Representação

Em meio ao desmonte do banco, delegados sindicais tomam posse

Eleitos terão a responsabilidade de organizar bancários nos locais de trabalho e informá-los sobre os riscos e prejuízos que a agenda de retirada de direitos de Temer representa para a categoria

  • Redação Spbancarios
  • Publicado em 04/08/2017 12:26 / Atualizado em 04/08/2017 18:44

Crédito: Seeb-SP

São Paulo – Em meio a um processo de desmonte dos bancos públicos e de retirada de direitos trabalhistas promovido pelo governo Temer, tomaram posse na quinta-feira 3 os delegados sindicais do Banco do Brasil lotados na base do Sindicato (São Paulo, Osasco e outros 16 municípios da região metropolitana da capital paulista) para o mandato de 2017-2018.

Os delegados exercem função fundamental na organização dos empregados por melhores condições de trabalho, mais direitos e remuneração mais justa. Eles são responsáveis por reportar os problemas dos locais de trabalho e as reivindicações dos empregados ao Sindicato, que por sua vez cobrará a direção do Banco do Brasil.

“Além de ser o elo de ligação entre o Sindicato e os locais de trabalho, esses delegados sindicais terão a importante responsabilidade de informar a base sobre os riscos e os prejuízos que a agenda de retirada de direitos de Michel Temer representa, uma vez que os grandes veículos de informação e os canais do banco mais desinformam do que informam quando divulgam o ponto de vista de interesse do empresariado e do governo”, argumenta a dirigente sindical e bancária do BB Sílvia Muto.

Durante a cerimônia de posse, os delegados sindicais assistiram a duas apresentações elaboradas pelo Dieese e pelo Sindicato. Uma sobre as mudanças e os impactos da reforma trabalhista; e outra a respeito das novas tecnologias no sistema financeiro. 

“Diferente do que pode parecer, as pessoas não se conscientizaram [sobre os riscos da reforma trabalhista], então muita gente não está informada do que está acontecendo. ‘Ah, o Congresso fez uma reforma trabalhista, mas o que que isso quer dizer? Ah, passou a terceirização, mas o que isso muda na minha relação de trabalho agora?' Então é importante ter alguém que vai receber essas informações e repassar para os colegas, até para organizar alguma forma de resistência”, opina o delegado sindical de uma agência na zona sul.   

Água no pescoço – Além da reforma trabalhista e a lei da terceirização, os bancários do Banco do Brasil enfrentam uma reestruturação responsável por muitos descomissionamentos e um plano de aposentadoria que pretende eliminar dez mil postos de trabalho. Entretanto, segundo os delegados, muitos não se deram contam da real dimensão do problema que essas mudanças acarretarão em suas vidas.

“Muitos compram o discurso que o banco vende, que está reorganizado as estruturas, que as coisas vão melhorar, que o processo de digitalização e home office trará vantagens para o trabalhador. Hoje, quando a gente fala sobre os riscos, as pessoas acham que estamos com teoria da conspiração. Esperam a água bater no pescoço e perder o cargo para perceber”, afirma um delegado.

“O que estão fazendo com o Banco do Brasil é o mesmo que fizeram com o Banespa e com a Nossa Caixa: sucatear, deixar o atendimento ruim para as próprias pessoas pensarem ‘esse banco está uma droga, tem que privatizar'”, afirma uma delegada de uma agência na zona leste.

“Vai chegar uma hora que o banco vai forçar tanto, que as pessoas vão começar a se mexer, como foi na greve do ano passado”, acredita um delegado de um centro administrativo no centro. “Só a luta coletiva vai garantir que a gente não perca nossas conquistas e avance nos nossos direitos”, afirma outra delegada.



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