#SantanderSabadoNÃO

Santander recua, e agências não abrem no sábado 11

Sindicato esteve presente em agências que abririam no fim de semana e vai continuar protestando até que o banco retire definitivamente este projeto

  • Danilo Motta, Redação Spbancarios
  • Publicado em 13/05/2019 13:46 / Atualizado em 13/05/2019 18:39

Agência na Paulista foi uma das incluídas no projeto do Santander

Foto: Seeb-SP

O Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região esteve novamente presente nas cinco agências do Santander na capital paulista que abririam no último sábado 11 para trabalho “voluntário” – isto é, para os bancários trabalharem de graça oferecendo consultoria em educação financeira para clientes e não clientes. O Santander, então, recuou e liberou os trabalhadores antes mesmo das 10h.

“Foi uma grande vitória para os trabalhadores. Queremos garantir o direito dos bancários descansarem aos sábados, o que é uma conquista que data da década de 1960. Vamos continuar atuando todos os sábados até que o banco desista em definitivo deste projeto. Nós entendemos que a proposta está sendo apresentada como uma ação positiva para os bancários, mas na verdade pode ser um ensaio para o banco abrir aos sábados com o comparecimento obrigatório e inclusive com cobrança de metas”, afirmou a dirigente sindical Lucimara Malaquias.

A Lei 9.608/1998 define o trabalho voluntário como “a atividade não remunerada prestada por pessoa física a entidade pública de qualquer natureza ou a instituição privada de fins não lucrativos que tenha objetivos cívicos, culturais, educacionais, científicos, recreativos ou de assistência à pessoa”. O banco, entretanto, é uma instituição que visa exclusivamente o lucro. E e a população sabe disso, tanto que quase ninguém apareceu para assistir à orientação financeira, mostrando o total fiasco deste projeto. 

Pelo fato de o Santander considerar o trabalho aos sábados como "voluntário", os bancários não receberam absolutamente nada por isto. E se sofrerem acidente ou assalto no percurso ou durante o trabalho, isso não vai configurar acidente de trabalho, não havendo os resguardos previstos em lei.

“Os altos juros e tarifas abusivas que são cobradas mostram bem qual é a ‘preocupação social’ que o Santander demonstra. Outro exemplo é a alteração da bandeira dos vales refeição e alimentação dos bancários antes mesmo de credenciar estabelecimentos onde o novo cartão poderia ser usado, deixando bem claro o ‘valor’ que o banco dá aos seus trabalhadores, que no fim das contas foram os principais responsáveis pelo lucro de R$ 12 bilhões, correspondente a 30% do resultado mundial”, completou Lucimara.

Farsa

Tentando vender a imagem de que o projeto de educação financeira aos sábados foi um sucesso, o Santander divulgou no Now, aplicativo de comunicação corporativa exclusivo para funcionários, uma série de fotos do primeiro dia da ação, o sábado 4. O problema é que o banco não explicou que as pessoas na foto eram, no caso, os “voluntários” e os dirigentes sindicais que foram às agências cobrar esclarecimentos, e não pessoas interessadas na orientação financeira do banco.

“O Santander deveria fazer melhor: estabelecer parcerias com o Idec e outras entidades que atuam na conscientização da população e baixar os juros e as tarifas abusivas que cobra. Sua imagem só deteriora quando desrespeita as leis e usa da boa vontade dos seus funcionários”, completa o dirigente sindical Marcelo Sá, alertando que o descanso aos sábados é garantido na CCT da categoria (cláusulas 8ª)  e na legislação trabalhista – o artigo 224 da CLT é claro ao excetuar o sábado da jornada de trabalho bancário. Como se não bastasse, em seu artigo 1º a Lei nº 4.178 de 1962 estabelece que os estabelecimentos de crédito não funcionarão aos sábados, em expediente externo ou interno.

Mostre sua indignação

Os bancários e clientes que quiserem ajudar a cobrar do banco o respeito à legislação, ao acordo coletivo e, obviamente, ao trabalhador, podem participar pelas redes sociais! Basta publicar sua indignação usando a hashtag #SantanderSabadoNÃO.



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