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Chapéu
Comunicação

Governo estuda parceria com Google para aprovar reforma da Previdência

Linha fina
Trabalhador deve estar atento e se informar pelos canais de comunicação das entidades representativas para evitar ser manipulado e apoiar o fim da própria aposentadoria
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Foto: Marcos Corrêa/PR

São Paulo – O governo Temer “trabalha” em várias frentes para aprovar a reforma da Previdência, que afasta milhões de brasileiros da aposentadoria pública. Libera verbas para parlamentares comprometidos com a aprovação do projeto; condiciona liberação de financiamentos da Caixa para estados e municípios ao apoio dos respectivos governadores à reforma; inunda a televisão com peças publicitárias que defendem a proposta, já consideradas enganosas em decisão judicial. E, agora, encontrou uma nova forma para tentar fazer a população apoiar o fim da própria aposentadoria: uma parceria com o Google.

“Funcionaria mais ou menos assim: um trabalhador rural que colocasse o termo "previdência" no mecanismo de busca receberia o conteúdo que explica, por exemplo, que essa categoria não será afetada pelas mudanças”, relata a repórter Juliana Braga na coluna do jornalista Lauro Jardim, no jornal O Globo.

De acordo com Juliana, o governo estaria especialmente interessado no Youtube, plataforma que hoje possui a segunda maior audiência do país, perdendo apenas para a TV Globo.

“Se essa ´parceria` se confirmar estaremos diante de uma nova forma do governo manipular a opinião pública em favor dos seus interesses, que nada tem a ver com os interesses do país em termos de desenvolvimento econômico e social. É o abuso do poder econômico, que nesse caso emana do dinheiro dos nossos impostos, utilizado para acabar com os nossos direitos”, critica a diretora de Imprensa e Comunicação do Sindicato, Marta Soares.

“As fake news, a forma como redes sociais limitam o alcance das publicações, a utilização de robôs para impulsionar publicações e agora esse tipo de parceria entre governo e o maior buscador da internet evidenciam que é cada vez mais necessária toda cautela ao basear nossos posicionamentos utilizando a rede mundial de computadores como ferramenta principal. Ao acessar um conteúdo indicado pelo Google em uma busca temos de nos atentar para algumas questões: quem é o autor, quem é responsável pelo site onde o conteúdo está hospedado e quais podem ser as suas intenções”, acrescenta.

A dirigente lembra ainda que as melhores e mais confiáveis fontes de informação quando o tema diz respeito aos direitos da classe trabalhadora são os canais de comunicação das entidades representativas de cada categoria, centrais sindicais e institutos sérios como, por exemplo, o Dieese.

> O que derrubou nota do Brasil foi o golpe, não a Previdência

Eleições 2018 – A guerra de informações no campo de batalha digital não se limitará à votação da reforma da Previdência. A difusão de fatos e versões nas redes sociais e buscadores virá com força ainda maior nas eleições deste ano.

“Foi autorizado que candidatos utilizem publicações patrocinadas nas redes, o que aumenta significativamente o alcance dos seus posts. Temos de estar atentos a todas as estratégias que podem lhe fazer votar justamente em candidatos que querem a extinção dos direitos da classe trabalhadora. A minha dica é simples: consciência de classe. Trabalhador vota em candidatos que defendam os interesses dos trabalhadores. Assim sairemos das eleições mais fortes, prontos para revogar todos os retrocessos impostos pelo governo Temer”, conclui Marta.

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