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Bradesco lucra R$ 12 bi e corta 4,7 mil empregos

Número de postos de trabalho eliminados não leva em conta funcionários incorporados com aquisição do HSBC; banco brasileiro também fechou 107 agências

Redação Spbancarios
10/11/2016


São Paulo – O Bradesco apresentou lucro líquido ajustado de R$ 12,736 bilhões nos nove primeiros meses de 2016, redução de 4,3% em relação ao lucro líquido ajustado do mesmo período de 2015 (R$ 13,311 bilhões), correspondendo à rentabilidade de 17,6% sobre o patrimônio líquido.

Aos acionistas foram pagos e provisionados, a título de juros sobre o capital próprio, R$ 5,184 bilhões relativos ao lucro do período de nove meses de 2016. Remuneração completamente livre de impostos, graças a uma lei sancionada no governo Fernando Henrique Cardoso, em 1996.

“Os números do Bradesco reforçam que é possível avançar nas reivindicações específicas dos trabalhadores”, afirma Neiva Ribeiro, bancária do Bradesco e diretora executiva do Sindicato. “Temos uma pauta específica que volta à mesa após o término da campanha nacional e uma série de questões das incorporações, para as quais esperamos resposta positiva. Manteremos nossa mobilização para garantir novos avanços, o balanço do banco demonstra que isso é possível”, reforça.

Crescendo – O número de funcionários chegou a 109.922, sendo 21.016 provenientes do HSBC. Com isso, a instituição financeira passa a ser a maior do país em número de funcionários, à frente inclusive do Banco do Brasil. Sem a incorporação, o Bradesco teria reduzido 4.790 postos de trabalho em 12 meses, sendo 518 apenas nos últimos três meses.

As receitas de prestação de serviços e tarifas chegaram a R$ 15,7 bilhões, crescimento de 10,4%. Essa receita cobre 127% do total das despesas de pessoal do Bradesco.

O número de correntistas ativos chegou a 28,2 milhões, alta de 7%, sendo 3,4 milhões provenientes do HSBC. Com a incorporação do HSBC, a rede de agências chegou a 5.337, sendo 851 provenientes do banco britânico. Sem esse efeito, o número de unidades bancárias do Bradesco teria sofrido redução de 107 nos últimos 12 meses.

Provisionamento – Desconsiderando o efeito da consolidação do HSBC Brasil, a redução do lucro foi de 5,4%, impactada, em boa parte, pelo aumento da despesa com provisão para devedores duvidosos, reflexo de dois aspectos: elevação da inadimplência, decorrente da intensificação da desaceleração da atividade econômica no período; e do efeito do alinhamento do nível de provisionamento de determinadas operações com clientes corporativos, com destaque a um caso específico, cujo agravamento para o rating H, que impactou em R$ 1,2 bilhão.

Nos nove meses de 2016, a despesa de provisão para devedores duvidosos totalizou R$ 16,214 bilhões, registrando variação de 47,6% em relação ao mesmo período do ano anterior. esconsiderando o efeito da consolidação do HSBC Brasil, a despesa com provisão para devedores duvidosos somou R$ 15,025 bilhões.

Outros números – Quanto à origem, o lucro líquido ajustado é composto por R$ 8,690 bilhões provenientes das atividades financeiras, correspondendo a 68,2% do total, e por R$ 4,046 bilhões gerados pelas atividades de seguros, previdência e capitalização, representando 31,8% do total.

Em setembro de 2016, o valor de mercado do Bradesco era de R$ 160,472 bilhões, evolução de 41,6% em relação a setembro de 2015.

Os ativos totais, em setembro de 2016, registraram saldo de R$ 1,270 trilhão (R$ 161,2 bilhões relativos à consolidação do HSBC Brasil), crescimento de 20,9% em relação ao saldo de setembro de 2015.

A carteira de crédito expandida, em setembro de 2016, atingiu R$ 521,771 bilhões (R$ 79,8 bilhões relativos à consolidação do HSBC Brasil), com aumento de 10,0% em relação ao saldo de setembro de 2015. As operações com pessoas físicas totalizaram R$ 171,067 bilhões (crescimento de 17,8% em relação a setembro de 2015), enquanto as operações com pessoas jurídicas atingiram R$ 350,704 bilhões (aumento de 6,5% em relação a setembro de 2015). Desconsiderando a incorporação do HSBC a carteira de crédito do Bradesco teria caído 6,8% neste período. O crédito PF teria subido 2,1%, enquanto o crédito PJ teria caído 10,8%.

O índice de inadimplência superior a 90 dias encerrou setembro de 2016 em 5,4% (3,8% em setembro de 2015). Desconsiderando o efeito da consolidação do HSBC Brasil, este índice seria de 5,2%.
 
 
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