Mobilização

Ato em agências e concentrações abrange 9 mil bancários do Santander

Três centros administrativos e 14 agências foram palcos da manifestação por respeito aos empregos, perspectiva de estabilidade profissional, possibilidade de ascensão nas carreiras e fim da sobrecarga de trabalho

  • Redação Spbancarios
  • Publicado em 11/05/2018 16:27 / Atualizado em 25/05/2018 12:28

Uma das agências paralisadas do Santander durante protesto do Sindicato por respeito aos empregos, contra a sobrecarga de trabalho e a rotatividade

Foto: Seeb-SP

Respeito aos empregos, perspectiva de estabilidade profissional, possibilidade de ascensão nas carreiras e fim da sobrecarga de trabalho motivaram o Sindicato a protestar em diversos locais de trabalho do Santander nesta sexta-feira 11.

Os atos foram deflagrados na Torre – como é conhecida a sede do banco no Brasil –, e nos centros administrativos Vila Santander (call center), Casa 1 e Casa 3.

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Também foram paralisadas 14 agências entre 9h e 11h: três na zona leste, uma na zona norte, uma na zona sul, duas na região da Avenida Paulista, uma em Barueri e seis na região central. Os locais que foram palco das manifestações concentram cerca de 9 mil empregados do banco espanhol.

> Bancários do Santander protestam por respeito ao emprego

As agências paralisadas enfrentam enorme sobrecarga de trabalho, causada pela eliminação de postos de trabalho no banco – foram cerca de 350 na base do Sindicato (São Paulo, Osasco e região) apenas nos primeiros três meses de 2018. Em uma dessas unidades paralisadas, na Liberdade, trabalham hoje seis funcionários, mas há menos de dois anos eram 12 empregados.

“A reclamação desses locais é a sobrecarga de trabalho”, reforça Vera Marchioni, diretora executiva do Sindicato e bancária do Santander. “Se um bancário sai de férias ou se afasta por motivo de saúde, os outros têm de extrapolar a jornada e passam a usar o banco de horas, mas ao mesmo tempo o Santander pressiona para não fazer hora extra”, ressalta a dirigente.  

Paralelamente à falta de funcionários, as metas e as cobranças visando aumento da lucratividade só aumentam.  

“Agora existe até o pós venda, em que o banco liga para o cliente para saber como foi o atendimento. O bancário fica sob controle a todo momento. As pessoas estão muito estressadas em decorrência do aumento das metas e da sobrecarga de trabalho, o que impacta no atendimento e resulta no aumento de reclamações no Banco Central, fruto direto da falta de funcionários”, afirma Vera.  

Não por acaso, no primeiro trimestre de 2018 o Santander foi o segundo banco com maior número de reclamações consideradas procedentes pelo Banco Central, segundo ranking elaborado pelo órgão, no segmento de instituições financeiras com mais de 4 milhões de clientes. No quarto trimestre de 2017, o banco espanhol liderou o mesmo ranking.  

Lucro recorde e aumento da sobrecarga 

O banco espanhol registrou lucro de R$ 9,9 bilhões em 2017 e R$ R$ 2,85 bilhões nos primeiros três meses deste ano. Ambos são os maiores resultados obtidos pela instituição financeira para os períodos.

O aumento da sobrecarga de trabalho vem crescendo de forma vertiginosa no banco. De acordo com o próprio balanço do banco, em 2015 a instituição tinha 670 clientes para cada funcionário. Em 2017, a relação aumentou para 800 clientes para cada bancário, crescimento de 19,4%.

Diretores executivos ganham 188% mais em dois anos

Para os diretores executivos do Santander, o aumento da lucratividade teve resultado muito mais satisfatório. Em 2015, quando o banco lucrou R$ 6,6 bilhões, cada um dos 42 diretores recebeu R$ 2,5 milhões. Em 2017, 44 diretores ganharam R$ 7,2 milhões, aumento de 188%. Os dados são da Comissão de Valores Mobiliários.

“É uma desigualdade brutal. Enquanto os executivos aumentam de forma estrondosa seus rendimentos, fruto do trabalho e dedicação dos funcionários, o Santander, com toda essa lucratividade, ainda não respeita o emprego e a carreira dos empregados brasileiros. Por isso, a mensagem do protesto desta sexta-feira é clara: empresa lucrativa não tem motivos para demitir. Exigimos respeito e manutenção dos empregos”, afirma Marcelo Gonçalves, dirigente sindical e bancário do Santander.

“E os trabalhadores precisam se preparar, porque mais atividades como essas irão correr, e nós precisaremos do apoio e da participação desses bancários para defender os direitos e os empregos, sobretudo na campanha nacional”, conclama Marcelo.



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