Imagem Destaque


> Fotos: galeria da manifestação
> Vídeo: reportagem sobre o ato
Após concentração no vão livre do Masp, no início da tarde de sexta-feira 16, cerca de 5 mil manifestantes saíram em caminhada até a sede da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), onde pararam para mandar recado às maiores empresas de carne do mundo, as brasileiras JBS, Friboi e BRF (fusão da Sadia e da Perdigão), que apesar dos lucros bilionários oferecem baixos salários aos funcionários (em média o salário mínimo) e condições degradantes de trabalho. A marcha continuou até a sede da Petrobras, onde outro aviso foi dado: “Defender a Petrobras é defender o Brasil”, gritaram em coro os participantes, contra o projeto de privatização da estatal. Em seguida, voltaram ao Masp, onde o ato foi encerrado por volta das 17h.
Os bancários, em greve desde o dia 6 contra proposta rebaixada da Fenaban (federação dos bancos), também mandaram seu recado. “O mote da nossa campanha este ano é ‘exploração não tem perdão’. Não vamos aceitar 5,5% de reajuste de um setor que lucrou 36,5% a mais só no primeiro semestre [comparação com o mesmo período de 2014]”, deixou claro a presidenta do Sindicato, Juvandia Moreira, em discurso durante a passeata. “O sistema financeiro no Brasil não só explora os bancários, mas também a população com os juros exorbitantes que cobra. A taxa do cheque especial é mais de 200% ao ano, a do cartão de crédito está mais de 400% ao ano. O trabalhador compra uma televisão parcelada e no final paga por três aparelhos”, disse do alto do carro som para os manifestantes e a população.
> Greve paralisa 60 mil em 828 locais no 11º dia
Juvandia deixou claro que a luta dos bancários é também por um setor bancário que cumpra sua função social de financiar o crescimento do país, o oposto do que fazem hoje. “Eles sufocam a população com altos juros e tarifas, quando deveriam facilitar o crédito. Temos de cobrar que os bancos ajudem a economia a crescer, que tirem o país da crise. Nossa greve está forte e vai continuar forte enquanto os bancos não valorizarem os trabalhadores.”

“Ao mesmo tempo em que pegam financiamento do BNDES, a JBS e a Friboi fecham frigoríficos e geram desemprego no país. Pagam salário mínimo aos trabalhadores e não respeitam os sindicatos”, denunciou o presidente da Contac (Confederação Brasileira dos Trabalhadores na Indústria da Alimentação), Siderley de Oliveira.
A coordenadora do Sindpetro Unificado São Paulo, Cibele Vieira, criticou a mídia que esconde os interesses por trás dos ataques à Petrobras, e apontou como principal representante desses interesses o PL 131 do senador José Serra (PSDB-SP). “Eles querem vender nosso petróleo, mas estamos fortes na defesa da estatal.”
Andréa Ponte Souza – 16/10/2015
