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A pauta, aprovada pela 18ª Conferência Nacional dos Bancários, visa a renovação da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), que reúne os direitos de todos os bancários do país. A data-base é 1º de setembro.
Na mesa com os representantes dos banqueiros, a presidenta do Sindicato, Juvandia Moreira, apresentou dados que comprovam que o setor continua sendo um dos mais lucrativos da economia, mesmo em um momento de recessão. “A consultoria Economatica avaliou 25 setores que envolvem 300 empresas de capital aberto, e desses, o setor bancário foi o mais lucrativo no primeiro trimestre do ano: 21 bancos alcançaram R$ 14,3 bilhões de lucro.”
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Em outro estudo citado por Juvandia, a Economatica aponta que os brasileiros Bradesco, Itaú, Santander e BB ocuparam as quatro primeiras posições em crescimento do valor de mercado dentre os bancos de capital aberto da América Latina e dos EUA, no primeiro semestre de 2016.

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Conjuntura – A presidenta do Sindicato também destacou que a Campanha Nacional Unificada 2016 está se dando em um momento difícil para o país, de ameaça a direitos sociais e trabalhistas. “A gente tem outra grande preocupação nessa conjuntura que é a tentativa de flexibilização das leis trabalhistas, da investida contra os direitos da grande maioria da população e dos trabalhadores em especial, seja na Previdência, seja na terceirização. Isso também está na agenda da nossa campanha e não poderia ficar de fora porque não adiantaria fazer uma campanha salarial boa, se perdermos todos os avanços com a terceirização [PLC 30/2015 que tramita no Congresso] e a flexibilização da CLT [proposta pelo governo Temer].”
"Vamos defender nossos direitos e lutar contra a terceirização e qualquer tipo de retirada de direitos. Não aceitaremos nenhum direito a menos", reforçou o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Roberto von der Osten, o Betão, também um dos coordenadores do comando.
Juvandia lembrou ainda que o governo interino tenta jogar todo o déficit fiscal sobre os mais pobres, eximindo os mais ricos. “Existe um déficit fiscal, mas essa conta não pode ser repassada para os trabalhadores e para o segmento mais carente da população, que mais necessita do amparo das políticas públicas e de emprego.” E destacou ainda que apenas com sonegação de impostos, o Brasil perde cerca de R$ 500 bilhões por ano, segundo levantamento de procuradores da Fazenda. “Portanto, esse déficit poderia ser coberto tirando de quem tem mais e não de quem tem menos.”
"Não vamos aceitar reforma da Previdência que prejudique os trabalhadores", acrescentou a dirigente.
Campanha – É nesse contexto difícil, destacou Juvandia, que a campanha dos bancários se inicia. “Esperamos que essa conjuntura não nos impeça de fazer uma campanha tranquila e boa, que traga avanços para os trabalhadores.”
Ela também lembrou aos representantes da Fenaban que a pauta foi amplamente debatida e representa os anseios dos milhares de bancários e bancárias de todo o país.
Após a entrega, os bancários lançaram oficialmente a campanha nas ruas, com passeata pelo centro de São Paulo.
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Caixa e BB – A pauta com reivindicações específicas dos empregados da Caixa foi entregue logo em seguida. A dos funcionários do Banco do Brasil será levada à direção da instituição na quinta-feira 11.
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Andréa Ponte Souza – 9/8/2016
(Atualizado às 19h13 de 10/8/2016)
