Reestruturação

PAQ: BB garante que não haverá descomissionamentos em São Paulo

Em reunião, Superintendência e Gepes afirmam que número de vagas em comissão na capital paulista é equivalente à quantidade de funcionários que serão realocados devido ao Programa de Adequação de Quadros; caso contrário, bancários devem denunciar ao Sindicato

  • Redação Spbancarios
  • Publicado em 11/01/2018 13:36 / Atualizado em 11/01/2018 15:36

À direita, os dirigentes Claudio Luis (camiseta verde), João Fukunaga (centro) e Renato Carneiro reúnem-se com representantes do BB

Foto: Seeb-SP

São Paulo – Dirigentes do Sindicato tiveram a garantia da Superintendência São Paulo Capital do Banco do Brasil de que o Programa de Adequação de Quadros (PAQ) não causará descomissionamentos na capital paulista. Isso porque, segundo o banco, o número de vagas em comissão no município equivale à quantidade de funcionários que serão realocados.  

A Super SP Capital também garantiu que os funcionários envolvidos na realocação não passarão por processo seletivo para ocupar cargos em lateralidade. O Sindicato está acompanhando essa movimentação e orienta aos bancários que denunciem qualquer desrespeito por parte de gestores e também no caso de dúvidas.

Denúncias e dúvidas podem ser transmitidas a um dirigente sindical, por meio do canal Assuma o Controle ou pelo WhatsApp (11) 97593-7749. O sigilo do denunciante é absoluto.

Na mesma reunião, ocorrida na terça-feira 9, a Super SP Capital também informou que foram criadas 17 novas vagas de gerentes-gerais. No total, essas novas vagas resultarão em uma movimentação em cascata que irá criar a possibilidade de cerca de 50 realocações e ascensões.

Nos casos de ascensões, esses postos serão ocupados após processo seletivo e possibilitarão inclusive a promoção de comissionados qualificados ao cargo de gerência-geral.

O banco garantiu que todos os funcionários que concorrerão a cargos de gerentes de relacionamento terão prioridade para continuar com suas carteiras. Também assegurou que o bancário que não aceitar, terá a vaga em comissionamento garantida.

Distância – O problema é que essas 300 vagas serão lotadas em dez escritórios digitais no Centro Empresarial São Paulo (Cenesp), situado na distante e de difícil acesso Avenida João Dias, na zona sul de São Paulo.

A localização poderá gerar transtornos, já que a rede de transporte público que serve a região ainda é deficitária, tanto ônibus, quanto metrô e CPTM.

A escolha desse local gerou protestos dos representantes do Sindicato por dificultar a vida do trabalhador.

Vagas – A Gestão de Pessoas (Gepes) informou que também serão criadas 50 novas vagas para gerente de relacionamento Estilo, as quais serão preenchidas por meio de processo seletivo. Os bancários selecionados a essas vagas terão prazo de 45 dias para tirar a certificação CPA 20. Do contrário, segundo a Gepes, voltarão a ser escriturários. 

Serão criadas, ainda, 53 novas vagas para gerente de serviço e gerente de atendimento.

A criação de uma nova gerência de consultoria e investimentos abrirá outras 53 vagas.

Na reunião, a Super SP garantiu que haverá oportunidades para todos os bancários lotados no município e é importante que o funcionário interessado manifeste sua opção se inscrevendo para a vaga pretendida.

“Nossa preocupação é garantir que todos esses compromissos sejam cumpridos, e para isso, os bancários que se sentirem prejudicados devem denunciar ao Sindicato”, orienta João Fukunaga, integrante da Comissão de Empresa dos Funcionários do BB e secretário de Assuntos Jurídicos do Sindicato.

Assistentes – A Super SP Capital assegurou que todos os assistentes serão mantidos nos cargos e comunicou a existência de 40 vagas para ascensão ou descenso – ou seja, se o funcionário que ocupa função com comissão superior quiser aderir ao descenso por algum motivo, terá a oportunidade.

Escriturários – A Superintendência informou, ainda, a existência de 350 vagas não preenchidas para cargos de escriturários em São Paulo capital, mas ressaltou que, por enquanto, não existe posição definida para o preenchimento dessas vagas.

Caixas – Os bancários que ocupam a função de caixa também foram afetados em nível nacional por causa dessa nova reestruturação. Segundo informe da Dipes (Diretoria de Pessoas), todas as unidades estão buscando aproveitar os caixas que concorrerem para assistentes.

“O banco deveria dar prioridade para esses casos, pois o movimento sindical considera que caixa ocupa cargo comissionado. Por isso reivindicamos, desde a reestruturação passada, que eles tivessem direito sobre a Verba de Caráter Pessoal [VCP]”, afirma João. 

Uma liminar obtida em ação movida pelo movimento sindical garantiu salários de quem perdeu a função na reestruturação anterior. O despacho do juiz determinou que caixa é cargo comissionado.

“De qualquer forma, o banco deveria explicar para a sociedade que está acabando com o atendimento à população de baixa renda que procura uma agência bancária para utilizar os caixas, e empurrando essas pessoas para os correspondentes bancários. Mas esse serviço deve ser função de banco público”, afirma João.

PAQ no Brasil – Por causa dessa última reestruruação, diversos cargos de altos salários foram eliminados, o que possibilitou a abertura de novas vagas em comissões menores. Entretanto, essas funções estão sendo criadas para atender a área negocial.

“Outro grave problema gerado pelo PAQ é que os bancários de outras regiões do estado e do país serão afetados negativamente por conta das realocações, muitas delas compulsórias”, protesta o dirigente sindical Claudio Luis de Souza.

No interior de São Paulo, por exemplo, muitos bancários terão de se realocar em cidades a até 100 quilômetros de distância a fim de manter a comissão. Outros terão de mudar de estado para garantir o mínimo da comissão, o que irá afetar a vida de suas famílias. O Cenop Recife, por exemplo, simplesmente encerrou as atividades, deixando muitos sem função.

“Essa movimentação reforça a visão da atual direção do banco que prioriza os negócios e prejudica a função de banco público indutor de políticas para o desenvolvimento social, além de causar sobrecarga de trabalho, o que prejudica tanto a população como os próprios bancários”, critica Cláudio Luis.



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