Irresponsabilidade social

Santander: lucro recorde e nenhum retorno ao país

Balanço do trimestre mostra que unidade brasileira do grupo espanhol é de longe a mais lucrativa, mesmo assim extingue empregos, reduz crédito para empresas e pratica juros e tarifas nas alturas

  • Redação Spbancarios
  • Publicado em 26/04/2017 16:34

Arte: Freepick

São Paulo – O Santander alcançou lucro líquido gerencial de R$ 2,280 bilhões no primeiro trimestre deste ano, atingindo o maior patamar histórico, com crescimento de 37,3% em doze meses e 14,7% no trimestre. Com isso a unidade brasileira passa a ser de longe a mais lucrativa do grupo espanhol, contribuindo com 26% de seu lucro global. O Reino Unido vem em seguida com 17% e a Espanha com 16%.

Mas o resultado positivo não vem acompanhado de responsabilidade social. É o que destaca a diretora executiva do Sindicato e funcionária do banco Rita Berlofa. “O Santander continua cortando empregos, mantém política de tarifas e juros elevados, e reduz o crédito para pequenas, médias e grandes empresas”, afirma a dirigente, baseando-se em dados do balanço do banco, divulgado na quarta-feira 26.

Corte de empregos – Foram 3.245 postos de trabalho extintos em doze meses e 327 apenas nos primeiros três meses do ano. “O Santander aumenta consideravelmente seu lucro com a força do trabalhador e com a sociedade brasileira, e ao mesmo tempo demite pais e mães de família, o que também penaliza a comunidade onde está inserido. De longe o Santander Brasil é a unidade mais lucrativa do grupo espanhol e, ao mesmo tempo, é a única onde ocorrem demissões”, ressalta Rita.

A dirigente acrescenta que na Espanha não há demissão imotivada e que a matriz do banco ainda recebe parte dos rendimentos alcançados no Brasil. “Além do corte de empregos aqui, o Santander ainda manda parte do seu lucro para a Espanha e não há cobrança de impostos sobre remessa de lucro para o exterior, assim como não há sobre os dividendos.”

Menos crédito – Outro desserviço para a economia brasileira, segundo a dirigente, foi a redução do crédito PJ: a carteira de pequenas e médias empresas apresentou queda de 4,6% e a carteira de grandes empresas caiu 1,1% em um ano. “O crédito só aumentou para pessoa física (alta de 9,8%) e nas modalidades consignado, que não apresenta nenhum risco para o banco, e cartão de crédito, cujos juros são altíssimos.”

As receitas de crédito cresceram 35,5%, muito acima do volume da carteira, refletindo a elevação geral das taxas de juros no país.

Tarifas elevadas – A bancária também pontua o aumento das tarifas. As receitas de prestação de serviços e tarifas bancárias cresceram 20% em três meses, atingindo o montante de R$ 3,708 bilhões. Por outro lado, as despesas de pessoal cresceram apenas 3,2% em relação ao primeiro trimestre de 2016. Com isso, as receitas de tarifas passaram a cobrir 123% do total de despesas de pessoal, ante 110% no mesmo período do ano passado.

Rita reforça que no atual momento de crise por que passa o país, o Santander deveria dar o retorno social para a comunidade em que está inserido. “É imoral essa forma de gerir o banco, com juros escorchantes e exploração dos trabalhadores para dar lucro aos acionistas. Se a empresa ganha, o trabalhador e a sociedade também têm de ganhar. Não é correto que só o banco ganhe. É perversa essa equação”, critica.

Outros dados – No primeiro trimestre de 2017, o Santander obteve sua maior rentabilidade dos últimos 5 anos, de um lado, por maior geração de receitas no varejo, de outro por redução de custos e atuação conservadora no que diz respeito aos riscos das operações. A rentabilidade do banco atingiu o patamar de 19,9% com alta de 3,3 pontos percentuais em 12 meses.

O número de clientes digitais alcançou 6,9 milhões (+1,8 milhão em doze meses); e as transações digitais já representam 76% do total das transações do banco, um aumento de 5,4 pontos percentuais nos últimos doze meses.



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