguarda da luta contra a violência de gênero. A cláusula 86 da CCT da categoria, conquistada na Campanha dos Bancários, resultou no lançamento, em abril de 2023, do Programa Nacional de Prevenção à Violência de Gênero. E nesta segunda-feira 25, o programa deu mais um importante passo, com o lançamento de duas cartilhas educativas que abordam, de forma didática, a necessidade de se combater a violência contra a mulher e de se construir uma sociedade livre do machismo. As cartilhas são uma parceria entre o Comando Nacional dos Bancários e a Fenaban.

As publicações “Sexo frágil: um manual sobre masculinidade e suas questões" e "Como conversar com homens sobre violência contra meninas e mulheres", elaboradas respectivamente pelas ongs Instituto Maria da Penha e Papo de Homem, trazem dados sobre os diversos tipos de violência contra as mulheres no país. A ideia é que as edições sejam amplamente divulgadas, tantos nos bancos quanto nos demais espaços sociais, contribuindo assim para que homens e mulheres se transformem e se tornem agentes de mudança.

Neiva Ribeiro, presidenta do Sindicato, mostra as duas cartilhas<br>

“Não adianta resolver essa questão só no local de trabalho, porque sabemos que o lugar mais inseguro para as mulheres é em casa. Por isso, é fundamental que os homens sejam inseridos nessa conversa”, destacou a presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região e uma das coordenadoras do Comando Nacional dos Bancários, Neiva Ribeiro, que participou do debate de lançamento das cartilhas, na tarde desta segunda, na sede da Febraban (Federação Brasileira dos Bancos), em São Paulo.

A dirigente, que mais cedo estava em Brasília, na apresentação do 1º Relatório Nacional de Transparência Salarial e de Critérios Remuneratórios, ressaltou que a luta ainda é longa. “Estivemos hoje com a ministra da Mulher, Cida Gonçalves, e pela previsão da  ONU Mulheres teremos 300 anos para chegar à igualdade salarial. De acordo com o Dieese, serão 87 anos. Mas nós queremos essa igualdade já! Estamos lutando, fazendo a nossa parte e estamos na disputa por narrativa”, disse Neiva, que é uma das representantes dos trabalhadores no Grupo de Trabalho Interministerial (GTI) do novo Plano Nacional de Igualdade Salarial e Laboral, criado para pôr em prática a lei de igualdade salarial, sancionada pelo presidente Lula em 2023.

Neiva Ribeiro lembrou ainda que a categoria bancária foi uma das primeiras a discutir a situação das mulheres no setor bancário, no mercado de trabalho e na sociedade. E que soma conquistas desde 2000, ano em que foi implementada a mesa de igualdade de oportunidades, entre o movimento sindical e os bancos.

Dirigentes sindicais participam de lançamento das cartilhas, uma parceria entre Comando Nacional dos Bancários e Fenaban<br>

“É essencial avançar na nossa CCT, com a cláusula 86, que prevê o Programa de Prevenção, e que serve de exemplo para outros setores, mostrando que é possível estabelecer critérios mínimos para a implementação de um ambiente não violento. O resultado hoje é o lançamento dessas cartilhas e sabemos que temos de discutir além dos muros, com toda a sociedade. Que esse lançamento seja mais uma ferramenta que contribua para o avanço da igualdade”, disse Neiva, que participou da agenda com a presidenta da Contraf-CUT, Juvandia Moreira, e a secretária da Mulher da Contraf-CUT, Fernanda Lopes.

Dados da violência

O Brasil é o 5º país do mundo no ranking da violência contra a mulher (Agenda 2030 de Desenvolvimento Sustentável – Brasil, 2022), e foi considerado o pior país da América do Sul em termos de oportunidades para meninas (Relatório Save The Children, 2016).

Segundo o 17º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, de 2023, 61,4% de todos os estupros cometidos no país são contra menores de 13 anos. Além disso, 56% das vítimas de estupro e 61% das vítimas de feminicídio eram mulheres negras.

Outra forma de violência é a discriminação no mercado de trabalho. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD) do último trimestre de 2023 (dados mais atualizados) mostra que o rendimento médio das mulheres no período foi 21% inferior ao rendimento médio dos homens. E quando se faz o recorte de raça, essa desigualdade é ainda maior: mulheres negras ganham em média 54% menos que homens brancos.

Dados como esses são destacados nas cartilhas e, além de denunciar a situação da mulher na sociedade brasileira, apelam para que todos se unam à luta por uma sociedade mais justa.

As cartilhas podem ser acessadas abaixo e compartilhadas por todos:

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